
O repórter e colunista do Correio Braziliense, Irlam da Rocha Lima, comemora 50 anos de jornalismo com o lançamento do livro ” Artes em festa — 50 anos de reportagem cultural”. Com ilustrações de Kleber Sales e edição de Maria Clara Arreguy Maia, o livro reúne os artigos mais significativos da sua brilhante trajetória profissional.
Irlam Rocha é um ícone do jornalismo em Brasília. Ele deu voz e espaço aos novos talentos que depois viraram sucesso nacional. O cenário musical deve muito a ele.
O lançamento ocorreu noite de segunda-feira no histórico Bar Beirute, na comercial da 109 da Asa Sul. O escritor recebeu profissionais da imprensa, colegas de jornada, amigos, artistas, familiares e admiradores do seu trabalho que reúne 50 artigos escritos para a coluna de Opinião que representam sua trajetória no Correio Braziliense.
Irlam foi celebrado por Ana Dubeax, Sérgio Maggio, Liana Sabo, Deputada Erika Kokay, Clara Arreguy, Kleber Sales, Eliane Rocha, dentre outras importantes presenças. “Meu primeiro livro, lancei no Clube do Choro, e dessa vez escolhi o Beirute, já que são dois lugares que a cultura respira”, disse o colunista que estava feliz com a repercussão do seu trabalho.
“Estou muito feliz. Estou vivendo um momento de muita alegria e satisfação ao comemorar 50 anos de jornalismo na área de cultura, sempre no meu querido Correio Braziliense”, disse Irlam.
O baiano de Barreiras chegou em Brasília nos anos 1970 para cursar jornalismo na Universidade de Brasília. Na época a UnB foi invadida pelo regime militar e Irlam encontrou na cultura a forma de fazer a voz ecoar. Em 1975, ele ingressou no Correio, onde passou a cobrir esportes, mas não por muito tempo, até descobrir a verdadeira vocação no jornalismo cultural.
Irlam mostrou a Brasília uma nova forma de fazer jornalismo sobre música. Ele passou a fazer coberturas in loco, encontrar os artistas e narrar a emoção das apresentações ao público. “É algo que sempre falo aos mais jovens: é preciso ir aos espetáculos”, conta o respeitado repórter. O primeiro show, e um dos mais marcantes, foi do cantor Gilberto Gil, que em 1975 apresentou em Brasília a turnê do álbum Refazenda.
Ao longo desses 50 anos, artistas emblemáticos de Brasília e do mundo compartilharam histórias com o escritor. Entre eles, Rita Lee, Cássia Eller, Elis Regina, Oswaldo Montenegro, Rosa Passos e Hamilton de Holanda, além de um Renato Russo em início de carreira que chegou ao prédio do Correio para a primeira entrevista.
Com Elis Regina, Irlam conheceu um pouco mais sobre a trajetória da cantora em meio ao regime ditatorial no Brasil. “Falaram que ela teria que cantar em um evento militar, ela negou, mas eles disseram ‘você quer ir ou ser levada?’”, relata. Depois do show, a cantora foi criticada por opositores da ditadura, como o cartunista Henfil. A reviravolta aconteceu após a histórica composição O bêbado e o equilibrista, em que a cantora cita Herbert José de Sousa, Betinho, irmão de Henfil exilado na época. “Ele se emocionou, são muitas histórias”, relembra Irlam.
Curioso, Irlam gosta de ver tudo de perto para depois compartilhar com seus leitores. O jornalista do Correio Braziliense esteve também no Rock in Rio de 1985 e ficou feliz em acompanhar Cazuza cantando Pro dia nascer feliz e todos comemorando o fim da ditadura. No carnaval de Salvador (BA) e Festival de Parintins (AM), se aventurou pelas expressões artísticas.
Irlam sempre cobriu todos os grandes shows que vieram para Brasília. Foi o primeiro jornalista a escrever sobre os artistas que deixaram a capital para brilhar nacionalmente como: Renato Russo, Dinho Ouro Preto, Cássia Eller, Zélia Duncan, Rosa Passos e Hamilton de Holanda.
Irlam, um dos maiores expoentes do jornalismo cultural do país, será celebrado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal como Cidadão Honorário de Brasília na manhã do dia 26 de junho. A noite é a vez do Clube do Choro homenagear um de seus fundadores. Homenagens justas com quem contribui muito com a história cultural da capital do país.
Fotos: Reprodução/Redes Sociais
