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Quarta-Feira de Cinzas: uma celebração rica em significado e reflexão

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Significado das cinzas no início da Quaresma

A Quarta-feira de Cinzas é, tradicionalmente, a data que marca o fim do Carnaval e o início de um tempo de recolhimento: como se fosse necessária uma fronteira entre a festa da carne e o período de penitência chamado de quaresma.

A Quarta-feira de Cinzas foi instituída há muito tempo na Igreja, dia que marca o início da Quaresma, tempo de penitência e oração mais intensa. Para os católicos, é uma celebração rica em significado e necessária para a preparação rumo à Páscoa. Um período para reformular o que nós somos e como estamos vivendo. As cinzas são um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida.

Segundo o vaticanista Filipe Domingues, vice-diretor do Lay Centre, em Roma, e professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, também em Roma, marca o início de preparação para a Quaresma. “Um período destinado a reflexão, arrependimento, e de renovação espiritual”.

Simbologia da imposição de Cinzas no início da Quaresma

Nas missas, da Quarta-Feira de Cinzas, durante o sacramento, o padre faz uma cruz com as cinzas na testa da pessoa. Para isso, as cinzas são misturadas com água benta. Na ocasião o sacerdote pode dizer: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Um lembrete da necessidade cristã de mudança de vida, de abrir mão dos prazeres em prol de uma experiência mais próxima de Deus. Ou “Das cinzas vieste, às cinzas retornarás” recordando a brevidade da vida.

As cinzas usadas na imposição são originárias dos ramos que são abençoados e queimados durante o Domingo de Ramos do ano anterior e elas carregam duas simbologias. A primeira é a ideia da efemeridade da vida, do fato de que quando Deus disse [no Antigo Testamento] de que das cinzas viemos e às cinzas voltaremos, era para lembrar que o ser humano é pequeno diante da grandeza de Deus. A segunda é a do arrependimento, da penitência. O período da quaresma começa com a reflexão da importância de reformular o que nós somos e como estamos vivendo.

Quarta-Feira de Cinzas marca o início da Quaresma: símbolo de reflexão sobre o dever da conversão

As cinzas bentas e colocadas sobre as nossas cabeças nos fazem lembrar que vamos morrer, que somos pó e ao pó da terra voltaremos (cf. Gn 3, 19), para que nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa, para não mais perecer.

A intenção desse sacramental é nos levar ao arrependimento dos pecados, é fazer-nos lembrar que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a felicidade plena possa ser construída aqui. É uma ilusão perigosa. A morada definitiva é o céu.

Deus dispôs tudo de modo que nada fosse sem fim nesta vida. Nosso organismo repete, sem cessar, suas operações para a vida se manter. Tudo é transitório, nada é eterno. Toda criança se tornará um dia adulta e, depois, idosa. Toda flor que se abre logo estará murcha; todo dia que nasce logo se esvai; e assim tudo passa, tudo é transitório.

A razão inexorável dessa precariedade das coisas também está nos planos de Deus. A marca da vida é a renovação. Tudo nasce, cresce, vive, amadurece e morre. A razão profunda dessa realidade tão transitória é a lição cotidiana que o Senhor nos quer dar de que esta vida é apenas uma passagem, um aperfeiçoamento, em busca de uma vida duradoura, eterna e perene.

Significado e importância da Quarta-Feira de Cinzas

A efemeridade das coisas é a maneira mais prática e cons­tante encontrada por Deus para nos dizer, a cada momento, que aquilo que não passa, que não se esvai, que não morre, é aquilo de bom que fazemos para nós mesmos, principalmente para os outros e para Deus. Os talentos multiplicados no dia a dia, a perfei­ção da alma buscada na longa caminhada de uma vida de meditação, de oração e piedade, essas são as coisas que não passam, que o vento do tempo não leva e que, finalmente, vão nos abrir as portas da vida eterna e definitiva, quando “Deus será tudo em todos” (cf. 1 Cor 15,28).

São João Bosco pregava que “Só o amor, a caridade, o oposto do egoísmo, pode nos levar a compreender a verdadeira di­mensão da vida e a necessidade da efemeridade terrena”.

Neste primeiro dia da Quaresma, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressureição de Cristo durante a Semana Santa. Hoje inicia-se um tempo forte, um tempo de conversão. Um momento em que a Igreja nos conduz para a reflexão, revisão de vida e oração.

Que com a graça de Deus possamos bem viver esta Quaresma, e chegar a Semana Maior da nossa fé, com os nossos corações transformados pela força deste Tempo Forte de Conversão.

Fotos: Jennifer Balaska/ Wikimedia Commons/Domínio Público

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