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Isaac Vilhena, de 16 anos, que praticava esportes com amigos é esfaqueado no peito durante tentativa de roubo e perde a vida no local

Bernadete Alves
Isaac Augusto de Brito Vilhena de Moraes é esfaqueado e morto por causa de um celular na quadra onde morava na Asa Sul

O estudante Isaac Augusto de Brito Vilhena de Moraes, de 16 anos, morador da 112 Sul, foi esfaqueado durante um assalto na noite de sexta-feira (17/10) enquanto jogava vôlei com amigos no Parque da Entrequadra 112/113 Sul. Ele estava vestido com uniforme escolar do Colégio Militar, onde estudava, quando foram surpreendidos pelos bandidos.

Um vídeo de câmera de segurança de um dos Blocos residenciais, mostra o momento em que Isaac e seus amigos são abordados pelos assaltantes. Isac tenta recuperar os objetos roubados e é atingido por uma facada brutal no peito, cai desfalecido e não resiste o ferimento no coração. O crime ocorreu por volta das 19h.

Moradores acionaram os Bombeiros e a Polícia Civil. Segundo testemunhas, o atendimento dos socorristas demorou cerca de 30 minutos para chegar, e a ambulância levou quase uma hora. Isaac estava em estado gravíssimo, desfalecendo e no caminho ao Hospital de Base, veio a óbito.

“Pesar e indignação”

Adolescente é morto a facada por causa de um celular na quadra onde morava

Confira o relato enviado a vizinhos por um morador da quadra que acionou o socorro e prestou assistência ao jovem esfaqueado:

“Peço desculpas por trazer uma notícia tão triste nesta sexta-feira (17/10/25), mas considero importante relatar o que presenciei no início da noite, por volta das 18h30. Eu retornava do trabalho, havia acabado de descer na estação de metrô da 112 Sul e subia em direção à nossa quadra quando uma jovem, em estado de choque, correu em minha direção pedindo ajuda. Dizia que um rapaz havia acabado de ser atacado e que sangrava muito.

Acompanhei-a até a entrada da estação e orientei que procurasse um policial que estava no local. Em seguida, liguei para o 192 solicitando o envio de uma ambulância, mas fui informado de que seria necessário estar junto à vítima para efetuar o pedido. Ao chegar ao parque na entrequadra 112/113 Sul, encontrei o jovem caído no chão, já sem sinais vitais, acompanhado de um colega igualmente em estado de choque.

Alguns moradores começaram a se aproximar, e logo se soube que ele morava no Bloco A da SQS 112. Uma moradora tentou realizar compressões torácicas até a chegada dos bombeiros e da equipe do Samu.

A mãe e um irmão chegaram antes do socorro e se desesperaram diante do cenário que encontraram.

O primeiro atendimento do Corpo de Bombeiros demorou cerca de 30 minutos, e a ambulância, aproximadamente uma hora. Apesar de todos os esforços, o rapaz foi removido ao pronto-socorro do Hospital de Base sem sinais de resposta aos procedimentos de reanimação realizados no local.

Relato este episódio com profundo pesar e indignação. Em meio ao desespero da família e dos vizinhos, causou revolta a demora no atendimento e a ausência imediata das forças de segurança. É fundamental que todos redobremos os cuidados e repensemos a sensação de segurança que às vezes imaginamos ter nesta região.

Meus sentimentos à família. Que esse episódio sirva como alerta e como apelo por mais presença e eficiência do poder público em situações de emergência.”

Ricardo Montalvão, morador da quadra, relatou o que viu “Eles (as vítimas) estavam brincando de bola quando foram abordados. É uma situação muito triste”, relatou. O servidor público ainda afirmou que ocorrências de arrastão são comuns no local e quadras próximas. “Acontece muito desse tipo de crime. Atualmente, toda criança e adolescente precisa de celular. Então, já fica marcado esse tipo de crime”, afirmou.

