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Dia do Folclore brasileiro: conheça a origem da data e a importância cultural das lendas e tradições

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Bumba Meu Boi

Celebramos neste 22 de agosto o Dia do Folclore brasileiro, as histórias e tradições que fazem parte da identidade do Brasil. Folclore é o conjunto de costumes, crenças, lendas, mitos, conhecimentos, músicas e festas populares.

A data valoriza as lendas e mitos: riquezas do folclore brasileiro e sua vital importância para a cultura popular do país. De personagens de lendas tradicionais como o Saci Pererê ou o Curupira, passando por músicas, cantigas de roda, contos e artesanatos regionais, o folclore brasileiro revela a grande riqueza da história e da cultura do Brasil.

Curupira: Ser místico protetor das florestas

São diversas as crenças e tradições que refletem a mistura cultural de referências indígenas, africanas e europeias passadas de geração para geração e ainda hoje permanecem vivas e influenciam a vida da população brasileira.

Há algumas lendas que se tornaram bem tradicionais ao longo do tempo, ultrapassando barreiras regionais e sendo conhecidas nos quatro cantos do Brasil, como a fábula do Saci Pererê, por exemplo, personagem originário do Sul do país que até ganhou uma efeméride própria. 

Saci Pererê: personagem de lendas tradicionais

Outros como o Curupira, a Iara Mãe-d’Água e a lenda do boto, que tem origem indígena e é mais comum na região Norte. Não se pode esquecer também das histórias em torno da Mula sem cabeça, figura originária da Península Ibérica, e que chegou ao país pelos colonizadores, conforme explicam trechos do livro “As 100 Melhores Lendas do Folclore Brasileiro”, de A.S. Franchini. 

Boto-cor-de-rosa: personagem do folclore brasileiro celebrado em 22 de agosto

Dentre os  estilos musicais tradicionais que fazem parte do nosso folclore, os mais conhecidos são frevo; maracatu; fandango; baião; jongo; carimbó; samba; congado; dança do coco; lambada; xaxado; catira; ciranda; maculelê e forró. Além, claro, das músicas de capoeira e das quadrilhas juninas, entre várias outras celebrações de festas regionais. como

A riqueza cultural é tão grande que escritores, intelectuais e antropólogos como Mário de AndradeLuís Câmara Cascudo Renato de Almeida, perpetuaram o folclore com obras importantes. A relevância do folclore, das suas lendas, músicas e danças, ultrapassa a ficção.

Lendas e mitos: as riquezas do folclore brasileiro e cultura popular

Folclore é o modo de sentir, pensar e agir que surge organicamente de pequenos grupos. Em Brasília artistas e professores contribuem para manter viva essas tradições, valorizar a cultura popular do Distrito Federal e mostrar lendas não tão conhecidas.

O Boi do Seu Teodoro, o Seu Estrelo, Martinha do Coco, o Fuá Terreiro, são ricas manifestações que existem em Brasília e que povoam o imaginário das pessoas. Assim como as história em quadrinhos assinadas por brasilienses.

Seu Estrelo: Patrimônio Imaterial do Distrito Federal.

Seu Estrelo e Fuá de Terreiro, são Patrimônio Imaterial do Distrito Federal. O grupo foi idealizado em 2004, pelo músico Tico Magalhães como uma brincadeira popular e uma tradição para a capital do país. Seu Estrelo ganhou asas e inventou sua própria mitologia e a propagou para uma nova geração de brasilienses.

Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro leva elementos do cerrado para o imaginário popular

O samba pisado e as fantasias brilhantes, idealizado pelo grupo, é atualmente referência no país e material de estudo dos alunos de escola pública do Distrito Federal. “Ter virado patrimônio é reconhecimento de um trabalho e de uma resistência. É muito bom ver a cidade se reconhecer através de uma brincadeira, que se torne um estímulo para Brasília criar suas próprias tradições”, diz Tico Magalhães.

Dia do Folclore brasileiro: conheça a origem da data e a importância cultural das lendas e tradições

Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro misturam nossos sotaques, instigam nossos mistérios e revelam uma tradição brasiliense, candanga e cerratense.

Alunos da CEE 01 em Taguatinga, durante apresentação sobre a lenda do Boi-Bumbá

O Centro de Ensino Especial (CEE) 01, em Taguatinga, utiliza a Lenda do Boi-Bumbá, a tradicional festa comemorada no Norte e Nordeste do país, segue viva e proporciona o aprendizado.

O projeto, hoje no comando da professora Ana Lúcia Moraes, existe desde o surgimento da escola, com o objetivo de enaltecer a cultura brasileira e ensinar valores aos alunos por meio da arte.

A escola, que atende alunos PCDs de várias faixas etárias, tornou-se conhecida por apresentar o Boi-Bumbá em outras instituições de ensino do DF.

Os professores acreditam que a lenda do Boi-Bumbá aumentou a autoestima dos alunos que, por meio das apresentações, se sentem confiantes para enfrentar as adversidades do dia a dia. Segundo Ana Ester Soares, vice-diretora da CEE 01, é fundamental o uso da arte e da cultura para ensinar valores para os estudantes. “Temos que resgatar o folclore, dar valor para a cultura brasileira, para o que é nosso. A arte tem o poder de mudar o mundo e eu percebo a felicidade que a cultura traz para nossos alunos”.

Brasília também tem quadrinistas que mostram a origem dos elementos que compõem o folclore.

História em quadrinhos “Sétimos Filhos” de Lorena Herrero

A brasiliense Lorena Herrero, por exemplo, estuda o folclore brasileiro há mais de 7 anos. Grande parte do estudo dela surgiu como inspiração para a história em quadrinhos “Sétimos Filhos”, em que a artista busca valorizar a cultura popular e trazer profundidade a lendas não tão conhecidas.

Os protagonistas da história são bruxas e lobisomens brasileiros. A ideia é fugir do que aprendemos da cultura americana, que está tão enraizada na nossa mente. O nome “Sétimos Filhos” vem da lenda que diz que todo sétimo filho do sexo masculino de um casal vira lobisomem.

Lobisomem brasileiro na história em quadrinhos da brasiliense Lorena Herrero

Para Lorena, o folclore nunca deixou de ter relevância. A quadrinista acredita que as pessoas se referem ao folclore sem perceber a origem de tais elementos. “Entender essas coisas como cultura popular é bom para tirar a ideia de que o folclore é antiquado, que parou no tempo. Folclore é justamente essas coisas que estão no nosso cotidiano hoje e fazem parte da nossa vida”, ressalta Lorena.

Fotos: Ana Lúcia, Bruno Jungmann, Lorena Herrero, Ana Lúcia Moraes e Reprodução

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