Ícone do site Bernadete Alves

Dia da professora e do professor: mestres que inspiram e transformam vidas com sabedoria e amor

Bernadete Alves
Dia da professora e do professor: mestres que ensinam, inspiram e transformam vidas

Celebramos neste 15 de outubro o Dia da professora e do professor: mestres que ensinam, inspiram e transformam vidas. A profissão que forma todas as demais e que constrói as bases de um futuro futuro transformador para o nosso país com sabedoria e amor.

Nossas homenagens, respeito e gratidão a todos os mestres que inspiram, transformam e contribuem para o fortalecimento do conhecimento, da justiça e da cidadania. Plantam ideias em terrenos desconhecidos, regam curiosidades podam medos e colhem inúmeras descobertas.

Eles formam uma nação e fazem a diferença a milhões de crianças e jovens. Por isso são fundamentais para o futuro de todas as pessoas e, por consequência para toda a nação. Um futuro mais justo sempre passa por uma sala de aula. A Constituição ( artigo 205) define a educação como um direito de todas as pessoas, essencial para à cidadania. As professoras e professores são profissionais que tornam esse direito uma realidade.

Dia da professora e do professor: mestres que ensinam, inspiram e transformam vidas

Os professores são tão importantes que mesmo quando não são lembrados, suas obras permanecem em cada vida que conseguiu seguir adiante. Reconhecer o seu valor exige mais que aplausos e homenagens: exige remuneração justa, condições de trabalho dignas e respeito concreto.

Quem forma todas as outras profissões não pode continuar sendo tratado como se sua missão fosse um favor. Representa um fio invisível que costura o tecido de uma sociedade justa e lúcida. São eles que ascendem a consciência e despertam o pensamento crítico e que mantém viva a própria democracia.

Dia da professora e do professor: mestres que ensinam, inspiram e transformam vidas

A data nasceu da iniciativa de um professor da rede pública paulista e ganhou força com a ação de Antonieta de Barros, primeira deputada negra do país.

O Dia dos Professores, comemorado em 15 de outubro, é hoje uma das datas mais simbólicas do calendário nacional. Mais do que uma homenagem, ela carrega a história da própria educação brasileira, uma história que começa no Império, ganha força com o idealismo de professores no pós-guerra e se consolida graças à atuação de dois personagens fundamentais: Salomão Becker, o educador que idealizou a comemoração, e Antorieta de Barros, a pioneira negra da política e da educação foi a autora da primeira lei no país que instituiu a celebração.

Antonieta de Barros: pioneira negra da política e da educação autora da primeira lei no país que instituiu a celebração dos professores

O ponto de partida está em 15 de outubro de 1827, quando o imperador Dom Pedro I assinou um decreto que criou o ensino elementar no Brasil. O texto determinava que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”, regulando o conteúdo ensinado (leitura, escrita, aritmética e princípios morais) e fixando regras para a contratação e pagamento dos professores.

Foi o primeiro passo institucional do Estado brasileiro na educação. Por isso, a data ficou registrada como um símbolo da fundação do ensino público no país, ainda que, na prática, a rede escolar demorasse décadas a se consolidar. Mais de um século depois, esse decreto inspiraria os educadores que escolheram o 15 de outubro como dia de celebração da docência.

Mais do que uma efeméride, o Dia do Professor expressa um reconhecimento histórico e político. É o resultado do gesto criativo de um educador idealista e da ação corajosa de uma mulher negra que abriu caminho num ambiente dominado por homens brancos. Salomão Becker transformou a valorização do professor em prática cotidiana, propondo um momento de reflexão dentro da escola. Antonieta de Barros levou essa ideia ao poder público, convertendo o reconhecimento em lei.

Antonieta de Barros, primeira deputada negra do Brasil, foi a autora do projeto de lei que instituiu o Dia do Professor em Santa Catarina, com governador José Boabaid

Celebrar o Dia dos Mestres é, portanto, revisitar a origem da educação no Brasil e renovar o compromisso de valorizar quem dedica a vida a ensinar. É lembrar que sem professores não há cidadania, ciência nem democracia.

A data também convida à reflexão sobre o presente: os desafios da carreira docente, os baixos salários, a falta de infraestrutura e o desrespeito crescente à profissão. O 15 de outubro é símbolo de resistência, inspiração e compromisso com o futuro.

Professores: moldam personalidades e estimulam habilidades – são jardineiros do invisível

Antonieta de Barros, primeira deputada negra do Brasil, foi a autora do projeto de lei que instituiu o Dia do Professor em Santa Catarina, celebrado em 15 de outubro. A proposta foi sancionada pelo então governador José Boabaid em 1948, 15 anos antes de a data ser reconhecida em todo o Brasil. A lei federal foi assinada pelo presidente da República João Goulart em 1963 e faz referência ao dia em que foi sancionada a lei que cria as escolas de ensino elementar no Brasil, em 1827, e previa as condições de trabalho dos professores.

Nascida em 1901, Antonieta foi defensora das mulheres e lutou sobre uma educação de qualidade. Professora, jornalista e heroína da Pátria, Antonieta destacou o papel dos educadores. No documento que justificava a lei, ela afirmou: ‘Não há quem não reconheça, à luz da civilização, o inestimável serviço do professor”.

Professora de português e psicologia, Antonieta fundou a própria escola, onde deu aula para adultos e moradores carentes da região. Uma das escolas por onde circulou enquanto dava aulas na Capital tem seu nome e honra seu legado.

Com atuação em Santa Catarina, Barros tem também a marca de ser a primeira mulher a assumir a Presidência de uma assembleia legislativa no Brasil. Foi ainda a primeira mulher negra a trabalhar na imprensa em Santa Catarina. Em seus textos, dizia que as mulheres não deveriam ser “virgens de ideias”. 

Antonieta de Barros: pioneira negra da política e da educação – símbolo de resistência, inspiração e compromisso com o futuro

Antonieta também é reconhecida por ser defensora das mulheres e por ter lutado por uma educação de qualidade para todos e pelo reconhecimento da cultura negra, em especial no Sul do país. “Ela é um ícone. Se ela tivesse nascido fora do Brasil, seria um ícone mundial, mas como nasceu no Brasil que é um país racista, é preciso lutar muito para que ela seja vista como representação na política para todos e não só pessoas negras”.

No dia 5 de janeiro de 2023, a trajetória de Barros na vida  e na política entrou para o Livro das Heroínas da Pátria. O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial da União, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas ministras da Cultura, Margareth Menezes, e da Igualdade Racial, Anielle Franco

Fotos: Reprodução

Sair da versão mobile