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Festival Curicaca reúne lideranças femininas para discutir políticas climáticas, inovação e inclusão na COP30

Bernadete Alves
Festival Curicaca reúne lideranças femininas para discutir políticas climáticas, inovação e inclusão na COP30

O Festival Curicaca, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), presidida por Ricardo Cappelli, na Arena BRB, em Brasília, reuniu importantes lideranças femininas para discutir políticas climáticas, inovação e inclusão na COP30.

A programação especial da “Bancada Feminina na COP30”, teve como objetivo fortalecer a agenda climática, promover a sustentabilidade e ampliar a participação política das mulheres, reunindo parlamentares, lideranças do governo, setor privado e sociedade civil.

A Bancada Feminina na COP 30 reúne mais de 50 mulheres convidadas pela iniciativa Quero Você Eleita, que atuam como embaixadoras do projeto. O objetivo é ampliar o diálogo com brasileiras de todas as regiões, incentivando a participação feminina nas discussões sobre crescimento sustentável e transição energética.

Lideranças políticas, gestoras públicas, parlamentares e representantes de movimentos de mulheres, debatem o protagonismo feminino na agenda climática e na construção de um futuro sustentável e igualitário.

A abertura institucional, contou com a presença das coordenadoras da bancada no Congresso Nacional: a senadora Leila Barros (PDT) e a deputada Jack Rocha (PT-ES). A organização do encontro ficou a cargo da advogada Gabriela Rollemberg (Quero Você Eleita) e Ana Carolina Araújo (Instituto AzMina).

Gabriela Rollemberg do Quero Você Eleita, promove encontro da Bancada Feminina na COP30 no Festival Curicaca

Durante o encontro, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a importância de fortalecer a participação das mulheres nas decisões políticas e ambientais do país e saudou a iniciativa de elaboração da Carta das Mulheres para a COP 30, documento coletivo que expressará as reivindicações e compromissos das mulheres brasileiras diante da crise climática. 

A construção da carta é coordenada pelo Grupo Mulheres do Brasil, em parceria com as organizações Quero Você Eleita, AzMina, Elas Pedem Vista e Elas no Poder. O documento será apresentado oficialmente durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em novembro, em Belém (PA). 

Márcia Lopes ressaltou que a luta das mulheres por representatividade deve se traduzir em poder de decisão, especialmente diante dos desafios políticos e ambientais. “A violência política de gênero é muito pesada. No próximo ano, nas eleições, nós não podemos votar em nenhum homem que agrida as mulheres, nem em nenhuma mulher que também não trate da questão da mulher com centralidade. Somos 110 milhões de mulheres neste país, nas mais diferentes diversidades — negras, quilombolas, indígenas, ciganas, com deficiência, idosas, empresárias, professoras. Dar voz a todas é fundamental”.

A ministra lembrou que o Ministério das Mulheres está elaborando o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que será construído de forma participativa a partir das deliberações da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada em setembro, em Brasília.

Márcia Lopes, ministra das Mulheres, destaca a importância de fortalecer a participação das mulheres nas decisões políticas e ambientais do país

Márcia Lopes destacou ainda o papel das mulheres na transição ecológica justa e na prevenção de desastres ambientais, reforçando que as desigualdades de gênero agravam os impactos da crise climática. “A relação entre gênero e clima tem uma simbiose muito forte. As mulheres podem e devem se envolver nas iniciativas de prevenção, orientação e gestão territorial. Estamos preparando uma solução para o mundo: um protocolo de enfrentamento às emergências e desastres, porque sabemos que, em situações de crise ambiental, quem mais sofre são as mulheres”.

Ao encerrar sua participação, Márcia Lopes reafirmou o compromisso do governo federal com o enfrentamento à violência e a promoção da autonomia das mulheres. “Nenhuma violência contra a mulher. Não deixem chegar ao fim da linha. Ligue 180. Tudo o que queremos é alcançar a igualdade de gênero e assegurar o protagonismo das mulheres. Queremos uma sociedade em que as mulheres se sintam livres, respeitadas e valorizadas, colocando todo o seu potencial a serviço da vida e da democracia”.

A programação se desenvolveu em torno de quatro eixos temáticos principais:

Além da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; também participaram da programação a secretária de Economia Verde do MDIC, Júlia Cruz; e a diretora nacional do SEBRAE, Margarete Coelho, além de outras lideranças femininas.

A diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida, mediou o painel “Que pontes existem entre mulheres progressistas e conservadoras”, que contou com a participação da deputada Soraya Santos (PL-RJ) e da presidente da Comissão Nacional de Relações Institucionais da OAB, Maria Cláudia.

“Esse é um espaço importante no Festival Curicaca que mostra a força das lideranças femininas, integrando discussões como sustentabilidade, economia verde e inovação, tudo em um só lugar”, afirmou Perpétua Almeida.

Denise Rothenburg, do Correio Braziliense, na programação da Bancada Feminina na COP30 no Festival Curicaca

A programação da “Bancada Feminina na COP30” segue nesta quarta-feira, 8 de outubro, com o painel Eixo 1: Biomas e Territórios que ocorreu com a mediação da jornalista Denise Rothenburg, do Correio Braziliense. Reconhecida por sua trajetória na cobertura política, Denise conduziu a conversa que reúne parlamentares de diferentes biomas do país, promovendo uma troca plural sobre desafios regionais e políticas sustentáveis.

“Esse é um tema que precisa da participação feminina, porque em muitos lares são as mulheres que fazem a separação do lixo”, afirmou Denise, ressaltando que o olhar das mulheres contribui para ampliar a percepção sobre preservação e desenvolvimento sustentável.

O painel contou com parlamentares de diferentes biomas — Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas, Pantanal e Caatinga — que defenderam a criação de leis específicas para cada ecossistema. Segundo elas, o debate ambiental costuma concentrar financiamentos e atenção na Amazônia e na Mata Atlântica, enquanto outros biomas acabam esquecidos.

Festival Curicaca em Brasília reúne lideranças femininas para discutir políticas climáticas, inovação e inclusão na COP30

“É muito importante a participação feminina nessas questões, ter um olhar diferente”, reforçou Denise. “Nós temos dois símbolos fortes nessa área ambiental, Marina Silva, ministra, e Izabella Teixeira, consultora da ONU e do IBRAM, mas a participação não deve se restringir a essas duas pessoas. É preciso que mais mulheres se engajem.”

Participaram da mesa a deputada federal Gisela Simona (União Brasil), a deputada estadual Marina Helou (REDE-SP, Mata Atlântica), a vereadora Aava Santiago (PSDB-GO, Cerrado), a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS, Pampas), a senadora Jussara Lima (PSD-PI, Caatinga) e a deputada Aline Gurgel (REP-AP, Amazônia).

Gabriela Rollemberg, Ricardo Cappelli e Leila Barros, durante encontro da Bancada Feminina na COP30 no Festival Curicaca

O seminário integra o processo de elaboração de uma carta que será apresentada durante a COP 30, prevista para 10 de novembro deste ano, em Belém. O documento reunirá as principais sugestões e propostas discutidas nos painéis da Bancada Feminina, reforçando o protagonismo das mulheres nas pautas de sustentabilidade e inovação política.

O evento reúne lideranças políticas, sociais e ambientais para discutir inovação, sustentabilidade e participação feminina na política brasileira, em um momento em que o país se prepara para sediar a COP 30, em novembro deste ano. 

Fotos: Divulgação ABDI e Myke Sena

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