Benefícios nutricionais das plantas alimentícias não convencionais

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Flor de Capuchinha, uma planta comestível com propriedades medicinais

Quando pensamos em plantas comestíveis, logo vem à cabeça  tomate, abóbora, mandioca, arroz, feijão, milho, verduras, e por aí vai.  No entanto, cada vez mais tem se estudo e discutido o conceito das plantas não convencionais.

A Emater-DF têm orientado produtores do Distrito Federal a como cultivar, comercializar e consumir plantas alimentícias não convencionais, as chamadas Pancs. Elas podem ser encontradas em ambientes urbanos, rurais, quintais. Pelo desconhecimento de suas qualidades, muitas vezes são tratadas como “daninhas” ou “mato”.

Pancs são espécies que produzem uma ou mais partes comestíveis, como raiz, caule, folha, flor, fruto, bulbo, tubérculo e pólen, que por serem naturais de determinados biomas, proliferam com abundância, o que torna seu custo de produção baixo.

Beldroega, Capuchinha, Jacatupé, Dente-de-leão, Serralha, Bertalhas, Peixinho, Taioba, Ora-pro-nóbis, Hibisco e Azedinha, são algumas Pancs, encontradas no Distrito Federal.

De acordo com a nutricionista da Emater-DF Daniele Amaral, as pessoas possuem dificuldade de distinguir o mato de uma planta que pode ser consumida. “A sabedoria dos antepassados sobre essas plantas também foi se perdendo e elas caíram no esquecimento. Também não há muita oferta. Hoje é mais fácil encontrar o que é produzido em larga escala, o que acabou mudando os hábitos alimentares das pessoas.”

Beldroega – fortalece sistema imunológico

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Beldroega – fortalece sistema imunológico

É cultivada no Oriente Médio, popular em diversos países da Europa e hoje é encontrada em quase todas as regiões brasileiras em jardins, hortas, terrenos cultivados e até mesmo em terrenos baldios.

Todas as partes dessa planta podem ser utilizadas e ela possui um sabor muito parecido com o do espinafre. Na culinária, é utilizada para compor saladas, sopas, molhos para massas e guisados, além de poder ser acrescentada em receitas de sucos verdes e vitaminas. As folhas redondas e pequenas podem ser utilizadas em refogados e para fazer chá, e as sementes em pães substituindo a chia e o gergelim. Sementes germinadas (brotos) são indicados para saladas e decoração comestível.

A Beldroega é um poderoso antioxidante por conter as vitaminas A e C, fortalecendo o sistema imunológico e prevenindo infecções e o desenvolvimento de câncer. É famosa por ser fonte de ômega-3 e por ser rica em ferro e cálcio.

A medicina natural utiliza os talos e as folhas machucadas sobre queimaduras e feridas, pois aliviam a dor e aceleram a cicatrização. O emplasto de folhas frescas ajuda a aliviar as picadas de insetos e combate a acne, por sua ação anti-inflamatória.

Ora-pro-nóbis, do latim, “rogai por nós”

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Folhas de Ora-pro-nóbis, protetora das células

Segundo a pesquisadora Larissa Wainstein Silva, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina, a planta oferece minerais como manganês, magnésio, ferro, cálcio, além de vitamina C e fibras. Outros trabalhos revelam ainda uma grande quantidade de compostos fenólicos que resguardam as artérias. A Ora-pro-nóbis, tem folhas verdes escuras e é encontrada cobrindo cercas e muros. Na cidade de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, há mais de 20 anos acontece um festival dedicado a espécie devido ao seu alto teor nutricional e arranjo protetor da imunidade.

A Ora-pro-nóbis, apelidada de carne de pobre, ajuda a evitar o envelhecimento precoce da pele e das células, é aliada do bom funcionamento do intestino e ajuda a manter e a ganhar massa magra. E o melhor: é de fácil cultivo, propagação e resistente a mudanças climáticas. Para cultivar em casa, é necessário um espaço que bata luz solar. Os brotos e folhas jovens podem ser consumidos crus, mas o mais recomendável  é refogar e servir com carnes e sopas ou no preparo de bolos, tortas e pães.

