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Ano Bissexto: entenda a história por traz dessa data que faz 2024 ter um dia a mais

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Ano bissexto faz o calendário “pular” um dia. Datas que caíram na quarta-feira durante 2023 e que iriam para a quinta, passam direto para a sexta em 2024. dia de hoje, 29 de fevereiro, acontece a cada quatro anos. Ele é a marca de um ano bissexto, ou seja, um período com 366 dias oficiais.

O ano bissexto surgiu como uma solução para a diferença de horas entre o ano civil e o ano trópico. Todos aprendemos que a Terra demora 365 dias para dar uma volta em torno do sol, mas na verdade, o tempo real é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos.

O Papa Gregório XIII (13), em fevereiro de 1582, assinou um documento determinando uma reforma na maneira de contar o tempo. O Pontífice mostrou que tinha, sim, autoridade temporal. Literalmente. Foi por meio de uma canetada pontifícia que um novo calendário foi instituído.

Naquele dia 24 de fevereiro, imbuído de toda a autoridade que competia a um papa do século 16, Gregório 13 publicou a bula pontifícia “Inter Gravissimas”. Ficava determinado para aquele ano um ajuste nas datas — o dia seguinte ao 4 de outubro, quinta-feira, não seria a sexta-feira 5 de outubro, mas, sim, a sexta-feira 15 de outubro de 1582.

O calendário Juliano vigorou até o dia 4 de outubro de 1582. O dia seguinte, quando entrou em vigor o calendário Gregoriano, já era o dia 15 de outubro

O Pontífice Gregório (1502-1585) criou o Calendário Gregoriano buscando solucionar essa discrepância. Para corrigir a defasagem gerada com o passar do tempo, o pontífice teve que excluir 10 dias da contagem do calendário civil da época. Desde então, os anos divisíveis por 4 possuem 366 dias. 

A mudança tinha seus propósitos. Há séculos estudiosos vinham alertando para o fato de que o calendário vigente estava obsoleto — com o passar do tempo, cada vez menos o número da folhinha correspondia aos fatos do calendário solar, dos equinócios às próprias estações do ano.

O calendário utilizado até então era o juliano, um legado da Roma antiga, praticado desde cerca do ano de 45 a.C.. E o mesmo já havia passado por alguns ajustes, seja para tentar corrigir desvios, seja para render homenagens a imperadores romanos que passaram a emprestar seus nomes a alguns meses.

Papa Gregório 13 – idealizador do Ano Bissexto e do Calendário Gregoriano vigente até hoje

A solução adotada por Gregório 13 foi sofisticada por dois motivos: remediava o estrago já feito, ao “pular” dez dias e, assim, ajustar novamente a contagem humana de forma correspondente à natural; e prevenia novos desarranjos, ao melhorar a regra, já adotada, do ano bissexto.

Então a bula papal passou a prever, em seu nono parágrafo, três regras complementares para o ano bissexto. Exatamente as normas vigentes até hoje. É assim: de quatro em quatro anos o ano é bissexto, mas de cem em cem anos não é ano bissexto, contudo de 400 em 400 anos é ano bissexto — e as últimas regras prevalecem sobre as primeiras.

Em outras palavras, são bissextos todos os múltiplos de 400 — ano 1600 foi bissexto, ano 2000 foi bissexto, ano 2400 será bissexto.

E são bissextos todos os múltiplos de quatro, exceto se também for múltiplo de 100 mas não de 400. Por isso o ano de 1900 não foi bissexto — e 2100 também não será bissexto.

Com essa fórmula, o ano do calendário ficou matematicamente ajustável ao natural — ou seja, ao fato de que a Terra leva 365,2425 dias para dar a volta completa em torno do Sol.

Papa Gregório XIII – idealizador do Ano Bissexto

Caso o 29 de fevereiro deixe de existir a cada quatro anos, não haverá a compensação das horas extras deste período, o que pode causar estragos na nossa noção de tempo em relação ao calendário e às estações do ano. E essa falta de coerência pode prejudicar não apenas a qualidade de vida das pessoas, como também o funcionamento de diversas atividades e setores, como agricultura, indústrias e comércio.

As estações do ano (verão, outono, inverno e primavera) são determinadas no hemisfério norte e sul pela posição da Terra em relação ao sol e o eixo de inclinação do planeta. Sem o ano bissexto e a correção das seis horas “extras” do calendário, todos os países ficariam atrasados em relação às estações.

O ano bissexto é essencial para que os dias do calendário civil acompanhem as estações do ano. Sem sua existência, os dias iriam se distanciar de seus períodos solares e, por exemplo, com o passar dos anos, poderíamos pular o carnaval  em pleno inverno.

A data de nascimento é determinada pela Declaração de Nascido Vivo (DNV), de acordo com a Lei 6.015, de 1973, que dispõe sobre registros públicos. A certidão deve conter o dia, mês, ano, lugar e horário exatos do nascimento de acordo com a DNV. A mudança — para o dia 28 de fevereiro ou 1º de março — é considerada crime.

Portanto, quem nasce no dia 29 de fevereiro ‘encontra’, de fato, o próprio aniversário de quatro em quatro anos

Fotos: Reprodução e Montagem: Marcelo Zurita

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