
Os Jogos Paralímpicos de Paris começaram nesta quarta-feira 28 de agosto com uma linda festa na famosa Champs-Elysées em celebração do esporte, arte, liberdade e inclusão na bela Cidade Luz.
Um show de cores deu início ao desfile dos 4.400 atletas, de 184 países, na famosa avenida até a icônica Place de la Concorde. Em sua 17ª edição, é a primeira vez na história que os Jogos Paralímpicos são disputados na França.
O evento teve tom forte no que diz respeito à inclusão de pessoas com deficiência — e muitos artistas com tais condições participaram dos shows. A chama olímpica desfilou pela icônica cidade antes da abertura da cerimônia pelas mãos de Jackie Chan. O ator assumiu na rua Vieille du Temple, em Paris.
O britânico John McFall levou a bandeira paralímpica para ser hasteada. Medalhista de bronze nos 100 metros T42, nas Paralimpíadas de Pequim-2008, pode em breve ser a primeira pessoa com deficiência a ir ao espaço.
Após deixar o espaço, McFall começou a trabalhar como cirurgião de trauma e ortopedista. Ele se tornou “parastronauta” em 2022, quando a Agência Espacial Europeia anunciou nova turma de astronautas em treinamento. “A ESA tem o compromisso de enviar ao espaço um astronauta com deficiência física. É a primeira vez que uma agência se esforça para se aventurar em um projeto desse porte. E envia uma mensagem muito, muito forte para a humanidade”, disse ele, à época.
A passagem das delegações foi embalada pelo DJ Myd. Os desfiles obedeceram à ordem alfabética, considerando a escrita em francês. Os primeiros países a entrar na Praça para a apresentação foram Afeganistão, África do Sul, Argélia, Alemanha, Angola, Arábia Saudita e Argentina. Uma curiosidade é que, diferentemente dos Jogos Olímpicos, a Grécia não abre esta etapa da cerimônia porque não foi o berço das Paralimpíadas.
Quando a delegação brasileira foi anunciada e as bandeiras verde e amarelas começaram a tremular, vieram também os sorrisos dos competidores que realizam um sonho no olimpo do esporte.
A delegação brasileira foi bastante aplaudida na abertura das Paralimpíadas. Com danças, brincadeiras e muita descontração, os atletas cativaram os franceses e aumentaram as expectativas para a participação nas disputas de Paris.
O Brasil será representado em Paris por 280 atletas, sendo 255 com deficiência, de 20 modalidades. Essa é a maior delegação em uma edição dos Jogos fora do Brasil — no Rio-2016 foram 278 atletas em todas as 22 modalidades. 23 dos 26 estados, além do Distrito Federal, estão representados no Time Brasil.
Os medalhistas de ouro Gabriel Araújo, da natação e Beth Gomes, do atletismo, foram os porta-bandeiras e estavam à frente dos atletas brasileiros durante o desfile. Gabriel é detentor de três medalhas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, sendo duas de ouro e uma de prata. Já Beth é recordista mundial no lançamento de disco, e também conquistou a medalha de ouro no Japão.
“Estou muito feliz e honrado. (Ser porta-bandeira) É um momento único e uma emoção muito grande. Meu treinador (Fábio Antunes) pensa com antecedência. Sempre nos antecipamos às situações, e já estava no meu planejamento participar da abertura, independentemente de nadar no dia seguinte ou não. E uma oportunidade como essa não tem como recusar. É um sonho viver tudo isso” – disse Gabrielzinho, que já brigará por medalha na quinta-feira (29).
“Muita emoção em poder representar toda a nação brasileira, entrar na avenida mais famosa do mundo e abrir os Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Até me belisquei para entender se era verdade mesmo. É um presente de Deus saber que nosso trabalho dá certo. É um sonho de todos os atletas estar aqui. Nunca deixem de sonhar, porque seus sonhos podem se tornar realidade” – comentou a atleta, que competirá no lançamento de disco e arremesso de peso.
Na história da competição, o Brasil conquistou 373 medalhas, sendo 109 de ouro, 132 de prata e 132 de bronze. Na última edição, em Tóquio 2020, o país fez a sua melhor campanha com 72 medalhas no total, a mesma quantidade obtida nos Jogos do Rio 2016.
A expectativa é de que o Brasil supere os recordes conquistados na capital japonesa e termine acima da sétima posição, melhor campanha já alcançada pelo país no quadro de medalhas.
Tony Estanguet, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Paris-2024, citou ‘revolução paralímpica’ no discurso. “Bem-vindos ao país do amor e da revolução. Fiquem tranquilos: hoje, nada de tomada da Bastilha ou de guilhotina, pois começa hoje a mais bela das revoluções, a revolução paralímpica. Desta vez, os revolucionários são vocês, atletas. Vocês têm estilo e audácia. Como os revolucionários do mundo inteiro, têm coragem e determinação. Vocês lutam por uma causa maior que vocês, mas as suas armas são o desempenho, os recordes, as emoções do esporte. Vocês, um dia, ouviram uma lista de tudo que não poderia fazer, até que cruzaram a porta de um clube esportivo”.
O brasileiro Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional, acompanhou o tom usado por Estanguet. “Sejam bem-vindos ao evento mais transformador da terra. (…) Aqui, nos Jogos de Paris, vamos celebrar aquilo que nos torna diferentes, mostrar que há força, beleza na diferença, e constitui força poderosa para o bem. (…) Convido a todos a abrir as mentes. O que vocês vão ver dos atletas paralímpicos são habilidades que vão surpreender. Estão aqui para alcançar algo maior que a glória pessoal: desejam igualdade e inclusão para si e 1,3 bilhão de pessoas com deficiências no mundo”.
No fim da cerimônia, um coletivo de 12 atletas, todos medalhistas paralímpicos e de diversas nacionalidades, levaram a chama olímpica até a pira. Eles foram acompanhados por mais de 150 dançarinos e artistas carregando tochas ao som de “Bolero”, do compositor francês Maurice Ravel.
A trajetória começou com Michael Jeremiasz, ex-jogador de tênis em cadeira de rodas, e passou por nomes como Beatriz Vio, esgrimista italiana, Oksana Masters, dos Estados Unidos, o alemão, Markus Rehm, a francesa Assia El Hannouni, e os também franceses Christian Lachaud, Béatrice Hess, Alexis Hanquinquant e Nantenin Keïta. A pira também foi o balão, como já tinha acontecido nas Olimpíadas.
Fotos: Andrew Couldridge, Carlos Garcia Rawlins e Jeremy Lee/REUTERS