Segundo o Livro Alimentos Funcionais na Nutrologia Médica, de Edson Credidio (Editora Ottoni), a maneira de aproveitar, de fato, todos os nutrientes da Ora-pro-nóbis, é cozinhá-la com um pouco de água, entre um minuto e um minuto e meio. A água, após o término, deve ser descartada. Dessa maneira, diminuem os fatores antinutricionais. Embora haja a recomendação para ser incluída na dieta cotidiana, é importante prezar pela variedade de alimentos. A quantidade deve ser estabelecida com um profissional especializado.

Capuchinha – protetora dos olhos

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Capuchinha – protetora da saúde ocular

É uma planta rasteira e rústica, pertencente à família Tropaeolaceae e originária da América Central e da América do Sul. Tem folhas arredondadas e flores com cores que variam do amarelo-claro ao vermelho. A Capuchinha é rica em carotenoides, especialmente luteína, um composto importante para a prevenção de doenças relacionadas à visão como catarata e glaucoma.

As folhas e as flores, de sabor levemente picante, parecido com o agirão e a rúcula, são consumidas cruas, em pratos quentes e frios, e como tempero de maioneses, pestos e molhos. As sementes são usadas como conserva

Azedinha – rica em magnésio e ferro

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Azedinha – rica em magnésio e ferro

Planta herbácea perene, da família Polygonaceae, nativa da Europa e do norte da Ásia. Tem folhas simples, de formato arredondado ou lanceolado, e coloração que vai do verde-claro ao verde-escuro. As inflorescências são longas e avermelhadas.

A azedinha tem propriedades antioxidantes e é rica em minerais, como potássio, magnésio e ferro. Suas folhas de sabor levemente ácido podem ser consumidas cruas, em saladas e sucos, ou cozidas em sopas e molhos. Também são indicadas para o preparo de doces e geleias.

Serralha – rica em proteína

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Serralha – rica em proteína

É uma folhosa herbácea da família Asteraceae, originária da Europa. Tem folhas verdes, de bordas serrilhadas ou dentadas, como se tivessem sido recortadas, sabor levemente amargo e flores amarelas.  A Serralha é boa fonte de fibra e apresenta consideráveis teores de proteína (2g a 3g/ 100g de folhas frescas), carotenoides (provitamina A) e minerais, com destaque para potássio, fósforo, magnésio, ferro e zinco.  Pode ser consumida refogada ou cozida, em omeletes e massas, ou em saladas.

Bertalha – rica em vitaminas A e C

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Bertalha – rica em vitaminas A e C

Original da Índia e do Sudoeste Asiático, a bertalha é uma trepadeira pertencente à família Basellaceae. Possui ramos e folhas verdes, inflorescências em cachos, com flores pequenas e brancas, e frutos purpúreos e brilhantes. Suas folhas têm sabor que lembra o da folha da beterraba.

A Bertalha é boa fonte de fibras, vitaminas (A e C), minerais, em especial o cálcio e o ferro, e antioxidantes. O ideal é preparar os ramos da bertalha crus ou refogados, para uso em farofas, tortas, quiches, sopas e omeletes, entre outros pratos. Os talos podem ser picados e refogados, e o fruto utilizado como corante alimentar.

As plantas alimentícias não convencionais se destacam pelo alto valor nutricional e que, por isso, têm ganhado espaço na culinária como o Jambu, no Pará  e a Vinagreira, no Maranhão.

Jambu – rico em antioxidantes

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Jambu – rico em antioxidantes

Hortaliça herbácea e perene, pertencente à família Asteraceae e nativa da região amazônica. É bastante usada no Pará e no Amazonas, nos famosos tacacá e tucupi. Suas folhas são simples, de cor verde-intenso, e as flores são pequenas e amarelas. Tem uma característica peculiar: por conta da presença da substância espilantina, causa leve dormência na boca. O jambu é rico em vitamina C e antioxidantes. O recomendável é consumir as folhas cozidas, especialmente em caldeiradas de peixe, sopas.  Mas também é possível utilizar a planta para fazer chás e saladas.

