
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é um título conferido à Virgem Maria, mãe de Jesus e a Mãe Piedosa de todos nós. A rainha da vida e senhora da morte, é celebrada neste 27 de junho por ser o socorro seguro e certo dos que a invocam com amor filial. Maria é “aquela que indica o caminho” ou como é mais conhecida: “a via de Cristo”.
No cristianismo oriental é conhecida também como Mãe de Deus da Paixão, ou ainda Virgem da Paixão. Os verdadeiros devotos da Santíssima Virgem, a Mãe do Perpétuo Socorro, participam de sua fé pura, firme e inquebrantável.
No ano de 1866,o Papa Pio IX confiou à Congregação Redentorista o Ícone original de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ordenando que a tornassem conhecida no mundo inteiro. Por isso, o Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro trazendo a imagem de Maria é uma das efígies da Santa Mãe de Deus mais conhecida em todo mundo.
Os missionários redentoristas cumprem bem essa missão, e uma forma de honrar a Maria e, ao mesmo tempo, propagar a sua devoção, é através da celebração.
A devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro começou a ser propagada a partir de 1870 e espalhou-se por todo o mundo. Trata-se de uma pintura do século XIII, de estilo bizantino.
A história do Ícone
O autor do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, exposto à visitação dos fiéis na igreja de Santo Afonso de Ligório, em Roma, permanece desconhecido até nossos dias. Segundo a tradição da Igreja, no entanto, o artista que pintou a imagem da Virgem do Perpétuo Socorro inspirou-se em um ícone atribuído a São Lucas. Além de médico, homem culto e letrado, o Evangelista foi provavelmente um dos primeiros iconógrafos da história da Igreja.
Segundo antiga tradição, São Lucas teria pintado ícones de Jesus Cristo, da Virgem Maria, de São Pedro e São Paulo. Há pinturas atribuídas a ele que existem até hoje, como é o caso dos ícones da “Theotokos de Vladimir” e de “Nossa Senhora de Czenstochowa”.
São Lucas pintou belos ícones de Nossa Senhora, como a Virgem do Perpétuo Socorro. No entanto, ele também “pintou” algumas das mais belas “imagens” da Santíssima Virgem nas páginas do santo Evangelho. Entre elas, destacam-se: a anunciação do arcanjo São Gabriel à Virgem de Nazaré (cf. Lc 1, 26-38), a visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel (cf. Lc 1, 39-56), o nascimento de Jesus Cristo em Belém (cf. Lc 2, 1-21) e a apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém (cf. Lc 2, 22-40).
Oração
“Ó mãe do Perpétuo Socorro, nós vos suplicamos, com toda a força de nosso coração, amparar a cada um de nós em vosso colo materno, nos momentos de insegurança e sofrimento. Que o vosso olhar esteja sempre atento para não nos deixar cair em tentação”.
“Minha Mãe do Perpétuo Socorro, sede o meu amparo, meu socorro eterno, meu socorro sempre. Sede meu socorro materno em todas as minhas necessidades, Mãe! Sei que a senhora nunca abandona seus filhos! Entrego-me em Tuas mãos! Amém!”.
Simbolismo da Imagem de Nossa Senhora
Na imagem, vemos a mão direita de Maria apontando para seu Filho e no Evangelho temos várias passagens que apontam para Jesus como o Messias esperado pelo Povo de Israel: “O ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35b); “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 46b-47); “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1, 38a); “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho” (Lc 1, 76).
Naquele tempo, raramente alguém tinha um livro das Sagradas Escrituras. Possuir uma passagem da Escritura era também muito raro. Por isso, como já dissemos, os primeiros discípulos de Cristo olhavam para os ícones, nas casas das poucas pessoas que os possuíam, e neles “liam” os textos sagrados.
