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Nossa Senhora Aparecida: mãe intercessora e protetora em momentos de dificuldade

Bernadete Alves
Virgem Maria da Conceição Aparecida: mãe intercessora e protetora em momentos de dificuldade

Celebramos neste 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e de Brasília, mãe intercessora e protetora dos brasileiros, especialmente dos mais necessitados, representando esperança e consolo em momentos de dificuldade.

A Bem-Aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida é aquela que acolhe, protege e intercede por todos os seus filhos com seu manto sagrado.

O dia 12 de outubro, comercialmente, é conhecido como o “Dia das Crianças”. Mas a data carrega um forte simbolismo religioso no Brasil. É neste dia que acontece a celebração de Nossa Senhora Aparecida, onde milhares de fiéis em “romarias”, caminham a pé de suas cidades até o Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.

O Santuário Nacional de Aparecida,  maior templo católico do Brasil e segundo maior do mundo – atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano -, se tornou um dos maiores centros de peregrinação católica do mundo. Milhões de fiéis visitam anualmente o Santuário, em busca de fé, esperança e graças espirituais.

Basílica de Nossa Senhora Aparecida

Nossa Senhora Aparecida, venerada por sua imagem encontrada milagrosamente no rio Paraíba do Sul em 1717, foi proclamada padroeira oficial do Brasil em 1930 pelo Papa Pio XI em reconhecimento à profunda fé do povo brasileiro. A devoção à santa é um símbolo de fé, proteção e esperança para milhões de brasileiros.

Altar de Nossa Senhora na Basílica Nacional em Aparecida

O 12 de outubro, marca a data em que a imagem de Aparecida foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul e foi transformado em feriado nacional pela Lei n. 6.802/1980, oficializada em 1980. Antes disso, em 1953, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já havia fixado a data como o dia de Virgem Maria, justamente por ser o “aniversário” de descobrimento da imagem.

A intercessão de Maria fez parte da implantação da Arquidiocese no Distrito Federal pelo Papa São João XXIII, através da bula Quandoquidem Nullum, em janeiro de 1960. “Pôr-se-á a Cátedra Episcopal no templo de Nossa Senhora Aparecida, isenta de toda a mancha do pecado, templo a ser proximamente dedicado à mesma Virgem, e que elevamos dignidade de igreja arquiepiscopal com todos os direitos, honras e privilégios que a tais templos o direito comum outorga”, diz parte do documento.

Em 10 de junho de 1962, quando a Igreja celebrava a Festa de Pentecostes, a Mãe Aparecida e São João Bosco foram oficialmente declarados como padroeira e co-padroeiro de Brasília, respectivamente. A celebração foi presidida pelo Arcebispo Dom José Newton Baptista, e contou com a presença do então presidente da República Juscelino Kubitschek, autoridades eclesiásticas, políticas e o povo da recente capital do país.

Na ocasião a imagem original de Nossa Senhora Aparecida saiu do Santuário Nacional com destino a nova Catedral de Brasília, que ainda estava em construção. Ela foi trazida pelo Cardeal Carlos Carmelo Mota, na época Arcebispo de São Paulo.

O Cardeal Paulo Cezar Costa – Arcebispo Metropolitano de Brasília, nesta data tão especial, nos convida a relembrar o dia 12 de outubro do ano 1717, quando a imagem foi pescada no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo.

Imagem no Santuário retrata o momento em que pescadores encontram imagem de Nossa Senhora Aparecida

A labuta de três pescadores procurando peixes no Rio Paraíba… Não conseguem apanhar nada; de repente, vem o inesperado: pescam o corpo da imagem de cerâmica de Aparecida e, depois, a sua cabeça. A seguir, conseguem apanhar os peixes que necessitavam. Podemos dizer que, através da pesca, Deus dá um primeiro sinal do sentido dessa imagem. Aqueles pobres pescadores uniram a cabeça ao corpo, restauraram a imagem. Passaram a venerá-la e os sinais começaram a acontecer. Se o grande sinal que precedeu o encontro da imagem foi a pesca milagrosa dos peixes de que necessitavam, outros sinais começaram a acontecer, fruto da veneração à imagem, fruto do amor do povo simples que percebia que algo especial estava acontecendo: era a presença materna da mãe de Deus e nossa mãe.

O Povo Brasileiro, hoje, pode viver daquele evento em que a Mãe de Deus nos visitou e deixou a sua presença materna impregnando a nossa história. São João Paulo II nos explica o mistério da maternidade de Maria e como a sua missão aponta para uma Igreja Evangelizadora: “Ao confessar-se ‘serva do Senhor’ (cf. Lc 1,38) e ao pronunciar o seu ‘sim’, acolhendo ‘em seu coração e em seu seio’ (cf. S. Agostinho, De Virginitate, 6: PL 40,399) o mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da Salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.

Nossa Senhora Aparecida: mãe intercessora e protetora em momentos de dificuldade

Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: ‘A função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia… e de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece (Lumen Gentium, 60). Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e ação dessa mesma Igreja.

Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para Aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis (cf. ibidem, 65), pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a ‘Estrela da Evangelização’, como lhe chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho” (Šão João Paulo II, homilia de 4 de julho de 1980, em Aparecida).

Desse modo, o mistério de Aparecida continua a nos iluminar hoje nas nossas dores, alegrias e esperanças e a indicar o caminho da Evangelização como caminho da Igreja. Porque o anúncio do Evangelho deve ser a “tarefa primária da Igreja”, e a causa missionária, a primeira de todas as causas. Que a Mãe de Jesus e Nossa mãe nos ajude neste caminho.

Fotos: Arquivo Pessoal e Reprodução

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