Vinagreira – rica em antocianinas

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Vinagreira – rica em antocianinas

Da mesma família do quiabo e do algodão e natural da África, a planta é um arbusto ereto de caule arroxeado, folhas verdes, com nervuras púrpura, e flores amarelas com o centro roxo. Também dá frutos. No Brasil, a Vinagreira é bastante consumida no Maranhão, no prato típico arroz de cuxá.  Seu cálice é rico em antocianinas, substância antioxidante, e as folhas em ferro – o consumo de 100g representa a ingestão de 57,14% das necessidades diárias do mineral. Também é fonte de fibras e tem baixo valor calórico. As folhas, de leve sabor ácido, são preparadas com arroz; os cálices (secos ou frescos) são usados na produção de doces, sucos, geléias, licores e chás, e as sementes maduras são torradas ou moídas.

Adriana Nascimento, coordenadora do Programa de Olericultura da Emater-DF, diz que além do valor regional, outra incontestável importância dessas plantas é que elas são, em sua maioria, rústicas, resilientes e adaptadas ao nosso clima, tendo baixa necessidade de água e adubação.“Além disso, não é necessária a utilização de agrotóxicos e ela se adaptada facilmente em ambientes biodiversos. Por isso, pelo fácil manejo e cultivo, são atrativas aos produtores”.

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O pesquisador da Embrapa Hortaliças Nuno Madeira diz que a instituição possui uma coleção de germoplasma (material genético) de cerca de 400 variedades de umas 80 espécies de hortaliças Pancs. “São no mínimo 10 mil espécies de Pancs com potencial alimentício. Nesta unidade da Embrapa, trabalhamos com as hortaliças Panc, guardando o material genético, melhorando a fitotecnia dos sistemas de produção a fim de aumentar a produtividade e levando os resultados das pesquisas aos produtores, principalmente com o apoio da Emater”, conta. Para tratar principalmente de aspectos agronômicos em relação Pancs, Madeira diz que este ano acontecerá a HortPanc, em Salvador.

Peixinho – rica em potássio

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Peixinho – rica em potássio

Pertencente à família Lamiaceae, é uma hortaliça herbácea perene originária da Turquia, da região do Cáucaso e da Ásia Central. Ela recebeu este nome por ter um sabor que remete ao peixe. Suas folhas são “peludinhas”, macias e de um tom verde-prateado. O Peixinho é fonte de minerais, em especial potássio, cálcio e ferro, e de fibra, com um teor de até 13% na matéria seca. Como consumir: as folhas, comumente, são empanadas e fritas, servidas como petiscos. Outra opção é cozinhá-las.

Taioba – fonte alternativa de carboidrato

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Taioba – fonte alternativa de carboidrato

Nativa da América Tropical e Equatorial, é uma planta herbácea tuberosa perene, pertencente à família Araceae. Mas, atenção, a taioba da espécie brava (Colocasia antiquorum Schott) é tóxica e não deve ser consumida. Antes de usá-las é preciso ter certeza de que é a verdadeira. A Taioba possui talo e folhas verde-arroxeadas – a espécie comestível tem folhas e talos verde-claros. É rica em proteína, com um teor de até 3% quando fresca, e também em minerais (potássio, cálcio, fósforo, ferro e zinco). O rizoma é uma fonte alternativa de carboidrato.

As folhas da Taioba são usualmente consumidas como a couve, refogadas ou cozidas – nunca cruas -, e como acompanhamento de pratos à base de carnes ou farinhas de milho ou mandioca. Os rizomas podem ser preparados como pequenos inhames, bem cozidos, fritos ou processados na forma de farinha.

Fotos: Emater/DF e Divulgação