Entre os simbolismos presentes na imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, talvez o teologicamente mais rico e espiritualmente mais significativo seja o retrato do Calvário. Ao contemplar a Virgem do Perpétuo Socorro, vemos à sua esquerda o arcanjo São Miguel, que apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice das amarguras que o Cristo sorveu até o fim. À direita, está o arcanjo São Gabriel, com a cruz e os cravos, que foram os instrumentos da paixão e morte de Jesus. O Menino Jesus, o Perpétuo Socorro em pessoa, assustado ao olhar para os instrumentos de Sua paixão, com as duas mãos, segura firmemente a mão direita de sua Mãe, como que nos ensinando a confiar-nos inteiramente a ela, especialmente nos momentos de medo, dor e sofrimento.
A sua mão esquerda, que sustenta o Filho, simboliza a sua presença aos pés da cruz (cf. Jo 19, 25). O seu olhar materno, ao mesmo tempo que demonstra o acolhimento e o cuidado para com cada um de nós, que fomos entregues a ela como filhos, é um convite para que a levemos para o que é nosso, ou seja, para a nossa vida interior, como fez o discípulo amado (cf. Jo 19, 27).
Outro detalhe do ícone é a sandália desamarrada, que pode simbolizar um pecador, preso a Jesus apenas por um fio, fio este que é a devoção a Santíssima Virgem. Este “fio” tão frágil pode ser uma lembrança, ou uma devoção sem muita piedade, que num momento de desespero, de sofrimento, pode nos manter unidos ao Senhor. Vemos uma imagem disto naquela que é provavelmente a mais conhecida e bela parábola de Jesus, presente somente no Evangelho escrito por Lucas: a parábola do filho pródigo.
Depois de deixar a casa do pai e de gastar toda a sua fortuna numa vida desenfreada, o filho esbanjador estava na situação humilhante de cuidar de porcos. Para os judeus que ouviram de Jesus esta parábola, cuidar de porcos era ainda mais humilhante, porque eles os consideravam animais impuros. Para completar a humilhação, o rapaz, faminto, queria comer a comida dos porcos, mas nem isso lhe era dado para comer (cf. Lc 15, 11-16). Foi então que ele entrou em si, refletiu, recordou-se que na casa de seu pai até mesmo os empregados tinham pão em abundância e tomou a decisão de voltar (cf. Lc 15, 17-18). Da mesma forma, um pecador pode voltar para Jesus e se salvar pela simples devoção que tem à Virgem Maria, ou até mesmo por uma vaga lembrança do amor que nutre por ela.
Ainda que nossa situação seja semelhante à do filho pródigo, ou como a do bom ladrão, e nossa vida esteja unida a Cristo apenas por um “fio”, entreguemo-nos com confiança à Virgem das Dores, que nos foi dada, pelo próprio Filho, por Mãe (cf. Jo 19, 27). Assim, da mesma forma que a Mãe de Deus contribuiu para a cura e a salvação de São Dimas, ela nos alcançará os bens necessários para a nossa vida terrena e principalmente para chegarmos à glória celeste.
São Lucas escreveu o Evangelho de Jesus Cristo não somente com palavras, mas também com imagens, que nos ajudam a encontrar na devoção a Virgem Maria um caminho seguro para chegar a Ele. Que neste dia, no qual celebramos Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, façamos o salutar propósito de “ler”, na sua imagem, as Sagradas Escrituras, e nelas encontrar o próprio Cristo, a Palavra de Deus que se fez carne.
Diante dos sofrimentos da vida, devemos recorrer apressadamente a Nossa Senhora, pois foi delegado a ela o poder de nos dar ‘Perpétuo Socorro’.
Sincretismo religioso
No Candomblé e na Umbanda, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é relacionada com Iemanjá pela semelhança maternal, amor e proteção. Iemanjá é a Mãe de todas as Cabeças, a nossa grande Mãe na Umbanda. E Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é a Mãe Piedosa, a rainha da vida e senhora da morte.
Que no dia de hoje, todos que buscam o colo, a proteção e segurança de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sejam socorridos e agraciados pela força da grande mãe.
Fotos: Reprodução
