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Sarney: “quero ser lembrado como o homem que realizou a transição democrática para o Brasil”, diz durante homenagem

Bernadete Alves
Sarney: o presidente da redemocratização do Brasil é celebrado na CLDF

O presidente da redemocratização do Brasil foi homenageado na manhã desta terça-feira, 25 de março, Dia da Constituição, na Câmara Legislativa do DF. O ex-presidente da República José Sarney recebeu todas as honras dada a sua importância para Brasília, ao Brasil e a democracia. Para lhe aplaudir autoridades do executivo, legislativo e judiciário se somaram aos deputados distritais, amigos, e imprensa.

CLDF entrega titulo de Cidadão Honorário de Brasília a Sarney – o presidente da redemocratização

A mesa de honra foi composta pelo presidente da casa deputado distrital Wellington Luiz, ministro do STF Gilmar Mendes, 1º vice-presidente do TJDFT, desembargador Roberval Belinati, presidente do Tribunal de Contas do DF Manoel de Andrade, o governador do DF, Ibaneis Rocha, o presidente em exercício do Senado Eduardo Gomes.

Sarney: o presidente da redemocratização do Brasil é celebrado na CLDF com o Título de Cidadão Honorário de Brasília

Além do importante título Sarney, o homem da transição democrática, recebeu a Medalha da Ordem Legislativa do Distrito Federal pelos 40 anos da volta da democracia ao Brasil, após a ditadura militar.

O presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz, autor da homenagem, destacou a importância de José Sarney para a democracia brasileira. “Homenagear o senhor é um tributo à democracia. Se estamos sentados aqui hoje, escolhidos pelo povo, é graças ao senhor que garantiu a democracia. Nós, brasileiros, temos uma dívida impagável com o senhor, um dos maiores brasileiros da história”.

Deputado Wellington Luiz celebra Sarney ao lado do governador Ibaneis Rocha e do Senador Eduardo Gomes

Sarney  lembrou de sua chegada ao Distrito Federal, ainda durante o governo de Juscelino Kubitschek. “Fiquei profundamente ligado a Brasília. Ela representa o pioneirismo na história do Brasil, sonhada por José Bonifácio, na Independência da República, e depois por Dom Bosco, e a realização de Juscelino que teve visão e determinação para construir uma nova cidade”, declarou o homenageado.

Sarney: o presidente da redemocratização do Brasil é celebrado na CLDF com a Medalha da Ordem Legislativa do Distrito Federal

“Eu sempre falava brasileira e brasileiros”, brincou Sarney. “Tenho grande satisfação de receber esse título, porque aqui passei mais da metade da minha vida. Estive aqui em 1958, quando ainda se estava em construção, e em 1959 vim definitivamente. Não me considero honorário, me considero mesmo de Brasília. Participei da primeira sessão do Congresso e depois de momentos conturbados”, lembrou.

O ex-presidente recordou as passagens de trabalhadores, as construções, a derrubada de mata que deram lugar aos prédios, a cidade da burocracia e do povo que chegava de todas as partes do país. “Aqui Deus me deu a aventura de tantas emoções e aos 95 anos, ainda vivo tantas emoções. A democracia do Brasil foi a mais exitosa entre as latinas americanas. Brasília é um sonho de Dom Bosco e José Bonifácio”.

Sarney é homenageado na CLDF e diz ‘quero ser lembrado como o homem que realizou a transição democrática para o Brasil’

O ex-presidente falou com orgulho da sua trajetória e da consolidação democrática. Sou o parlamentar que por mais tempo ocupou mandatos no Brasil. Ocupei os cargos de vice-presidente e presidente da República. Por 40 anos fui senador. Aqui vi a história muitas vezes encantar-se. A renúncia de Jânio, os episódios da posse de Jango. O movimento das Diretas e a transição democrática. Esta, de que eu fui protagonista. Democracia da qual estamos comemorando 40 anos. A liberdade é hoje um patrimônio nacional”, declarou Sarney, testemunho da redemocratização do Brasil.

José Sarney é homenageado pelo presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz
Ministro Gilmar Mendes durante homenagem a José Sarney na CLDF

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, chamou José Sarney de “cidadão da paz mundial” em alusão ao seu papel na redemocratização. “Sua gestão foi cheia de ensinamentos, lembrando da transição difícil que todos tivemos, até chegar no porto seguro.”

“A sua maior contribuição, num ato de coragem, foi a convocação da Assembleia Constituinte. Todos sabemos da dificuldade que passamos até a elabora da Carta Magna”, recordou Mendes, que também apontou ter sido Sarney que se recusou a desenvolver armas nucleares no Brasil.

