É êxito: Marta Vieira da Silva

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Marta, orgulho do Brasil e inspiração para gerações

A homenageada no É êxito, deste domingo, é Marta Vieira da Silva, a brasileira que tem uma linda história de superação e transformação graças ao talento com a bola. A valente que lutou contra a pobreza e o preconceito e se tornou a Melhor Jogadora do Mundo e a Maior Artilheira  entre homens e mulheres na história das Copas do Mundo. Um exemplo neste Dia Internacional da Mulher.

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Marta comemora o 17º gol em Copas do Mundo, a maior artilheira entre homens e mulheres

Marta nasceu no dia 19 de fevereiro de 1986, em Dois Ranchos, no interior de Alagoas. De família humilde, seu pai abandonou a casa, mulher e quatro filhos, quando Marta tinha um ano de idade.

O talento para o esporte aflorou na infância quando amava mais a bola do que os estudos. Naquela época era inaceitável uma menina jogar bola. Aguentou os insultos, encarou o preconceito e a falta de apoio: barreiras impostas por ser mulher. Começou a jogar descalça, se esforçou porque queria sair da miséria. Mas ela enfrentou outro obstáculo, o gênero, mesmo com talento inegável em um campinho modesto. O futebol não era para meninas.

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Marta Vieira da Silva, a rainha do futebol 

De Dois Ranchos, Marta foi para o Centro Sportivo Alagoano (CSA) em 1999. Mesmo em cidade grande o preconceito não deixava as pessoas enxergar o talento da jovem. Ela presenciava olhares estranhos e ouvia comentários maldosos. Qualquer outra adolescente teria desistido. Marta transformou tudo aquilo em motivação, pois sabia o que queria.

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Marta, a jogadora eleita cinco vezes consecutiva a Melhor do Mundo

Cheia de incertezas, mas com confiança em si, Marta Vieira com 14 anos de idade, entrou em um ônibus rumo ao Rio de Janeiro carregando na mochila uma carga emocional muito forte.Cabisbaixa, mas determinada, sabia que era a sua oportunidade de seguir fazendo o que gostava.

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Marta, a brasileira seis vezes melhor do mundo e a que fez mais gols em Copas do Mundo

Marta Vieira, que só tinha olhos para a bola, teve seu talento reconhecido pela primeira vez no ano de 2000 pelo Vasco da Gama, um dos poucos clubes do Brasil a ter um time feminino.

Chegar à cidade grande significava começar a jogar sem ser insultada e receber um pagamento, mas tudo era muito precário. Depois de jogar com a seleção sub 17, ficou sem clube quando o Vasco da Gama acabou com o time feminino por problemas financeiros.

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Marta Vieira da Silva, a craque da Seleção Brasileira

Mesmo assim continuou em busca de uma nova oportunidade. Alguém lhe falou de um clube amador de Belo Horizonte que jogava em um campo de terra, o Santa Cruz. Determinada e sem ter medo das dificuldades e do desconhecido, encarou o novo desafio porque tinha consciência do seu talento. No Santa Cruz Futebol Clube de Minas Gerais permaneceu entre 2002 e 2004 e mostrou que garotas podem jogar bola numa profissão hostil e assumir o papel que desejam.

Em 2003 vestiu a camisa da Seleção Brasileira nos Jogos Pan-americanos em Santo Domingo, onde a Seleção ganhou a medalha de ouro. Ainda em 2003 participou do Campeonato Sul-Americano e em 2004 sua equipe foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos em Atenas.

A vida de Marta mudou graças às oitavas de final da Copa do Mundo de 2003. O Brasil perdeu para a Suécia, – um país que mais valoriza o futebol feminino –, e o jogo da brasileira  cativou o presidente do Umea, que estava entre o público.

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Marta recebe homenagem da FIFA

Em 2004 Marta Vieira assinou com o Umea IK da Suécia. Nas duas primeiras temporadas o time é classificado em 2º lugar no Campeonato Sueco e Marta é a artilheira com 22 e 21 gols respectivamente. Seu time foi campeão em 2006, 2007 e 2008. Marta cresceu como jogadora nos oito anos que passou lá, aprendeu o idioma e obteve nacionalidade,  até se tornar a estrela que é.

Marta vestiu a camisa da Seleção brasileira nos Jogos Pan-americanos de 2007, no Rio de Janeiro, conquistando a medalha de ouro, onde foi artilheira com 12 gols. Em 2008 a equipe foi vice-campeã nas Olimpíadas de Pequim.

Eleita seis vezes pela FIFA como melhor jogadora do mundo. É um orgulho nacional. Uma supercampeã forjada à base de tenacidade e raiva quando todos diziam que esse esporte não era para meninas. Vigorosa, de aspecto frágil, quem a conhece desenha uma mulher alegre que nunca teve medo, que adora treinar, cantar, tocar violão, dançar.

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Marta, a maior artilheira em Copas do Mundo

Marta é um símbolo e dá muita visibilidade ao futebol feminino. “Comecem a mostrar o que vocês valem!”, diz Marta para os novos talentos.“ O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim”, diz Marta a rainha do futebol.

Não é fácil haver talentos femininos excepcionais como o de Marta.Mas se houver, elas ainda precisarão de sorte para ser descobertas e vencer.

Marta é um ídolo no Brasil. Um orgulho nacional A única mulher que tem a marca dos pés impressa no Maracanã, com o slogan “a melhor, entre homens e mulheres”. A jogadora escolhida como a melhor futebolística do mundo por seis vezes, sendo cinco de forma consecutiva.

A história de Marta se confunde com a do futebol que surgiu em 1895 no Reino Unido. Exatamente naquele ano o novo esporte chegou ao Brasil, onde décadas depois se tornou símbolo da identidade nacional.

Nos anos quarenta e cinquenta do século passado o futebol  ganhou força a ideia de que o povo brasileiro, um povo mestiço de negros, índios, brancos, inventou seu próprio estilo de jogar futebol.  Em um país tão desigual, o campo se distingue como um lugar igualitário. Mas não para todos.O Brasil misturava raças, mas excluía as mulheres.

A história registra que quando em 1940 foi inaugurado em São Paulo o Estádio do Pacaembu, foi realizado um jogo feminino e o indignado público exigiu que o presidente Getúlio Vargas impedisse aquela exibição de “mulheres perdidas”. Durante quase quatro décadas, o Brasil, como outros países, proibiu as mulheres de jogar futebol, com o argumento de que causava infertilidade.

Expulsas do espaço público, sem clubes ou torneios, seu futebol não se desenvolveu, embora as praticantes tenham buscado aberturas como as partidas de vedetes, criminalizadas por uma parte da imprensa. O Governo suspendeu o veto em 1979, apenas sete anos antes do nascimento da jogadora Marta Vieira da Silva.

Com a camisa 10 que também usaram Pelé e Zico, Marta é há anos a líder indiscutível da equipe brasileira. É craque fora de série, está sempre no lugar e na hora certa fazendo jogadas extraordinárias.

Embora Marta não se apresente como feminista, depois de tantos anos de luta para que as jogadoras conquistassem seu espaço no futebol, é embaixadora da ONU na luta contra o sexismo no esporte.