Ícone do site Bernadete Alves

Crime da 113 Sul: TJDFT mantém condenação de Adriana Villela

bernadetealves.com
Casal de advogados Maria e José Guilherme Villela e a empregada Francisca Nascimento, brutalmente assassinados em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15


A 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) negou, no dia 23, o pedido da defesa de Adriana Villela para anular o julgamento do Tribunal do Júri que a condenou a 67 anos de prisão pelo triplo homicídio, no bloco C da 113 Sul, ocorrido em 2009.


Ela foi sentenciada pelo assassinato do pai,
o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela; da mãe, a advogada Maria Villela; e da empregada da família, Francisca Nascimento. O julgamento que sentenciou Adriana, em 2019, foi o mais longo da história do DF. A defesa havia entrado com apelação processual contra o julgamento.


Na apelação processual para tentar anular o julgamento,
a defesa de Adriana apresentou uma série de alegações, entre elas, a de que uma das juradas espalhou notícias falsas nas redes sociais envolvendo o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um dos representantes de Adriana Villela.


O desembargador César Loyola argumentou que defesa não questionou em momento oportuno a participação da jurada no Conselho de Sentença. “É incontroverso, portanto, que a defesa não impugnou a jurada. Ao contrário, aceitou embora pudesse ter recusado motivadamente quando instada [solicitada] pelo magistrado”, analisa.


“É importante salientar que não consta nos autos, seja mediante registro em ata de julgamento, seja em mídias gravadas, o registro das duas situações mencionadas pela defesa, quais sejam: ter levado ao conhecimento do magistrado antes da sessão, as informações que obteve sobre a jurada, bem como a justificativa de que ela teria apresentado, quando indagada pelo magistrado, negando, falsamente, segundo a defesa, ter compartilhado a postagem referida”, complementou Loyola.

A Turma ainda negou o pedido do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) para a execução da pena, com a prisão preventiva de Adriana.


“Não vejo razões para a decretação. O Ministério Público alega ser real a probabilidade de fuga, amparada pela condição financeira da ré e quantidade de pena aplicada. Se o réu [a ré] permaneceu solto durante a instrução criminal, ele tem o direito de apelar em liberdade, salvo se surgirem fatos novos. Os crimes são graves, mas nada foi apontado de novo no sentido de que a prisão seja necessária”, explicou o desembargador Loyola.


Relembre o caso

Crime da 113 Sul: perícia realizada na época do assassinato

O processo tem mais de 20 mil páginas. No dia do crime, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, quadra nobre de Brasília, foram assassinados:


Os corpos foram achados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009, na Asa Sul. A perícia demonstrou que as vítimas foram assassinadas em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15.


Cerca de um ano após o crime, Adriana Villela e o ex-porteiro do prédio, Leonardo Campos Alves, foram presos. Leonardo chegou a assumir os assassinatos. Ele ainda apontou que teve ajuda de um sobrinho e de uma outra pessoa. Os dois suspeitos também confessaram participação, mas depois voltaram atrás e disseram que só confessaram por terem sido torturados por 24 horas. Mesmo assim, os três foram condenados. A soma da pena deles chega a 177 anos.

Treze anos após o bárbaro crime, que chocou e ainda dói no coração de quem mora no Bloco C, a florada do ipê roxo traz alento e homenageia às vítimas que viraram anjos de luz. Descansem em paz, queridos colegas advogados e vizinhos inesquecíveis.

Prédio na Asa Sul, onde aconteceu o triplo homicídio, no 6º andar em 2009, está emoldurado com florada de ipê roxo neste 24 de junho de 2022


Fotos: Reprodução e Bernadete Alves

Sair da versão mobile