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Nasa divulga imagens de satélite que mostram a dimensão da tragédia no Rio Grande do Sul

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Nasa mostra como ficou Porto Alegre com a tragédia ambiental

A agência espacial ligada ao governo dos Estados Unidos, divulgou imagens captadas por satélite que mostram a dimensão da tragédia provocada pelas chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde o final de abril.

Para efeito de comparação, a Nasa divulgou duas imagens da região metropolitana de Porto Alegre: uma do dia 20 de abril –antes do início dos atuais eventos climáticos–, e outra desta semana.

A imagem mais recente mostra os rios Jacuí, Sinos e Caí completamente inundados, com a água extravasando por uma área extensa a partir dos leitos. As águas barrentas chegam ao lago Guaíba e à lagoa dos Patos.

A imagem abaixo mostra, na cor azul, o nível normal dos rios que banham a Grande Porto Alegre e, em vermelho, como esses cursos d’água ficaram após as tempestades.

Imagem mostra, na cor azul, o nível normal dos rios que banham a Grande Porto Alegre e, em vermelho, como esses cursos d’água ficaram após as tempestades

O transbordamento desses grandes rios provocaram grandes enchentes em municípios da região metropolitana. Além da capital gaúcha, as imagens de satélite mostram cidades como Canoas, Guaíba e Eldorado do Sul embaixo d’água.

Outra imagem focada na cidade de Porto Alegre mostra como a cidade foi castigada pela cheia do Guaíba, cujo nível passou de 5 metros pela primeira vez na história. Na imagem, é possível ver a região das ilhas, o porto, o Centro Histórico, o aeroporto Salgado Filho e os estádios Beira-Rio e Arena do Grêmio completamente alagados.

Mapa mostra situação de momento na Grande Porto Alegre

Um mapa produzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostra uma projeção da situação de momento na Grande Porto Alegre durante a enchente que atinge a região.

O mapa aponta que uma grande parte da região metropolitana ainda está debaixo d’água. Entre os municípios mostrados estão Canoas, Alvorada, Gravataí, Taquara, Sapiranga, Campo Bom, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Nova Santa Rita, Triunfo, Montenegro, Capela de Santana, Eldorado do Sul e Viamão, além de Porto Alegre.

Pelo menos mais duas cidades que não fazem parte da região metropolitana são mostradas no mapa: Pareci Novo e Barra do Ribeiro.

Ruas continuam alagadas em Porto Alegre

A capital gaúcha ainda tem diversos bairros afetados pela maior enchente de sua história. Entre eles estão Serraria, Guarujá, Ipanema, Tristeza, Vila Assunção, Cristal, Praia de Belas, Menino Deus, Floresta, Navegantes, Farrapos, Anchieta, São Geraldo e Sarandi, além do Centro Histórico.

Porto Alegre ainda tem vários pontos importantes alagados, como o aeroporto Salgado Filho, os estádios Arena do Grêmio e Beira-Rio, o Jockey Club e o Mercado Público.

O nível do Guaíba vem abaixando nas últimas horas, chegando a 4,69 metros na medição feita às 15h desta sexta-feira (10). O nível mais alto, de 5,33 metros, foi atingido na noite da última segunda-feira (6).

Apesar da queda, o nível ainda é bastante elevado e gera preocupação. Isso porque a cota de inundação do Guaíba é de 3 metros, enquanto a de alerta é de 2,5 metros.

Imagens de drone mostram dimensão da enchente em Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul

Outro problema é que as previsões feitas por meteorologistas, o Rio Grande do Sul deverá ter chuvas fortes nos próximos dias, o que poderá fazer com que o Guaíba volte a subir, inclusive superando novamente o patamar de 5 metros. Eles preveem que os grandes rios que cruzam o estado voltem a atingir a cota de inundação nos próximos dias. Segundo previsão do IPH/UFRGS, o Guaíba deverá atingir a marca de 5 na próxima terça-feira (14).

“A precipitação prevista para esse final de semana, e o vento sul para a segunda feira, pode causar uma nova elevação do Guaíba. Por isso, no momento deve-se evitar o retorno para as áreas de risco”, comenta o pesquisador Rodrigo Cauduro Dias de Paiva, que é professor no IPH/UFRGS. “Essa recomendação é valida não só para a região metropolitana, mas para outras partes do estado também”, diz.

“Outra consequência desta chuva, é o aumento da duração da inundação”, afirma o professor. “Esta inundação deve ser duradoura. As projeções mostram que, mesmo se essa chuva não ocorrer, a redução ainda será lenta na próxima semana”, complementa.

Nesta sexta, durante entrevista coletiva, o governador Eduardo Leite fez um apelo para que as pessoas que moram em áreas de risco não voltem às regiões que foram evacuadas.

“Sobre as chuvas dos próximos dias, a consequência mais provável é a de um repique do que a gente viu acontecer nos últimos dias e nas últimas semanas. Ou seja, rios que já foram afetados, como Taquari e Jacuí, depois com a contribuição aqui para o Guaíba e para a região metropolitana. Há também o risco de deslizamento em locais em que o solo está encharcado”, advertiu Leite.

Fotos: Divulgação/Nasa e REUTERS/Diego Vara

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