
É com pesar que registro o falecimento da cantora Preta Maria Gadelha Gil Moreira, filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, aos 50 anos, em Nova York. Ela lidava com complicações de um câncer de intestino e fazia um tratamento experimental contra a doença nos EUA.
O Brasil se despede de Preta Gil, uma artista que iluminou milhares de vidas com sua alegria contagiante e irreverência. Uma mulher que quebrou padrões e lutou contra o preconceito, sempre com coragem, cabeça erguida e autenticidade.
Ela parte precocemente deixando sua voz, seu brilho, sua marca profunda de coragem, amor e resistência. Não se calou, foi escudo e flecha e despertou milhares de vozes. Uma história marcada por uma artista completa uma mulher brasileira potente, que semeou amor e autenticidade.
Tornou pública sua jornada contra o câncer para alertar milhões de pessoas sobre a doença, mesmo nos momentos de maior sofrimento foi voz ativa, foi afeto, foi luta. Foi dona de si e com uma vontade imensa de viver. Meus profundos sentimentos a toda família Gil, aos amigos e milhares de fãs. Neste momento de profunda dor, que o Poderoso Senhor Deus do Universo dê forças a todos.
Descanse em paz rainha, a voz potente em defesa da liberdade e do amor. Com coragem e autenticidade, você enfrentou preconceitos, quebrou barreiras e abriu caminhos para que tantas outras pessoas pudessem se expressar sem medo. Você nos ensinou a viver de peito aberto, com sorriso nos lábios, mesmo diante das tempestades. Cantou a vida, criou, atuou, produziu e iluminou com alma inteira e empatia.
Sua representatividade vai fazer falta, mas seu legado seguirá vivo e continuará a nos inspirar. Agora seu caminho é seguir a luz pelas novas estradas do universo.
Seguiremos ouvindo sua música, lembrando de sua alegria e celebrando a mulher inspiradora que ela foi. Guardaremos em nossos corações o seu talento, a generosidade e a alegria contagiante. Que Preta suba as escadas do céu com a mesma força, luz e dignidade com que caminhou por esta vida.
Preta Gil: paixão pela vida e pela música
Com canções que transitam entre o pop, o samba e o axé, repertório de Preta Gil celebra a autoestima, a alegria e o empoderamento. Dentre os principais sucessos: “Sinais de Fogo” tornou-se um hino da cantora. A faixa fala sobre paixões intensas e entrega emocional, temas muito presentes na obra de Preta. A composição foi um presente de Ana Carolina especialmente para a amiga.
“Meu Xodó” marca a volta de Preta Gil ao estúdio após um hiato na carreira, trazendo como destaque a participação de seu filho Francisco Gil. A música celebra laços familiares, afetos e os momentos de carinho e cumplicidade, refletindo uma fase um pouco mais intimista.
“Decote”, com forte pegada pop, ganhou ainda mais notoriedade na voz de Preta ao contar com a participação de Pabllo Vittar. A canção é vibrante, cheia de atitude e empoderamento feminino, sendo um exemplo do espírito livre e festivo presente nos blocos de carnaval liderados por Preta.
“Que isso neguinho?”, música obrigatória no repertório do Bloco da Preta, sintetiza a irreverência da artista. Com ritmo dançante e letras divertidas, canções de Preta como essa conquistam multidões sobretudo no carnaval.
“Stereo” representa a mistura de influências da artista e sua relação com o universo pop e festivo. A música embala multidões em apresentações e já figurou nos setlists de destaque de Preta Gil. O arranjo tem influência da música pop dançante, funcionando em apresentações ao vivo e ou nas pistas de baladas.
A última grande apresentação musical de Preta Gil foi ao lado do pai, com uma participação no show Tempo Rei no dia 26 de abril deste ano, no Allianz Parque, em São Paulo. Gilberto Gil e a filha, juntos e emocionados, cantaram “Drão”. A música foi composta pelo cantor para a mãe de Preta, Sandra Gadelha, que estava presente no show e também se emocionou.
Preta deixou a carreira de produtora e publicitária e decidiu pela carreira de cantora aos 29 anos, quando lançou seu primeiro álbum. “Prêt-à Porter” traz o hit “Sinais de Fogo”, uma composição de Ana Carolina feita especialmente para amiga Preta. Além disso, o disco recebeu críticas por ter a cantora nua na capa.
