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Francisco Cuoco: ícone da teledramaturgia brasileira, morre aos 91 anos

Bernadete Alves
Morre aos 91 anos Francisco Cuoco, um dos dos maiores galãs da televisão brasileira

Com pesar registro o falecimento do ator Francisco Cuoco, ícone da teledramaturgia brasileira e um dos dos maiores galãs com mais de 60 anos de carreira e trabalhos desde a década de 1960 na Televisão, cinema e teatro. Cuoco faleceu ontem, aos 91 anos, de falência múltipla dos órgãos, segundo comunicado da assessoria do artista. O ator estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Francisco enfrentava problemas de saúde relacionados à idade avançada.

Francisco deixa os filhos Tatiana, Rodrigo e Diogo Cuoco, netos, milhares de fãs, personagens marcantes e um legado significativo na dramaturgia brasileira. Uma perda irreparável.

Francisco Cuoco com os filhos Rodrigo e Diogo

Eu vivenciei o auge das telenovelas, época em que Francisco Cuoco reinava como galã. Na novela “Selva de Pedra”, de Janete Clair, contracenando com Regina Duarte, o “rei das novelas’ viu seu talento reconhecido pelo público conquistando 100% de audiência no capítulo 152, algo inédito até os dias atuais. Assim era Cuoco, conquistava em cada atuação.

Francisco Cuoco foi considerado um dos principais nomes da televisão nacional. O ator ficou conhecido pelos galãs e protagonistas de novelas como Pecado CapitalO AstroSelva de Pedra e O Sétimo Sentido, entre dezenas de outros e, na última década, fazia mais participações

Cuoco nos proporcionou inúmeras alegrias com suas interpretações. Parte deste mundo consagrado pelo talento, carisma e dedicação à arte e cultura. Obrigada pelas alegrias proporcionadas. Seu legado permanecerá vivo em nossos corações. Vai em paz Cuoco. Brilhe agora no firmamento.

Francisco Cuoco: ícone da teledramaturgia brasileira, morre aos 91 anos

O corpo do consagrado ator Francisco Cuoco, que faleceu neste 19 de junho, aos 91 anos, será velado amanhã em São Paulo, em uma cerimônia aberta aos fãs e a família a partir das 7h no Funeral Home, na rua São Carlos do Pinhal, 376, no Bela Vista, em São Paulo.  O enterro ocorrerá às 16h e será fechado para familiares e amigos.

Nascido em 29 de novembro de 1933, filho do vendedor italiano Leopoldo Cuoco e da dona de casa Antonieta, o ator teve uma infância marcada por simplicidade no bairro tradicional de São Paulo, o Brás. Francisco começou a trabalhar como feirante ajudando o pai.

À noite, estudava e tinha planos de se tornar advogado. O interesse pela interpretação veio ainda criança e via circos mambembes se instalarem no terro baldio em frente à casa da família, no bairro do Brás. Encantado pelo que via, o menino fazia pequenas encenações e sonhava com o mundo do cinema. Ali nasceu sua paixão pela arte.

Nos anos 1950, entrou para a Escola de Arte Dramática (EAD), hoje ligada à Universidade de São Paulo (USP), onde ficou por quatro anos.

Francisco Cuoco com Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg e Sergio Brito na peça ‘A Maratona de Éfeso’, em 1957

Sua estreia no teatro ocorreu em 1958, ao lado de Fernanda Montenegro e Sérgio Britto na peça A Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso, em um papel sem falas. Ele entrou para o Teatro Brasileiro de Comédia e no Teatro dos Sete, duas companhias importantes que foram fundamentais para o teatro brasileiro.

No palco, ele fez Werneck, de O Beijo no Asfalto (1961), de Nelson Rodrigues. Premiado em 1964 como melhor ator coadjuvante na peça Boeing-boeing pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Cuoco entrou na televisão no Grande Teatro Tupi, onde peças de prestígio eram apresentadas ao público da extinta TV Tupi.

