
A fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina por volta das 13h07 (de Brasília) desta quinta 8 de maio, para anunciar que os cardeais chegaram a um consenso sobre o sucessor do Papa Francisco. A Igreja Católica passa a viver um novo capítulo de fé.
Após a confirmação da decisão, o papa eleito passou pela chamada “Sala das Lágrimas”, utilizada para tomar consciência da nova missão e realizar a troca de vestimentas para se apresentar com as vestes pontifícias. Em seguida, o escolhido apareceu na sacada com vista para a Praça de São Pedro, onde se dirigiu ao público de fiéis presentes.
O Papa Leão XIV fez seu primeiro pronunciamento aos fiéis católicos, na Praça de São Pedro, no Vaticano. Cardeal Robert Francis Prevost é “pastor de duas pátrias“: nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, e é cidadão peruano desde 2015.
O cardeal realizou importante atuação missionária no Peru durante os anos 1980 e adquiriu fluência em espanhol e um profundo entendimento da Igreja na América Latina, fazendo dele um forte representante das Américas como um todo.
Em seu discurso inaugural, o novo pontífice fez um tributo ao papa Francisco, aos cardeais pelos votos recebidos e concedeu a bênção Urbi et Orbi, além de ter prestado homenagem à sua diocese no Peru, onde trabalhou por uma década em Trujillo, e posteriormente foi nomeado bispo de Chiclayo, outra cidade peruana, onde serviu de 2014 a 2023.
Prevost ocupava o cargo de prefeito do Dicastério para os Bispos, uma posição estratégica que lhe permitiu conhecer profundamente a estrutura da Igreja e participar ativamente na nomeação de bispos ao redor do mundo.
Em fevereiro deste ano, o papa Francisco promoveu Prevost a cardeal-bispo. Ele foi designado para a Diocese Suburbicariana de Albano, na Província de Roma.
“Que a paz esteja convosco. Irmãos, irmãs caríssimos, esta é a primeira saudação do Cristo ressuscitado, o bom pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação, de paz, entrasse no vosso coração, alcançasse vossas famílias, a todas as pessoas. Onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra, a paz esteja convosco.
Esta é a paz de Cristo ressuscitado, uma paz desarmada, uma paz desarmadora, humilde e perseverante, que provém de Deus. Deus que nos ama a todos, incondicionalmente. Ainda conservamos em nossos ouvidos aquela voz frágil, mas sempre corajosa do papa Francisco, que abençoava Roma.
O papa que abençoava Roma, dava a sua bênção ao mundo inteiro naquela manhã do dia de Páscoa. Permitam-me dar sequência àquela mesma bênção: Deus nos quer bem, Deus nos ama a todos. O mal não prevalecerá. Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos, mão na mão com Deus e entre nós, sigamos adiante. Somos discípulos de Cristo. Cristo nos precede. O mundo precisa da sua luz. A humanidade necessita de pontes para que sejam alcançadas por Deus e ao mundo. Ajudai-nos também vós, unam-se aos outros, a construir pontes, com o diálogo, com o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo, sempre, em paz. Obrigado, papa Francisco.
Gostaria de agradecer a todos os irmãos cardeais que me escolheram para ser sucessor de Pedro, e caminharei junto a vós, como Igreja unida, buscando sempre a paz, a justiça, buscando sempre trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo. Sem medo, para proclamar o Evangelho. Para sermos missionários.
Sou um filho de Santo Agostinho, agostiniano, que disse: “Convosco sois cristão, e para vós bispo”. Nesse sentido, podemos todos caminhar juntos rumo a essa pátria, à qual Deus nos preparou.
À Igreja de Roma, uma saudação especial. Devemos buscar juntos como ser igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, que dialoga, sempre aberta a receber como esta praça de braços abertos, a todos, todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo, de amor.
E se me permitem também uma palavra: [em espanhol] a todos aqueles, de modo particular, à minha querida diocese de Chiclayo no Peru, onde um povo fiel acompanhou o seu bispo, compartilhou a sua fé e deu tanto a mim para seguir sendo igreja fiel de Jesus Cristo.
A todos vós irmãos e irmãs, de Roma, da Itália e do mundo inteiro, queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, que busca sempre a paz, que busca sempre a caridade e busca sempre estar próxima, especialmente daqueles que sofrem.
O dia da súplica à Nossa Senhora de Pompeia, nossa mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima, ajudar-nos com a sua interseção e seu amor. Agora gostaria de rezar junto convosco, rezemos juntos por essa nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo. Peçamos essa graça especial à Maria, nossa mãe.”
Em seguida, o pontífice fez uma oração junto aos fiéis presentes na praça, além de ter dado sua primeira bênção como papa – a Bênção Urbi et Orbi, do latim, “à cidade [de Roma] e ao mundo, a todo o universo”.
A bênção do Papa Leão XIV ao mundo, foi precedida de um pronunciamento que destacou como missão a paz, a solidariedade e o acolhimento. Sua referência ao legado do Papa Francisco anima quem constrói a Igreja junto a um mundo que precisa de paz e de esperança.
Em uma entrevista ao site do Vaticano, Prevost enfatizou sua visão sobre o papel dos bispos: “O bispo é chamado autenticamente para ser humilde, para estar perto das pessoas que ele serve, para caminhar com elas, para sofrer com elas e procurar formas de que ele possa viver melhor a mensagem do Evangelho no meio de sua gente.”
Robert Prevost, o papa Leão XIV
Robert Prevost, nasceu em 14 de setembro de 1955, tem 69 anos, viveu como missionário no Peru de 2014 a 2023, onde foi nomeado bispo de Chiclayo. O papa tem cidadania peruana desde 2015.
Antes de se tornar papa, Prevost disse em entrevista ao Vatican News que ainda se considera um missionário. “Minha vocação, como a de todo cristão, é ser missionário, proclamar o Evangelho onde quer que se esteja.”
Depois da experiência como missionário na América do Sul, Prevost liderou um escritório do Vaticano para nomeações episcopais.
Fotos: Vatican News