Adolescente é morto a facada por causa de um celular na quadra onde morava na Asa Sul

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) conseguiu localizar os suspeitos por meio do rastreamento do celular das vítimas. Seis adolescentes foram apreendidos no Paranoá. Durante a abordagem, o grupo informou que o autor da facada havia fugido, mas ele acabou sendo encontrado pouco depois pelos militares. O caso é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

Dor, indignação e orações a Isaac: o jovem assassinado após ter celular roubado na quadra onde morava

Desde a morte de Isaac, familiares, amigos e vivinhos, se mobilizaram nas redes sociais para prestar homenagens ao adolescente. Na manhã de sábado, 18 de outubro, a quadra de esportes onde o crime ocorreu amanheceu com flores dizendo “Isaac Vive”.

Moradores das quadras 112 e 113 Sul, realizaram um ato que simbolizava a dor e a indignação da comunidade diante da morte brutal de um adolescente que praticava esporte com os vizinhos e que era conhecido pela sua dedicação aos estudos, esportes e amigos.

Dor e homenagem a Isaac: o jovem assassinado após ter celular roubado na quadra onde morava

A comunidade se juntou aos parentes e amigos de Isaac Augusto para prestar homenagens e fazer orações no local onde o adolescente foi atacado e se revoltaram com a violência do crime e a insegurança na região.

Entre flores, cartazes e balões brancos, o que se ouviu foi uma sequência de vozes que, mesmo entre lágrimas, insistiam em celebrar a vida de um menino descrito como gentil, inteligente e cheio de vida e de sonhos.

Jovem assassinado após ter celular roubado comove moradores da Asa Sul

O ato simbolizava a dor e a indignação da comunidade diante da morte brutal de um adolescente que praticava esporte com os vizinhos e que era conhecido pela sua dedicação aos estudos, esportes e amigos.

Isaac Vilhena, de 16 anos, que praticava esportes com amigos é esfaqueado no peito durante tentativa de roubo e perde a vida no local

O Colégio Militar de Brasília divulgou uma nota oficial no sábado (18) lamentando a morte de Isaac. O estudante cursava o 2º ano do Ensino Médio na instituição, que é ligada ao Exército Brasileiro.O Colégio Militar de Brasília, consternado diante da perda precoce de um de seus alunos, solidariza-se com familiares, amigos e toda a comunidade escolar, expressando sinceros votos de conforto e paz”, diz a nota assinada pela Seção de Comunicação Social da escola.

Neste domingo 19 de outubro, amigos, familiares e moradores realizaram mais um ato de despedida do jovem Isac Vilhena, um jovem de luz e de amor. Vestidos de branco, com flores e balões, rezaram, confortaram os familiares e pediram justiça e mais segurança e iluminação para as áreas residenciais do Plano Piloto.

Isaac Augusto Vilhena: esfaqueado e morto por causa de um celular, é homenageado no local em que perdeu a vida

Depoimentos da mãe, do pai, do irmão, dos tios, padrinhos, professores, de colegas do Colégio Militar de Brasília, da ex-namorada e de moradores da quadra, marcaram a homenagem ao adolescente de 16 anos, lembrado por sua alegria, generosidade e sonhos interrompidos.

O som era o das vozes embargadas, das orações, dos choros e das lembranças. Entre flores, cartazes e balões brancos, a manhã deste domingo foi uma sequência de vozes que, mesmo entre lágrimas, insistiam em celebrar a vida de um menino descrito como gentil, inteligente e cheio de sonhos.

Entre os discursos mais tocantes estavam os da família. A mãe de Isaac, Jane Vilhena, agradeceu a presença e o carinho de todos. Em meio às lágrimas, lembrou momentos simples e afetuosos: “Ele era grandão e ainda vinha para a minha cama. Desde que o parque foi reinaugurado, ele não saía daqui. Esse lugar era tudo para ele.”

