Ícone do site Bernadete Alves

Brasília está a 164 dias sem chuva: mesma marca da pior seca registrada em 1963

bernadetealves.com
Brasília está a 164 dias sem chuva e calor bate recorde

Não chove em Brasília há 164 dias e a marca se iguala a pior seca da história ocorrida em 1963. Especialistas em meio ambiente e mudanças climáticas alertam que a situação atual é ainda mais crítica do que a vivida em 1963.

“A de 63 foi uma seca episódica de um ano muito fora da curva, mas agora a gente está vivendo anos consecutivos de secas históricas combinadas com ondas de calor, com uma terra cada vez mais quente, batendo recordes. Nessa condição, o ano mais seco pode ser sempre o próximo”, diz Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Segundo o IBGE a comparação definitiva entre a seca de 1963 e a deste ano está nas proporções do Distrito Federal. Há seis décadas, eram apenas 142 mil pessoas vivendo na recém inaugurada capital. Atualmente, o DF tem quase 3 milhões de habitantes e é cercado por um Centro-Oeste brasileiro cada vez mais quente, árido e populoso.

Fogo queima quase metade da área de preservação da Floresta Nacional em Brasília

O chefe do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) diz que a situação pode se prolongar no futuro devido as mudanças climáticas. “O Cerrado é a caixa d’água do Brasil. É melhor começar a pensar em conservar água e lembrar que muita da energia elétrica usada para ar condicionado vem da água. Falta de água na seca vai ter um impacto, uma cascata, muito intensa”.

Em 2024, a umidade relativa do ar ficou quase 9 pontos percentuais mais baixa em relação à estiagem de 1963. Outro índice de destaque estão relacionados aos picos de calor: neste ano, a cada três dias, dois tiveram temperaturas máximas mais elevadas.

Para piorar a situação a temperatura bate novo recorde com 36,8ºC. Segundo dados do Inmet, o dia mais quente da história do DF foi em 9 de outubro de 2020, quando a temperatura chegou a 37,8°C.

O resultado desse tempo mais seco e mais quente ajudou a propagar mais queimadas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o DF registrou, este ano, um dos setembros mais incendiários da história, com cerca de 3 mil focos de queimadas. Na Floresta Nacional o fogo queimou quase a metade da área de preservação.

Brasília está há 164 dias sem chuva: mesma marca da pior seca registrada em 1963

Uma das maiores preocupações dos brigadistas era preservar as nascentes de água. Estão na Floresta Nacional algumas das nascentes que abastecem o sistema do Descoberto, responsável por cerca de 60% do fornecimento de água de Brasília.

Segundo agente ambiental do ICMBio “Se a vegetação ficar sofrendo queimadas recorrentes, ela vai se enfraquecendo e deixa de existir”.

O Instituto Nacional de Meteorologia informa que a situação deve mudar na semana que vem. Há “grande chance” de fortes pancadas de chuva na próxima terça (8) e na quarta-feira (9).

Fotos: Reprodução

Sair da versão mobile