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Gisèle Santoro: a mestra da dança e expoente das artes em Brasília, morre aos 86 anos

Bernadete Alves
Gisèle Santoro: expoente das artes em Brasília

Com pesar registramos o falecimento da bailarina, professora e coreógrafa, Gisèle Loïse Portinho Serzedello Corrêa, precursora da arte em Brasília, aos 86 anos. Gisèle faleceu na quinta após uma parada cardíaca. A artista estava internada no Hospital Santa Helena, na Asa Norte, desde a última segunda (6) e enfrentava problemas no coração.

O corpo da viúva do maestro e arranjador Claudio Santoro, falecido em 1989, será velado neste sábado a partir das 11 horas no Teatro Nacional. O sepultamento está previsto para as 16h no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.

Gisèle Santoro: a coreógrafa e mestra da dança em Brasília, morre aos 86 anos

Em janeiro deste ano, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) homenageou os 70 anos de carreira de Gisèle com uma mostra comemorativa. A precursora da dança em Brasília, Gisèle foi a bailarina que dançou em cima do Congresso Nacional no dia da inauguração da capital em 1960.

A Cidadã Honorária de Brasília, nasceu no Rio de Janeiro e se formou na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, hoje chamada de Escola Maria Olenewa, aos 19 anos de idade. 

A coreógrafa chegou a Brasília em 1962, à convite da russa Eugenia Feodorova, criadora da Fundação Brasileira de Ballet. Aqui, conheceu Cláudio Santoro, maestro encarregado de tocar o Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB) e também de criar uma vida cultural na cidade, com quem viria a se casar ainda nos anos 1960. 

À época, Gisèle dançava as músicas do maestro durante suas apresentações. Juntos, o casal buscou engajar a arte da cidade e participaram de missões internacionais pelo Itamaraty em busca de doações de instrumentos e partituras para o recém fundado Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB).

Gisèle e Cláudio Santoro tiveram três filhos, que também seguiram os caminhos das artes, da música e da dança, com inspiração dos pais.

Gisèle Loïse Portinho Serzedello Corrêa: a primeira bailarina de Brasília

Em 1966, o casal voltou ao Rio de Janeiro após militares invadirem o apartamento onde viviam na capital. Na sequência, já com dois filhos, o casal parte para o exílio. Depois de passarem pela Berlim Ocidental e Paris, ambos se alocam na Alemanha, em 1970. Lá, a coreógrafa passa sete anos no Teatro Municipal de Heidelberg, e funda uma escola de dança.

Gisèle Santoro: a coreógrafa precursora da arte em Brasília, morre aos 86 anos

Gisèle só voltaria ao Brasil em 1978, quando recebeu o convite para inaugurar o Teatro Nacional em Brasília e ajudar a estabelecer a orquestra, coro e outros departamentos da instituição junto ao marido.

Morre aos 86 anos a coreógrafa e professora, Gisèle Santoro, viúva do Maestro Claudio Santoro

Gisèle fundou o Seminário Internacional de Dança em Brasília, o que ela já chamou como “um dos maiores prazeres que Brasília a deu”. Ela também fundou as academias Ballet de Câmara Gisèle Santoro e Ballet de Brasília, onde lecionou por anos.

Fotos: Ana Rayssa e Reprodução

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