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Assunção de Nossa Senhora: fundamentos e motivos do dogma de Maria

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Festa da Assunção da Virgem Santíssima

A palavra “assunção” significa ser assumida por alguém, assim Maria é assumida por Deus em sua glória, estabelecendo uma estreita união entre Jesus e sua Mãe Maria, compartilhando também de seu destino, a ressurreição.

A celebração da Assunção de Nossa Senhora em 15 de agosto é uma tradição cristã enraizada na devoção mariana. Acredita-se que, após sua vida terrena, Maria foi levada ao céu em corpo e alma, evento conhecido como “Assunção”.

O Dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, e sua festa é celebrada no dia 15 de agosto com base na tradição oral que indica a morte de Maria em 15 de agosto de 43 d.C. Quando o Papa o decretou, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro, em Roma, como nas outras cidades do mundo católico.

Nesse documento, disse o Papa: “Cristo, com Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo batismo. Mas por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos.

“Por isso, os corpos dos justos se dissolvem depois da morte e, somente no último dia, tornarão a unir-se, cada um com sua própria alma gloriosa. Mas, desta lei geral, Deus quis excetuar a Bem-Aventurada  Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular, venceu o pecado; por sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo”.

Assunção de Nossa Senhora: fundamentos e motivos do dogma de Maria

Assim, na Praça de São Pedro, em Roma, diante do pórtico de São Pedro, circundado por 36 Cardeais, 555 Patriarcas, Arcebispos e Bispos e sacerdotes, e perante cerca de um milhão de fiéis, o Papa proclamava solenemente: depois de haver mais uma vez elevado a Deus nossas súplicas e invocado as luzes do Espírito Santo, a glória de Deus Onipotente, que derramou sobre a Virgem Maria.

Sua especial benevolência, em honra de Seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de Sua augusta Mãe e para a alegria e exultação de toda a santa Igreja, e pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma de fé revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma (MS, p. 282).

Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade: “A solenidade de 15 de agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, festa de seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado” (MC n.6).

Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao Céu de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela.

A celebração dessa festividade proporciona um momento de reflexão espiritual, fortalecimento da fé e renovação do compromisso com uma vida cristã autêntica, além de expressar amor e gratidão a Maria e buscar a aproximação de Deus através da devoção mariana.

Glória da Assunção de Nossa Senhora

Assunção de Nossa Senhora: o que significa e os fundamentos do dogma de Maria

A Igreja reconheceu, desde os primeiros séculos, a gloriosa Assunção de Nossa Senhora. Dela dão testemunho S. João Damasceno, São João Crisóstomo, S. Tomás de Aquino, S. Boaventura, S. Anselmo, São Bernardo e outros luminares e teólogos famosos. Além disso, a Sagrada Liturgia sempre confirmou a verdade desse dogma, tanto nos antigos missais como nos sacramentários, hinos e saudações à subida da Rainha ao Céu. Além disso, nunca, em Igreja nenhuma da Terra, venerou-se uma relíquia do corpo de Maria Santíssima, mostrando com isso uma convicção certa e inabalável de que Ela está no céu.

Contudo, a razão mais forte da Assunção de Nossa Senhora está no fato de ela ser a Mãe do Senhor. Como disse o frei Francisco de Monte Alverne: “consentiria o meigo Jesus de Nazaré que sua morada puríssima, o céu esplêndido onde por nove meses repousaria, a estátua viva esculpida pelo próprio Criador, ficasse nessa terra de exílio? Porventura o Rei dos Exércitos esperaria o fim dos tempos para que a corte celeste prestasse homenagens reais à sua Mãe. Não, pois era mister que a humanidade reconhecesse quanto era considerada uma mãe tão extremosa” (nota 22 e Tm p. 314).

A glória da Assunção de Nossa Senhora ao Céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o céu existe e é nosso destino.

Evangelho: (Lc 1, 39-56)

Devoção Mariana: visitação de Maria(Jesus) a Isabel (João)

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu”. Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, pois, ele viu a pequenez de sua serva, eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

No Evangelho de hoje, vemos o encontro de duas mulheres grávidas, que prefiguram a relação estreita entre os filhos que carregam: Jesus e João, o Messias e seu Precursor. A saudação de Maria faz João pular de alegria no ventre de sua mãe. Com este sinal e ao receber o Espírito Santo, Isabel torna-se capaz de compreender e de interpretar o significado daquilo que está ocorrendo. Isabel sente-se privilegiada e compreende profundamente a graça de Deus, presente neste encontro, pois intui que aquela que está diante dela é a Mãe do Messias. De fato, Maria carrega o Santo em seu ventre, Aquele que é a fonte de todas as bênçãos, e traz a alegria prometida para os tempos messiânicos. Maria é, portanto, a portadora da presença salvífica para dentro da casa do casal, Zacarias e Isabel, e para a humanidade. Nesse momento, Maria agradece o agir de Deus em sua vida e na vida e na realidade do seu povo, tendo como ápice o envio do seu Filho, Jesus Cristo. É um canto profético, que inicia proclamando as maravilhas que Deus realizou em Maria e a misericórdia divina, que abarca toda a história. Mas, também é o canto que anuncia a escolha de Deus pelos fragilizados, pelos pobres, pelos humildes.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amem.

Peçamos a Deus a graça de ser, como Maria, um sinal profético nas diferentes realidades que compõe nosso dia a dia.

Fotos: imagem Ilustrativa: sedmak by Getty Images e Reprodução Vaticano

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