Dor e homenagem a Isaac Augusto: o jovem assassinado após ter celular roubado na quadra onde morava

O pai, o médico Lucas Vilhena, abalado, contou que entrou na vida do garoto quando ele tinha apenas três anos e meio. “Quando ele começou a me chamar de pai, ele se tornou meu filho de verdade. Tem meu nome e meu sobrenome”, relatou. Ele também lembrou da filha mais velha, Ana Júlia, a quem Isaac chamava de irmã. “Se ele foi embora ontem, aos 16 anos, foi porque Deus sabia que ele estava preparado. Agradeço a todos que o socorreram naquele momento”, disse. “Peço que se repensem as penas para esses atos, que duram dois ou três anos, enquanto a nossa será eterna”, acrescentou. 

O irmão mais velho, Edson Avelino, de 28 anos, agradeceu o apoio recebido e pediu orações pela mãe. Entre o choro contido e a fé, ele descreveu o adolescente como um jovem maduro e consciente dos próprios sonhos. “Meu irmão tinha apenas 16 anos, mas era um rapaz muito maduro. Maduro em seus objetivos, maduro em aceitar o que precisava ser melhorado. Não vai trazer ele de volta, mas dá o mínimo conforto saber que ele era querido e cumpriu seu papel”, afirmou. “Eu peço muita oração, principalmente pra minha mãe, nesse momento tão difícil. Que Deus nos dê força pra dar todo o suporte a ela, que é quem mais vai precisar da gente.”

Durante a condolência, o clima era de profunda comoção. De mãos dadas, os presentes fizeram um momento de oração com o Pai-Nosso, Ave-Maria e o Canto da Oração pela Paz. Moradores e amigos lembraram o sorriso, o carisma e o amor de Isaac pelo parque. “Sou morador da 112 Sul e o que aconteceu é um absurdo. Nós que somos pais não podemos aguentar calados”, afirmou um dos presentes. Outra completou: “Um menino do bem, super legal.”

Valeska Valente, mãe de um colega de Isaac do Colégio Militar de Brasília, pediu aos jovens que guardassem as boas lembranças. “Lembrem-se dos momentos felizes que compartilharam com o Vilhena. Falei para o meu filho: toda vez que tiver vontade de chorar, ore por ele e pela família.”

Familiares, amigos, colegas e moradores da 112-113 sul promovem ato de despedida do jovem Isaac Vilhena

Luzia também fez um apelo por mais segurança na região. “É bom que a gente peça aos governantes que isso pare agora, que o que aconteceu com o Isaac não se repita. Aqui na 113 e na 112 eu nunca tinha visto nada parecido. Vim do Rio de Janeiro pra cá em busca de tranquilidade, porque lá a violência toma conta. Já passei por assaltos, meu filho também. Aqui era um refúgio, e espero que continue sendo.”

Entre os colegas do Colégio Militar de Brasília, as lembranças se misturavam à saudade. Luana Vilacinah, de 17 anos, contou que Isaac era um menino muito feliz. Onde passava, deixava alegria. Ele sempre esteve do meu lado, me ajudava com tudo que eu precisava. Era gentil, participativo, humilde. Me dói muito saber que o último momento que ele quis passar comigo não aconteceu, mas sei que ele está nos braços de Deus, sendo acolhido como o menino bom que sempre foi”, desabafou.

O amigo, Luiz Felipe, conhecido como Sampaio entre os colegas, definiu Isaac como um “irmão de peito”. “A gente se conheceu em 2021, no sétimo ano, e desde então nossa amizade floresceu. Ele sempre falava dos sonhos dele. Queria ser técnico de TI junto com o irmão, ter um carro esportivo, viajar o mundo. Quando foi pra Los Angeles, me trouxe um broche. Quando foi pra Madri, trouxe um chaveiro. Mesmo longe, ele sempre lembrava de mim. É inacreditável o que aconteceu. Foi uma injustiça”.

