
Neste 21 de outubro celebramos no Brasil o Dia da Unidade Cristã: um momento de confraternização e desejo de paz na humanidade, abrangendo todos os campos do conhecimento, a cooperação entre diferentes denominações cristãs, com o objetivo de superar divisões históricas e culturais através do diálogo e da reconciliação, com harmonia e respeito.
A base para essa unidade está na fé em Cristo e na Palavra de Deus, que busca superar as divisões históricas e culturais entre as igrejas. No entanto, o ecumenismo bíblico foca na unidade em torno da verdade de Cristo, evitando a mistura de fé verdadeira com doutrinas falsas, o que é visto como perigoso por alguns. A oração em conjunto é vista como a “alma de todo o movimento ecumênico”, e a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um exemplo prático desse esforço.
A palavra deriva do grego oikoumene, que significa “mundo habitado”, e o movimento busca restaurar a união da igreja, baseando-se no que há em comum entre os cristãos, como a oração e o testemunho de Cristo.
É buscar ativamente a unidade, o diálogo e o respeito entre pessoas de diferentes religiões, especialmente dentro do cristianismo, promovendo a fraternidade, a colaboração em causas comuns e a superação de preconceitos e divisões. Visando o bem-estar social e a paz entre as pessoas.
A Igreja Católica, há muito, deseja a unidade cristã, crendo que promover a reintegração de todos os cristãos na Unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é de fato a Vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja expressou essa vontade através do Concílio Vaticano II, no Decreto Unitatis Redintegratio (Roma, 1964), do qual consta o seguinte trecho:
“Todo aquele que crê em Cristo, mesmo que não pertença à Igreja Católica, encontra-se em algum tipo de Comunhão com a verdadeira Igreja. Não existe ecumenismo verdadeiro sem uma conversão interior, e a Igreja Católica é a plena depositária da Palavra e das graças divinas. As demais igrejas devem dela aproximar-se na Comunhão da graça.”
Assim, embora a Igreja Católica tenha sido a única fundada por Cristo, e essa Igreja de Cristo tenha que ser Una (‘Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir’, cf. Mc 3,24), é fato que existem hoje diversas denominações ditas cristãs, que professam a fé em Jesus Cristo como Deus, Senhor e Salvador, e a Igreja Católica busca, como sempre buscou, acolher e re-unir a todos. Ecumenismo é aproximação, cooperação, busca fraterna da superação das divisões entre católicos, ortodoxos e protestantes históricos.
O Concílio Vaticano II quer que as iniciativas dos filhos da Igreja Católica progridam em conjunto com as iniciativas dos nossos irmãos separados. Todos nós somos chamados a viver a proposta do ecumenismo: todos juntos, ao menos nesse sentido um só povo, no Amor de Cristo. O Ecumenismo é um convite ao diálogo entre as Igrejas Cristãs, e a uma evangelização renovada.
As divisões contrariam a vontade de Cristo e sem nenhuma dúvida dificultam a cumprir o Mandamento pregação do Senhor, de levar o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Eis aí apenas um dos motivos pelos quais a unidade cristã se faz urgente.
Necessitamos de uma aceitação cordial de tudo que é fundamental à nossa fé, pois é nossa União a Deus em Cristo, por meio do seu Espírito, que nos anima e põe a todos e a cada um, segundo nosso estado, em pé de evangelização. Necessitamos realmente da comunhão na caridade entre os distintos grupos eclesiais. Sem esse testemunho de Unidade é difícil a evangelização e o testemunho cristão.
O Concílio Vaticano II (1962-1965) foi um marco significativo para o movimento ecumênico. Através de seus documentos, a Igreja Católica expressou seu compromisso com o diálogo e a colaboração ecumênica.
Os padres conciliares reafirmam que a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica, foi entregue a Pedro (Jo. 21,17) e subsiste na Igreja Católica (LG 8). Ela enfatizou a necessidade de valorizar e respeitar as tradições cristãs separadas, ao mesmo tempo em que buscava a plena comunhão entre elas.
O Concílio enfatizou a importância da oração, do diálogo e da colaboração entre as diferentes igrejas e comunidades eclesiais cristãs. Encorajou o estudo da Escritura e dos escritos dos padres da Igreja, bem como ações conjuntas em áreas como educação, assistência aos necessitados e testemunho comum do Evangelho.
Além disso, afirma que “dentre os elementos ou bens com que, tomados em conjunto, a própria Igreja é edificada e vivificada, alguns e até muitos e muito importantes podem existir fora do âmbito da Igreja católica: a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo e elementos visíveis” (UR 3).
O Papa Francisco, na ocasião, dirigiu aos católicos um renovado chamado à unidade. Buscar, com os outros cristãos, o que nos une fortalece a credibilidade no anúncio do Evangelho. Ele diz que devemos “abrir o coração ao companheiro de estrada sem medos nem desconfianças, e olhar primariamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus” (EG 244).
Como católicos, é nosso dever e responsabilidade participar ativamente do movimento ecumênico. O Papa São João Paulo II afirmou que “com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica empenhou-se, de modo irreversível, a percorrer o caminho da busca ecumênica, colocando-se assim à escuta do Espírito do Senhor, que ensina a ler com atenção os “sinais dos tempos” (UUS 3). É um caminho que não podemos e não devemos voltar atrás.
O ato ecumênico, de acordo com a definição eclesiástica do termo, consiste na busca da unificação entre as diferentes vertentes do cristianismo – católica, protestante e pentecostal. Esta data comemorativa é, também, uma oportunidade de as pessoas se posicionarem contra a intolerância religiosa.
O Dia do Ecumenismo começou a ser celebrado no Distrito Federal, como uma homenagem ao Templo da Boa Vontade, que foi fundado em 21 de outubro de 1989 por José de Paiva Netto, diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV). O Templo da Boa Vontade é tido como um símbolo do ecumenismo na capital brasileira, recebendo pessoas de todas as religiões e filosofias com total igualdade.
Neste 21 de outubro também celebramos o Dia Nacional de Valorização da Família que tem papel fundamental no desenvolvimento humano. Celebrar esta data é uma oportunidade de ressaltar o papel fundamental da família como núcleo vital da sociedade onde onde se aprende ideais como reciprocidade, cooperação e solidariedade, tão necessários à formação individual e à convivência social e religiosa.
A Igreja e a família são a primeira escola onde os primeiros valores humanos são assimilados. Onde se aprende a relacionar-se com o outro, a escutar, partilhar, suportar, respeitar, ajudar e conviver em harmonia.
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