Francisco Cuoco e Renata Sorrah em ‘Assim na Terra Como no Céu’, em 1970

Nos anos seguintes, começou a fazer teleteatro na TV Tupi. Sua primeira novela foi Marcados Pelo Amor, da TV Record. O primeiro par romântico e papel que o consolidou como galã aconteceu em Legião dos Esquecidos, contracenando com Regina Duarte, na TV Excelsior. Anos depois, eles voltariam a fazer par romântico em Selva de Pedra, em 1972.

Conhecido por seu carisma e voz grave, o ator se destacou por seus papéis como galã em novelas que se tornariam clássicas, como Pecado Capital (1975), em que interpretou o taxista Carlão, além do o charlatão Herculano Quintanilha de O Astro (1977),  Feijão Maravilha (1979), Eu Prometo (1983), O Outro (1987), O Salvador da Pátria (1989). Os papéis de protagonismo foram diminuindo, mas o ator continuou ativo e esteve em Cobras & Lagartos (2008), Passione (2010), O Astro (2011) e Sol Nascente (2016). Seus últimos trabalhos na TV foram participações, como em Salve-se quem Puder (2020) e No Corre (2023).

O Adeus ao consagrado ator Francisco Cuoco

Apesar de ter começado a carreira nos palcos, o trabalho na TV o deixou longe do tablado por longos anos, até voltar ao palco em Três Homens Baixos, de 2004. Nos anos seguintes, emendou várias peças, como Circuncisão em Nova York (2008), Deus é Química (2009) e Uma Vida no Teatro (2013).

No cinema, que era seu sonho quando ainda era feirante, Cuoco atuou menos. Esteve em Grande Sertão (1968), Traição (1998) e Gêmeas (1999), e trabalhou com Renato Aragão em Um Anjo Trapalhão (2000) e Didi – O Caçador de Tesouros (2006). Em 2005 fez Cafundó ao lado de Lázaro Ramos e em 2015 encerrou os trabalhos no teatro com Real Beleza (2015).

Luto na dramaturgia: morre o ator Francisco Cuoco, um dos principais nomes da televisão nacional

Na pandemia, Cuoco ficou recluso, e ainda em 2020 foi diagnosticado com depressão, um quadro comum a muitos idosos que se encontraram confinados por meses. Ao apresentador Pedro Bial contou que os filhos Tatiana, Rodrigo e Diogo o ajudaram a superar o momento. “Devagarinho, com ajuda dos filhos, eu fui me recuperando. Acho que hoje em dia estou bem melhor”, afirmou no Conversa com Bial, em 2021. Ali também contou que gostaria de volta às telas. “Acho que ainda tenho o vigor para isso”, disse ele, que em chorou ao chegar para gravar No Corre. Cuoco enfrentou vários problemas de saúde e um sobrepeso de 130 kg. Ele enfrentava problemas de locomoção e respiratórios.

Fora das câmeras, o eterno galã Francisco Cuoco (1933-2025) assumiu poucos relacionamentos amorosos ao longo da vida. O primeiro deles foi o casamento com a atriz Carminha Brandão (1921-2011) entre 1960 e 1964, 12 anos mais velha que ele. Nesse tempo, o casal chegou a trabalhar na mesma novela, como em A morta sem espelho (1963) e Marcados pelo amor (1964), ambas as tramas exibidas pela Record.

Pouco depois, viveu sua união mais duradoura, com Gina Rodrigues, com quem foi casado por quase 20 anos e teve filhos: Tatiana, Rodrigo e Diogo.

Nos anos 90 e 2000, Francisco teve alguns relacionamentos, como as jovens Luciana Lago e Marcela Penteado, que sempre o acompanhava em eventos. Em 2013, Francisco Cuoco assumiu um namoro com a estilista Thaís Almeida, na época ela tinha 27 anos e o ator 80.

Fotos: TV GLOBO/João Miguel Júnior e Reprodução/Instagram Francisco Cuoco

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