
A nova série “Xógum: A Gloriosa Saga do Japão”, estreou com sucesso simultaneamente no Disney+ e no Star+ na terça-feira, 27 de fevereiro, com elenco de personagens interessantes, cenários impactantes, intriga política, ação e batalha impressionantes, repletas de violência brutal e reviravoltas de tirar o fôlego.
Depois do sucesso da estreia, será exibido um episódio por semana até seu final, em meados de abril, concluindo a história que adapta o livro de mesmo nome, lançado em 1975 pelo autor e cineasta britânico James Clavell.
Apesar de ter personagens e eventos fictícios, Xógum: A Gloriosa Saga do Japão é baseado em fatos reais. O personagem principal, Yoshii Toranaga (Sanada) é uma representação de Tokugawa Ieyasu, o primeiro xogum. No caminho até o poder, ele se aliou a John Blackthorne (Cosmo Jarvis), um marinheiro inglês que representa a figura real de Williams Adams, o primeiro britânico a chegar ao Japão.
É pelo olhar de John Blackthorne que Xógum: A Gloriosa Saga do Japão nos apresenta uma visão direta dos costumes da época, além de um momento histórico em que o interesse econômico e a busca por poder parecia estar acima, até mesmo, das tradições.
A série é um drama histórico muito bem encenado que revela uma visão de um Japão feudal, de um reinado japonês grandioso da época de 1600, com direito a castelo e jardins maravilhosos. A trama traça a colisão de dois homens ambiciosos de diferentes mundos e uma misteriosa samurai. Três perspectivas distintas para para transformá-la em uma reflexão sobre a vida e a morte.
A minissérie, composta por dez episódios, foi criada por Justin Marks, que coassina o roteiro ao lado da esposa, Rachel Kondo. Marks também entra como produtor executivo ao lado de Michaela Clavell, filha de James. Religião, lealdade e jogos políticos formam o clima denso de “Xógum: A Gloriosa Saga do Japão”.
Elenco
O veterano do cinema japonês, que também tem um carreira de sucesso em Hollywood (“O Último Samurai”, “47 Ronins” e mais), Hiroyuki Sanada interpreta Yoshii Toranaga, o protagonista da trama. Ele é um poderoso “bushō” (senhor da guerra) de uma temida linhagem e lorde da extensa região de Kanto. Quando a história começa, ele está isolado e em desvantagem em relação a seus inimigos no Castelo de Osaka.
O ator norte-americano, que já tem um histórico em títulos de época, como “Lady Macbeth” (2016) e “Persuasão” (2022), interpreta John Blackthorne, um piloto inglês, que tem seu navio encalhado no território de Toranaga.
Depois de protagonizar “Monarch – Legado de Monstros” (2023), a atriz neozelandesa, criada no Japão, passa a integrar o elenco de “Xógum: A Gloriosa Saga do Japão”.
Na trama, Anna Sawai dá vida a Toda Mariko, uma mulher extremamente fiel e determinada, que tem a confiança de seu lorde, Toranaga.
O ator japonês é o antagonista da trama. Ele interpreta Ishido Kazunari, um ex-camponês que se tornou o todo-poderoso “bushō”(senhor da guerra), um membro do Conselho de Regentes de Protetor do Castelo de Osaka. Ele não medirá esforços para tirar Toranaga do Conselho e neutralizá-lo como uma ameaça ao poder.
O livro é muito bom, que “Xógum: A Gloriosa Saga do Japão”, esteja à altura da obra de Jame Clavell.
O enredo se desenrola em Osaka, cidade que se tornou uma das principais do Japão no período Edo (1603–1867), com destaque, na época, ao seu porto movimentado, que é rapidamente representado na série. O Castelo de Osaka, um dos elementos cruciais na história, já que é nele e em seus arredores que boa parte da trama se passa. Fictícios são apenas os cenários usados na série para reproduzi-lo, uma vez que o castelo existe na vida real desde o final do século 16 e pode ser visitado até os dias atuais, em que aparece entre os melhores castelos do país.
As cenas de lutas e conquistas épicas, da série Xógum acontecem no Castelo de Osaka, cartão postal do Japão que remonta ao século 16 e é bastante procurado durante florada das cerejeiras. O Castelo fica em uma colina e tem fosso que pode ser percorrido por barquinhos turísticos.
Tanto cenas internas, com destaque para as reproduções do interior do Castelo de Osaka, quanto tomadas externas, em meio à uma rica vegetação, foram feitas na outra ponta do Pacífico, em Vancouver, no Canadá. A concepção dos ambientes foi feita com a ajuda de historiadores, obras de arte e colecionadores de antiguidades, já que não existem fotografias da época.
Apesar da bandeira americana, a produção se orgulha em ter um elenco majoritariamente japonês, assim como ter recrutado consultores japoneses para colaborar na autenticidade deste pedaço da história do Japão, o que contribui para a riqueza que se vê na telinha.
O senhor de guerra Yoshi Toranaga (Hiroyuki Sanada) luta por sua vida enquanto seus inimigos se unem contra ele quando um misterioso navio europeu é encontrado próximo de uma vila de pescadores. Surge aqui o marinheiro inglês John Blackthorne (Cosmo Jarvis), que estava no navio e que possui experiências geográficas e conhecimentos capazes de alterar o rumo do Japão.
Uma descoberta interessante para o futuro xógum, que vê na chegada inesperada de Blackthorne uma chance de não somente salvar o próprio pescoço, mas ascender ao poder. Sabendo que as ameaças estão por todos os lados e o fio da espada é cortante, ele conta com poucos aliados, incluindo a sagaz Toda Mariko (Anna Awai), principal ponte entre ele e o inglês.
“Xógum: A Gloriosa Saga do Japão” nos apresenta um mergulho na cultura e tradição japonesa, com cenas violentas e chocantes tratadas com a placidez com que eram vistas na época. A produção é americana e, com isso, temos um olhar que pende para este lado do mundo, o que faz com que o foco nas cabeças cortadas, execuções arbitrárias e matança sem motivo lancem um olhar duro sobre o país em seu período feudal.
Castelo de Osaka
Desde que foi erguido em 1583, o castelo foi incendiado e reconstruído diversas vezes devido a vários conflitos. A construção que se vê hoje, um dos marcos da cidade e de todo o Japão, foi erguida em 1931.
Situado no alto de uma colina, ele é cercado por um parque de 106 hectares com direito a áreas de piquenique. Ele é disputado principalmente na primavera durante a temporada da florada das cerejeiras.
Além de belo, o castelo prova ser multifuncional: ele abriga um museu com mais de 10 mil objetos históricos que contam a história de Osaka. Enquanto um mirante no topo garante vistas panorâmicas da cidade, lá embaixo as águas que o cercam são ideais para passeios de barquinhos turísticos.
Nas dependências do parque fica o Jardim Nishinomaru, agradável e amplo jardim que rende momentos tranquilos e muitas fotos. Outras atrações próximas são o Osakajo Hall, grande espaço para espetáculos internacionais, e o Museu de História de Osaka, que se aprofunda sobre a história desta que é a terceira maior cidade do Japão, com mais de 2,6 milhões de habitantes.
O ingresso para adentrar o Castelo de Osaka sai por 600 ienes (cerca de R$ 20), sem cobrança para crianças e adolescentes até 15 anos.
Fotos: FX Networks e Getty Images