Desembargador Roberval Belinati do TJDFT saudando Sarney: o presidente da transição democrática

O primeiro vice-presidente do TJDFT, desembargador Roberval Belinati ressaltou que “Sarney é uma das figuras públicas mais destacadas e longevas da história brasileira”. Belinati registrou ainda a ligação do ex-presidente com Brasília. “Era da UDN, partido que se opunha à transferência da capital federal para cá, e ainda assim, como deputado federal votou a favor da mudança. Chegou em Brasília em dezembro de 1959, antes mesmo da inauguração. Foi o primeiro parlamentar a fixar residência em Brasília. Sarney presenciou de perto o nascimento da cidade, viveu e vive toda a nossa história. O presidente Sarney é um filho de Brasília”.

“Sua liderança foi decisiva na elaboração e aprovação da Constituição de 1988, que instituiu as eleições diretas no Brasil e possibilitou ao Distrito Federal eleger diretamente seus representantes, criando também esta Casa. Estamos aqui por fruto do seu trabalho. Destaca-se a defesa [que fez] em prol do desenvolvimento e reconhecimento do DF, colaborando de forma significativa para a ascensão de Brasília ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade”, disse o vice-presidente do TJDFT.

Ibaneis Rocha na sessão solene em homenagem a José Sarney na CLDF

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha relembrou parte de suas memórias em relação ao presidente Sarney. “Eu ainda jovem assisti à doença do ex-presidente Tancredo Neves e nós ficávamos preocupados com o que iria acontecer com país e se teríamos um recrudescimento [que inviabilizaria a democratização]. Todos viram na pessoa do presidente Sarney como se conduzir a paz social e a democracia. Quero dizer do carinho que Brasília tem pelo senhor. No período em que fiquei afastado [do cargo de governador], por decisão do ministro Alexandre de Moraes, um dos primeiros lugares onde fui me aconselhar foi na casa do ex-presidente Sarney. Ele me disse: ‘meu filho tenha calma que as coisas vão clarear e você vai voltar para seu cargo’. Então me ajudou muito naquele momento difícil”, recordou o governador.

O presidente em exercício do Senado Federal, senador Eduardo Gomes falou sobre aspectos do legado de trabalho deixado pelo ex-presidente da República e sobre a visão de futuro dele. “Poucos homens têm a possibilidade de criar um sistema que fortalece a democracia, criar Estados como o Tocantins que produziu a minha permanência aqui nesta tribuna, criar a Câmara Legislativa e uma séria de modificações para o fortalecimento da democracia brasileira. Mas, sempre que vou conversar com o presidente Sarney quero saber do amanhã e comemoro como ele é atual”.

Senador Eduardo Gomes, presidente em exercício do Senado, na homenagem a Sarney na CLDF

O presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, conselheiro Manoel de Andrade relembrou a relação de apoio a Sarney, antes mesmo de ele se tornar presidente da República, e durante seu mandato. “Naquele momento, em que havia uma pulsação, aquela disputa política muito acirrada eu me perfilei o tempo todo porque vi no presidente um homem capaz de dialogar. O presidente Sarney, muito firme, sereno, consciente e paciente conduziu a transição política de forma maestral. Hoje se consegue avaliar a importância do presidente Sarney naquele tempo”.

“Hoje a história sabe a importância e o sacrifício do presidente Sarney”. “Deus sabe o que o presidente passou para nos conduzir. Gratidão, presidente Sarney”, disse o conselheiro de Contas do DF.

Sarney é homenageado na CLDF com aplausos de Agnelo, Arruda e Chico Vigilante

O ministro do Superior Tribunal de Justiça Reinaldo Soares da Fonseca, afirmou que “Sarney é sinônimo de democracia. Aqui estou representando o STJ, que nasce com a Constituição de 88, como o Tribunal da Cidadania”.

O senador Roberto Rocha, do Maranhão, declarou que “é muito bom a gente reconhecer a importância das pessoas em vida porque política se faz com gestos”.

Deputado Chico Vigilante com o presidente Sarney homenageado com a Medalha da Ordem Legislativa do Distrito Federal

Também participam da cerimônia o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Reinaldo Soares da Fonseca; senador Roberto Rocha, os deputados Chico Vigilante, Paula Belmonte e Doutora Jane, os  ex-governadores, Agnelo Queiroz, José Roberto Arruda e Paulo Octávio Pereira.

Fotos: Reprodução e Renato Alves / Agência Brasília e Rinaldo Morelli/CLDF

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