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Cão-guia: mais que um animal de estimação é profissão de visão

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Cão-guia: profissão de visão que melhora a autoestima e promove a inclusão

Celebramos nesta última quarta-feira do mês de abril o Dia Internacional do Cão-Guia. A data foi criada com o objetivo de  homenagear os cães-guias e os seus treinadores pelo importante papel que  exercem na promoção de melhoria da mobilidade, da autonomia e inclusão de pessoas com deficiência visual.

São mais que animais de estimação, são acompanhantes que promovem inclusão de pessoas cegas ou com baixa visão. Os cães-guias são treinados para tomar decisões independentes, sempre focados em manter a segurança de seus tutores.

Dia Internacional do Cão-guia: curiosidades sobre o herói de quatro patas

O termo Pessoa com Deficiência foi definido pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, sendo aprovado em 13 de dezembro de 2006 pela Assembleia Geral da ONU. Foi ratificado no Brasil, com equivalência de emenda constitucional, pelo Decreto Legislativo nº 186/2008 e promulgado pelo Decreto nº6.949/2009.

Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) ou Portador de Necessidades Especiais (PNE) são termos incorretos e devem ser evitados, uma vez que não traduzem a realidade de quem possui deficiência . A deficiência não se porta, ela é uma condição existencial da pessoa.

Cão -guia : mais que um animal de estimação, um instrumento de inclusão

O termo deficiência visual engloba pessoas com perda total da visão e também aquelas com diferentes graus de visão residual. Infelizmente ainda existem pessoas que consideram a deficiência como incapacidade. O capacitismo funda-se na concepção de que existe um padrão corporal ideal, típico da espécie humana, e de que a inadequação a esse padrão torna as pessoas incapazes para as atividades na sociedade.

O termo capacitismo é utilizado para expressar a discriminação contra pessoas com deficiência. Com base no capacitismo, as pessoas com deficiência são tratadas, de modo generalizado, como incapazes de ser e de fazer em diversas esferas da vida social, como trabalhar, aprender, amar, cuidar, entre outras.

O respeito à diversidade é solo fértil para o desenvolvimento de ideias inovadoras e garantia de uma Justiça acessível para todos como o cão treinado para guiar pessoas cegas ou de visão muito reduzida.

Cão-guia: mais que um animal de estimação, uma profissão de visão

A Lei Federal 11.126/2005, regulamentada pelo Decreto Federal 5.904/2006, garante o acesso e a permanência  de pessoas acompanhadas por seus cães-guias, em espaços públicos,  inclusive nos meios de transporte. Conforme o Decreto, é vedada a exigência do uso de focinheira nos cães-guias, como condição para o ingresso e permanência nos locais públicos ou privados de uso coletivo.

cão-guia, para quem tem deficiência visual, é mais que um companheiro para todos os momentos — são os seus olhos. Afinal, eles alertam os tutores sobre quando atravessar a rua, se há alguém no quarto, entre outras tarefas cotidianas, mas que se tornam grandes desafios para quem não dispõe de visão.

Cão -guia: mais que um animal de estimação, uma profissão de visão que promove a inclusão

A preparação do cão-guia para auxiliar na melhoria da mobilidade de pessoas especiais é bem antiga. Na verdade, acredita-se que tenha começado na época da Primeira Guerra Mundial, quando muitos soldados ficaram cegos.

No mundo inteiro, há mais de 20 raças na “ativa”; as mais comuns são aquelas que possuem temperamento mais calmo e amigável, bem como tendem a seguir ordens mais facilmente:

O treinamento de um cão-guia começa muito cedo, ainda filhotes. Eles são selecionados com base em suas características de temperamento, inteligência, obediência e disposição para o trabalho. Durante o processo, aprendem uma variedade de comandos, desde caminhar em linha reta até desviar de obstáculos e reconhecer sinais de trânsito.

Cão-guia: mais que um animal de estimação, uma profissão de visão com direito a aposentadoria

Em geral, esses animais entre os oito e dez anos de idade, atingem a aposentadoria, já que é uma função que requer atenção aos mínimos detalhes a todo momento. Caso apresentem algum problema de saúde, antes do tempo, que os impeça de continuar trabalhando, os cães-guias também são retirados de serviço.

Quando essas situações acontecem, os animais passam por um novo processo de adoção ou são realocados para programas de reabilitação. Enquanto isso, outros pets igualmente treinados assumem o papel de guia.

No Brasil, no interior de São Paulo, existe o Instituto Magnus, que desde 2015 busca ensinar esses animais a ajudarem as pessoas com deficiência visual. Em Brasília esses animais estão a cargo Instituto Federal de Brasília, em parceria com o IF Goiano. A seletiva é direcionada para pessoas cegas ou com baixa visão que residem no Distrito Federal ou em Goiás. Para se inscrever, o candidato precisa ter a idade mínima de dezoito anos e com capacidade para exercer atos civis no momento da entrega de documentos.

Os cães-guia serão ofertados gratuitamente após serem treinados pelo Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia do IF Goiano – Campus Urutaí. Desde o início do seu funcionamento, em 2018, o Centro já formou sete duplas em Goiás e no DF.

Cão-guia: importante função na melhoria da mobilidade de pessoas com deficiência visual

Após as etapas de seleção, os candidatos aprovados seguem para a fase de formação da dupla. Para isso, será necessário que se hospedem no Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia do IF Goiano por um período de aproximadamente 30 dias. Neste tempo, usuário e cão passarão por diversas atividades de adaptação e compatibilidade.

A compatibilidade é um dos aspectos mais importantes na hora de adotar um cão-guia, afinal eles serão companheiros por grande parte da vida do cachorro. Assim, antes de dizer “sim”, os profissionais da escola consideram preferências do futuro tutor, além do temperamento e das necessidades do pet.

Depois de passar por esse cuidado inicial, realmente começa o “teste de fogo”. Isso, porque tanto o cão quanto o seu tutor passam pelo período de adaptação, que costuma durar de três a seis semanas. Todo o processo é acompanhado pelos profissionais do instituto, a fim de garantir também o bem-estar do animalzinho. 

Mesmo quando possuem uma função, os cães-guias continuam sendo cachorros, ou seja, precisam brincar, passear e descontrair. Porém, quando é hora do serviço, eles não devem receber carinho, já que estão trabalhando e não podem se distrair!

Isso quer dizer que você não pode interagir com eles quando estiverem auxiliando os seus tutores. Assim, caso encontre um peludinho desses, não faça carinho e o deixe desempenhar o seu papel. É importante respeitar os cães-guias e entender que eles estão trabalhando quando acompanhados de seus tutores.

Fotos: Reprodução

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