
Brasília sedia a 5ª Conferência Global de Clima e Saúde, evento preparatório da COP30, que busca discutir formas de colocar a saúde como eixo central da ação climática. Com três dias de duração, a Conferência Global de Clima e Saúde foca em três frentes: monitoramento e vigilância sanitária, estratégias políticas baseadas em evidências e capacitação, além de inovação e produção no setor.
A abertura foi feita pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha que defendeu “mobilização para transformação”. “Precisamos realizar um verdadeiro mutirão. Esse esforço coletivo é essencial, pois nenhuma pessoa ou país sozinho consegue promover as transformações necessárias. Por isso, a mobilização de toda a sociedade e de todas as nações é fundamental para coordenar e liderar esse mutirão”.
O ministro atribuiu o aumento do sarampo nos Estados Unidos a políticas do presidente Donald Trump. Segundo Padilha, o mundo enfrenta surtos da doença como consequência do desmonte de sistemas públicos de saúde e da disseminação de discursos antivacina.
O surto de sarampo nos EUA teve início no fim de janeiro, em uma área rural do Texas onde vive uma comunidade ultraconservadora e com baixa cobertura vacinal. Até maio, foram registrados 1.024 casos em 31 estados, além de três mortes. A doença havia sido considerada eliminada do território norte-americano há mais de 25 anos. Este já é o surto mais letal desde então.
“Vivemos um desafio porque, infelizmente, políticas negacionistas, que buscam desmontar os sistemas nacionais públicos de saúde, fazem com que a gente viva hoje no mundo, sobretudo no hemisfério norte, grande surto de casos de sarampo — afirmou. — (Surto causado por) políticas antivacinas, por posturas do atual presidente dos Estados Unidos, que se acha chefe do mundo. Ele foi eleito para ser chefe dos Estados Unidos e não chefe do mundo”, declarou Alexandre Padilha.
A Conferência Global sobre Clima e Saúde é organizada pelo governo brasileiro em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Aliança para Ação Transformadora sobre Clima e Saúde (Atach).
Nesta edição, o evento também sedia o encontro anual presencial da ATACH, reunindo representantes de governos, agências internacionais, sociedade civil e especialistas em saúde e clima. O evento é realizado com apoio Fundação Rockefeller, Gates e Wellcome Trust.
Durante o evento, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, lembrou que a entidade tem trabalhado junto aos Estados-membros, em nível nacional e subnacional, para desenvolver planos de adaptação da saúde às mudanças climáticas e estudos de viabilidade para investimentos.
“A Opas está pronta para implementar as políticas mencionadas e o Plano de Ação de Saúde de Belém”, disse. “Seguiremos comprometidos para avançar juntos e explorar situações inovadoras para desafios comuns”, completou Jarbas.
A programação inclui sessões plenárias, painéis, oficinas e rodas de conversa com foco na troca de experiências e na apresentação de soluções inovadoras. As discussões, vão contribuir diretamente para a consolidação do plano de adaptação levado à COP30.
Para a CEO da COP30, Ana Toni, o momento é de consolidar estratégias e construir propostas claras sobre o que deve ser feito. “Sabemos das tragédias e dos riscos, mas queremos que a COP 30 seja também um espaço para soluções e oportunidades — mostrando como saúde e clima podem caminhar juntos”.
A COP30 será realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA), marcando a primeira vez que a conferência acontece na Amazônia – região estratégica para a resiliência climática e a adaptação do setor saúde.
Além do Plano de Ação em Saúde de Belém, o Brasil trabalha na implementação do AdaptaSUS, plano nacional de adaptação à mudança do clima no setor saúde, e do Plano + Saúde para a Amazônia, que também será apresentado na COP 30, com objetivo de promover a equidade, reduzir desigualdades regionais e fomentar tecnologias sustentáveis, respeitando as especificidades socioculturais e ambientais dos estados da Amazônia Legal.
Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil e Walterson Rosa/MS