Cristina Del’Isola, fundadora do Movimento Maria Cláudia pela Paz, com o propósito de “emanar luz ao jovem e transmitir amor solidário à família”. Cristina é mãe de Maria Cládia Del’Isola, jovem esquartejada aos 19 anos dentro de casa pelo jardineiro da família, em 2004, cujo nome batiza o parque. Após o crime, ela transformou o luto em ação e criou o movimento que hoje apoia vítimas de violência e promove a cultura de paz. “Não existem palavras no dicionário que expressem o que sente uma mãe e um pai em um momento como esse. Esse apoio é muito importante”.

No final da celebração pela memória do jovem mártir, Jane a mãe de Isaac pediu que os amigos do Colégio Militar cantassem o hino da escola. Em seguida, os participantes deram uma volta pelo parque em silêncio, em sinal de respeito, e soltaram balões brancos em homenagem ao estudante. As flores deixadas no local, as velas acesas, as mensagens e o silêncio que tomou conta do ambiente mostravam que Isaac, mesmo aos 16 anos, deixa uma marca profunda na vida da comunidade.

O corpo de Isaac Augusto de Brito Vilhena de Moraes será velado às 14h na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, com missa de corpo presente celebrada pelo Pároco da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. O sepultamento está previsto para as 16h30.

Isaac Vilhena, de 16 anos, que praticava esportes com amigos é esfaqueado no peito durante tentativa de roubo e perde a vida no local

Delegado relata que envolvidos na tragédia “fizeram piadas e não demonstraram remorso”

O delegado Rodrigo Larizzatti da DCA relatou os detalhes das circunstâncias do latrocínio que tirou a vida do Isaac Vilhena, de 16 anos.  E conta também o comportamento dos menores na delegacia após serem apreendidos.

Durante a autuação na Delegacia da Criança e do Adolescente, os menores envolvidos no crime demonstraram não ter qualquer remorso ou arrependimento. “Chegaram a caçoar da legislação, fazendo piadas e rindo, o que evidenciou total desprezo e falta de humanidade. Apenas um dos sete perguntou se a vítima havia falecido, demonstrando algum tipo de sentimento. Os demais, não. Nenhum deles apresentou arrependimento ou culpa”, contou o Delegado Rodrigo Larizzatti , que estava de plantão na noite de sexta-feira e conduziu o trabalho de colher os depoimentos.

Três adolescentes diretamente envolvidos na morte do estudante Isaac Vilhena foram colocados à disposição do Juizado da Vara da Infância e Juventude.

Após quase sete anos de trabalho na Delegacia da Criança e do Adolescente, lidando diretamente com casos envolvendo menores infratores, o delegado contou que o episódio deixou a equipe “profundamente consternada pela total ausência de sentimento e de remorso dos autores.”

Larizzatti mandou uma mensagem para família da vítima : “Desejamos, sinceramente, que a família seja confortada e que os menores respondam conforme a lei prevê.”

Apesar da gravidade do ato, a legislação estabelece limites em razão da menoridade penal. Os três envolvidos poderão receber medidas socioeducativas. Por serem inimputáveis, menores de 18 anos, a medida mais severa prevista é a internação por, no máximo, três anos — ou até completarem 21 anos de idade, o que ocorrer primeiro.

“Por mais grave que seja o comportamento de um menor infrator, o máximo que a legislação permite como resposta é a aplicação de medida socioeducativa de internação por até três anos”, explicou o delegado.

Orientação para não reagir 

O Delegado Larizzatti reforçou a orientação de que vítimas de crimes não devem reagir. “Infelizmente, essa é a realidade, sobretudo quando se percebe que o criminoso está armado, como ocorreu neste caso. “Reforçamos, no entanto, que a responsabilidade é sempre do criminoso — daquele que escolhe violar a lei e os interesses da sociedade”, esclareceu o delegado.

Fotos: Reprodução e Arquivo Pessoal

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