
Celebramos neste 1º de março o Dia Mundial das Ervas Marinhas, uma arma secreta na luta contra o aquecimento global e organismos cruciais na conservação da biodiversidade marinha.
Elas representam 10% da capacidade do oceano de armazenar carbono, o chamado “carbono azul”, apesar de ocuparem apenas 0,2% do fundo do mar, podem capturar carbono da atmosfera até 3 vezes mais rápido do que as florestas tropicais.
As ervas marinhas são vitais para as metas de desenvolvimento sustentável e para um planeta saudável. Elas são plantas com flores localizadas em águas rasas de litorais em todos os continentes, menos na Antártica. A vegetação forma prados que proporcionam alimentos e sustentam algumas das maiores pescarias do mundo incluindo o bacalhau do Atlântico.
As ervas marinhas são plantas produtoras de flor que formam prados densos em áreas rasas e protegidas ao longo da costa. Elas oferecem uma série de benefícios: atuam como viveiro e fonte de alimento para uma grande variedade de espécies marinhas; abrigam muitos peixes e animais queridos, como tartarugas e dugongos; protegem as costas absorvendo a energia das ondas; produzem oxigênio e limpam o oceano absorvendo os nutrientes poluentes produzidos pela atividade terrestre humana.
Além do mais as ervas marinhas melhoram a qualidade da água ao filtrar, reciclar e armazenar nutrientes e poluentes reduzindo assim a contaminação em frutos do mar.
Segundo Gabriel Grimsditch, Especialista em ecossistemas marinhos do PNUMA, diz que os prados de ervas marinhas estão desaparecendo rapidamente em muitas partes do mundo. “A causa é principalmente o impacto do bilhão ou mais de pessoas que vivem a menos de 50 km delas, incluindo os danos pelas construções costeiras e a degradação da qualidade da água devido à poluição. As taxas anuais de declínio se aceleraram, com taxas de perda comparáveis às dos recifes de coral e florestas tropicais”.
Ervas Marinhas defendem populações costeiras de inundações
Quem vive em áreas litorâneas tem nas ervas marinhas uma linha de defesa da costa. Através da redução da energia das ondas, elas protegem a população do risco crescente de cheias e tempestades. Em todo o mundo, as ervas marinhas cobrem 300 mil km2. Os ecossistemas estão em 159 países em seis continentes, sendo um dos mais presentes em habitats costeiros.
As ervas marinhas amortecem a acidificação do oceano e ajudam na resiliência de espécies mais vulneráveis como os recifes de corais. Elas são altamente eficientes como reservatórios de carbono e uma ferramenta natural e poderosa no combate à mudança climática.
Quase 30% desta vegetação se perdeu desde o século passado, e pelo menos 22 das 72 espécies de ervas marinhas do mundo estão em declínio.
A data é um alerta para a necessidade urgente de conservar a vegetação que está em declínio desde o século passado. Apesar de uma tendência global de perdas das ervas marinhas, que vai de 2% a 7% por ano, algumas áreas estão conseguindo avanços. A recuperação desses ecossistemas ajuda a garantir segurança alimentar por meio da produção de peixes, protege os litorais da erosão e melhora o gerenciamento dos recursos marinhos.
A Unesco calcula que a restauração das pradarias de ervas marinhas pode ajudar os países a alcançar 26 dos indicadores e metas associados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.
Fotos: Dimitris Poursanidis / GRID-Arendal e Unsplash/Benjamin L. Jones e Creative Commons/Reprodução