O segundo álbum de Preta Gil, intitulado “Preta”, foi lançado em setembro de 2005 e tinha as músicas “Muito Perigoso” e “Eu e você, você e eu”. Em 2010, a cantora lançou seu terceiro álbum, o “Noite Preta”, festa com que percorreu o Brasil inteiro por 7 anos.
Após o sucesso da turnê, Preta criou o show “Baile da Preta”, com um repertório diverso. “O Baile da Preta retrata a minha personalidade musical, meu ecletismo, meu gosto e meu respeito pela MPB, que para mim, abrange desde Caetano Veloso e Gilberto Gil até Aviões do Forró e Psirico”, explica a cantora em seu site oficial.
No mesmo ano, Preta estreou o programa de televisão “Vai e vem”. Tendo um elevador como cenário, Petra recebia convidados para falar sobre sexo. “Queria que fosse um programa sem vulgaridade, com inteligência, com humor”, contou Preta em entrevista a Jô Soares.
Em 2012, Preta lançou “Sou como Sou”, pela gravadora DGE Entertainment, com músicas “Mulher Carioca” e “Relax”.
Para celebrar seus dez anos de carreira, Preta Gil gravou o DVD “Bloco da Preta”. Com mix de ritmos brasileiros que ia do pop ao sertanejo, passando pelo funk, axé, pagode e samba, Preta cantou acompanhada dos ritmistas da bateria “Black Power”, além de ter participações de Lulu Santos, Ivete Sangalo, Anitta, Israel Novaes e Thiaguinho.
Preta também foi a responsável por criar um dos maiores blocos da história do carnaval carioca. Em 2010, o “Bloco da Preta” desfilou pela primeira vez e, em 2017, ela conseguiu “arrastar” mais de 500 mil foliões pelas ruas do Centro do Rio com uma homenagem a Chacrinha.
“É o momento ápice do meu ano. Trabalho o ano inteiro, faço mil atividades, mas o meu grande ‘xodó’ é o Bloco da Preta. Nele eu deposito muito da minha energia. O ano inteiro de planejamento, reuniões. É um momento muito especial, onde eu fico muito grata a Deus, aos meus fãs”, disse durante entrevista.
Em 2017, Preta lançou o sexto e último álbum, distribuído apenas em versão digital. “Todas as Cores” tem participação de Pabllo Vittar, Marília Mendonça e Gal Costa, além de incluir a canção “Botando a fila para andar”, composição de Ana Carolina.
Em 2021, a cantora gravou a música “Meu Xodó” em parceria com o filho, Francisco. Na época, a cantora afirmou que a faixa foi a mola que a tirou do fundo do poço. “Se não fosse o Fran, eu talvez tivesse perdido a minha voz mesmo, porque sou intérprete, não sei tocar instrumento. Ele foi me estimulando o tempo inteiro a não entrar nessa bad total”.
Durante a carreira, Preta também fez algumas participações em novelas e séries de TV, como “As Cariocas”, “Ó Paí, Ó” e “Vai que Cola”.
Além disso, também investiu como empresária, sendo uma das sócias da agência Mynd. Entre os clientes, estavam Luísa Sonza, Pabllo Vittar, Camilla de Lucas e mais alguma dezenas de artistas e influenciadores.
Vida pessoal
Preta se casou com o ator Otávio Müller em 1994. Juntos, tiveram Francisco Gil, único filho da cantora. Franciso é pai de Sol de Maria, única neta de Preta. A cantora se separou de Otávio em 1995. Em 2009, Preta se casou com o mergulhador Carlos Henrique Lima. Os dois ficaram juntos até 2013.
No mesmo ano, ela começou a namorar Rodrigo Godoy. Os dois se casaram dois anos depois e ficaram juntos até 2023. O término aconteceu durante o tratamento de Preta contra o câncer.
Desde janeiro de 2023, Preta tratava um câncer no intestino. Após o tratamento inicial no Brasil com quimioterapia e radioterapia, e uma cirurgia para remoção de tumores em agosto de 2024, a doença retornou em outras regiões do corpo, levando à retomada de intervenções médicas.
Fotos: Reprodução/Redes Sociais e TECA LAMBOGLIA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
