
Desde 2007, o dia 2 de abril é instituído pela ONU, a Organização das Nações Unidas, como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Essa data foi escolhida com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Esta é uma oportunidade para pensar fora da caixa do preconceito, aprender com as diferenças, valorizar a diversidade e a qualidade de ser único. Autismo não se cura, se compreende. Conhecimento é necessário para desmistificar preconceitos e construir uma sociedade que acolha todos de forma inclusiva.
A inclusão não apenas promove um ambiente mais acolhedor e diversificado, mas também reconhece o valor e as contribuições únicas de cada pessoa. Juntos podemos criar um mundo onde todos sintam-se aceitos e incluídos.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é tão abrangente que se usa o termo “espectro” devido aos vários níveis de suporte que aqueles diagnosticados necessitam. É caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social, podendo envolver outras questões como comportamentos repetitivos, interesses restritos, problemas em lidar com estímulos sensoriais excessivos (som alto, cheiro forte, multidões), dificuldade de aprendizagem e adoção de rotinas muito específicas.
Pessoas com TEA podem e devem conquistar seu lugar na sociedade porque eles também têm aptidões e talentos específicos em determinadas áreas do conhecimento. Muitos podem, por exemplo, concentrar-se fortemente em apenas uma coisa, por isso, alguns tornam-se advogados, pianistas ou cantores incríveis.
Como forma de divulgação da campanha “Respeito para todo Espectro”, realizada, neste ano, por entidades envolvidas nessa luta, usamos a hashtag da junção das palavras respeito e espectro: #RESPECTRO
No Brasil, existe uma Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, conhecida como Lei Berenice Piana, criada em 2012, que garante aos autistas o diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além do acesso à educação, proteção social e trabalho.
Além disso, a Lei Romeo Mion, cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), que pode ser emitida gratuitamente por estados e municípios. A Ciptea é uma resposta à impossibilidade de identificar o autismo visualmente, facilitando a pessoa o acesso a atendimentos prioritários e a serviços a que tem direito, como estacionar em uma vaga para pessoas com deficiência.
A pessoa com TEA tem direito a receber um salário mínimo (R$ 1.412) por mês, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), caso seja incapaz de se manter sozinha e a renda per capita da família for inferior a um quarto do salário mínimo, ou seja, R$ 353.
O autismo afeta uma em cada 100 crianças em todo o mundo, informa a Organização Mundial de Saúde (OMS). Tem como principais características:
- Problemas de comunicação
- Dificuldade de socialização
- Transtornos de processamento sensorial
- Alterações comportamentais
Primeiros sinais de autismo
Em geral, o autismo é diagnosticado em bebês de 1 ano e meio a 3 anos de idade, já que essa fase é bastante definidora no que tange ao desenvolvimento social: espera-se que a criança apresente grandes ganhos relacionados à comunicação e interação social durante esse período.
Os primeiros sinais, no entanto, podem aparecer ainda na fase não-verbal do bebê — e é importante que os pais e o pediatra fiquem atentos a eles, para que, se for o caso, o diagnóstico seja o mais precoce possível.
Choros e irritações constantes, resistência ao toque e ao contato visual direto, aversão a determinadas texturas (que podem se revelar, inclusive, oralmente, durante a introdução alimentar) podem ser sinais de alertas que devem ser analisados, é claro, de acordo com todo o contexto e a análise do desenvolvimento global do bebê.
O TEA é uma condição que não tem cura, e o prognóstico do desenvolvimento da criança depende muito do grau de autismo e, é claro, do acompanhamento e dos estímulos adequados. É importante ter em mente, também, que nada é imutável: à medida que a criança responde aos tratamentos e se desenvolve, pode ser que seja necessário encontrar novas estratégias e medidas para que a estimulação continue surtindo frutos positivos.
O Transtorno do Espectro do Autismo pode se manifestar em três níveis, que são definidos pelo grau de suporte que a pessoa necessita: nível 1 (suporte leve), nível 2 (suporte moderado) e nível 3 (suporte elevado).
“O autismo hoje é compreendido como espectro de manifestação fenotípica bastante heterogênea, ou seja, existem várias manifestações diferentes do autismo. E essas manifestações ocorrem também com sinais mais ou menos evidentes em algumas pessoas”, afirma o neuropsicólogo Mayck Hartwig.
Luciana Brites, coautora do livro Mentes Únicas e especialista em Distúrbios do Desenvolvimento, afirma que o 2 de abril é importante para informar a população sobre o autismo. “É um transtorno que tem impacto muito grande porque afeta principalmente a cognição social, os pilares da linguagem. Esse espectro tem diversas nuances que compõem o quadro. E é um quadro heterogêneo. De um lado você tem autistas com altas habilidades e outros com deficiência intelectual. Alguns com hiperatividade e outros mais calmos”.
Segundo a especialista em Distúrbios do Desenvolvimento , é importante ter um diagnóstico precoce, já que os primeiros sinais do TEA podem aparecer no segundo ano de vida. “Quando conseguimos fazer a detecção antes dos três anos, a gente consegue, muitas vezes, mudar a realidade dessa criança, desse adolescente, desse adulto. As políticas públicas de educação e saúde precisam ser muito bem sustentadas para que se possa consiga avançar no desenvolvimento dessas crianças, que vão virar adolescentes e adultos”.
O TEA é o resultado de alterações físicas e funcionais do cérebro, diretamente relacionado ao desenvolvimento motor, da linguagem e comportamental. Os autistas veem o mundo sob uma luz diferente, de maneira que muitos de nós nunca poderíamos imaginar.
Essas pessoas especiais, assim como as aves, são diferentes em seus voos. Todas, no entanto, são iguais em seu direito de voar.
Pensando nisso e na paixão que liga os autistas ao futebol, o Grêmio criou em 2023 um espaço inclusivo dedicado aos autistas: o Camarote Espectro Azul, que tem como embaixador o zagueiro Pedro Geromel. A casa do Tricolor Gaúcho é a casa de todos os gremistas.
Um espaço exclusivo e adaptado para acomodar e atender às necessidades de torcedores portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante os jogos do Tricolor em Porto Alegre. Em março deste ano, o governador Eduardo Leite esteve na Arena do Grêmio e elogiou a iniciativa.
“Cumprimentar a diretoria do Grêmio pela iniciativa de proporcionar nesse camarote a inclusão, com atendimento especial para dar tranquilidade para que as pessoas autistas curtam os jogos com segurança e alegria, em um espaço pensado para elas”, disse o governador do Rio Grande do Sul.
A conscientização envolve, também, a importância de ouvir a comunidade de pessoas diagnosticadas com autismo que cresce e se posiciona cada vez mais, e foi por parte delas próprias que surgiu o novo símbolo desta condição.
Retratado, até então, como um laço preenchido por quebra-cabeças coloridos, o símbolo não estava representando corretamente a comunidade, por alguns motivos:
- As cores primárias remetem automaticamente à infância, mas pessoas com TEA crescem, se desenvolvem e se tornam, logicamente, adultos no espectro.
- Os quebra-cabeças simbolizam tanto uma necessidade de que as pessoas com TEA se encaixem na sociedade quanto o fato de elas serem “difíceis de compreender”, ambas leituras negativas: elas não precisam se encaixar em lugar algum (tem o direito de ser elas mesmas) e tampouco devem ser vistas como incompreensíveis.
O atual símbolo, traz tanto o símbolo do infinito como um infinito espectro de cores, para simbolizar muito bem a vastidão do Transtorno do Espectro do Autismo.
Fotos: Reprodução
