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Gengivite: doença bucal que exige tratamento urgente para não virar problema sério de saúde

Bernadete Alves
Cirurgião-dentista Gabriel Henrique Pinheiro alerta que um problema dentário pode afetar o corpo como um todo

A odontologia é a área da saúde que estuda, previne e trata doenças da boca, gengiva, articulação da mandíbula, ossos da face e todas as estruturas relacionadas. Como a boca é uma parte importante do organismo, tudo que acontece com ela pode virar um problema sério de saúde.

Gengivite: doença bucal que exige tratamento urgente para não evoluir para outras doenças

O cirurgião-dentista Dr. Gabriel Henrique Pinheiro alerta que um problema dentário pode afetar o corpo como um todo: do coração até comprometer a saúde de um feto. Por isso cuidar dos dentes não é apenas estética. É prevenção para a saúde como um todo.

Inclusive estudos realizados por universidades de renome, mostram que processos inflamatórios odontológicos podem irradiar dor para a região orbitária, uma vez que o nervo trigêmeo e o nervo óptico compartilham trajetos neurais próximos. Segundo especialistas “o bruxismo e as DTM aumentam a compressão neural, gerando tensão periorbital e cefaleias que confundem diagnósticos”.

Essas descobertas sugerem que o acompanhamento e a prevenção da doença periodontal podem desempenhar um papel fundamental na redução de riscos cérebrovasculares, sendo um tema central em debates científicos recentes sobre prevenção primária.

Doença gengival pode aumentar risco de derrame, alerta estudo da Universidade de Carolina do Sul

O periodontista Gabriel Henrique Pinheiro, especialista em implantodontia e reabilitação oral, explica que a gengiva é parte de uma estrutura que envolve e sustenta os dentes. Quando está saudável, tem cor rosada e firmeza. Quando inflama, muda de tom, fica avermelhada, sangra com facilidade e pode até cobrir parte dos dentes. É o primeiro sinal da gengivite, uma das doenças bucais mais comuns e também uma das mais negligenciadas e preocupantes.

Cirurgião-dentista Gabriel Henrique Pinheiro alerta que um problema dentário pode afetar o corpo como um todo

E ele está certo pois a perigosa ligação entre doenças nas gengivas e o derrame cerebral, foi comprovado pelo estudo da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, publicado na revista Neurology Open Access, descobriu que pessoas com cáries e doenças gengivais apresentavam quase o dobro do risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em comparação a indivíduos com saúde bucal em dia.

Para chegar ao resultado, foram analisados 5.986 adultos com idade média de 63 anos sem histórico prévio de Acidente Vascular Cerebral isquêmico, doença arterial coronariana ou cáries; e sem histórico de doença gengival. A saúde dos participantes foi acompanhada por cerca de 21 anos.

Cirurgião-dentista Gabriel Henrique Pinheiro: especialista em implantodontia e reabilitação oral

Segundo Souvik Sen, autor principal do estudo e professor de neurologia, “a doença gengival está associada a níveis mais elevados de inflamação, e essa inflamação pode contribuir para o endurecimento dos vasos sanguíneos, como observámos neste trabalho”. Segundo o especialista a inflamação crônica é um dos fatores que pode levar à aterosclerose – o espessamento das paredes das artérias – aumentando o risco de doenças cardiovasculares e neurológicas.

Outro estudo conduzido pela mesma equipe da Universidade de Carolina do Sul e publicado na mesma edição da revista revelou um dado ainda mais preocupante: pessoas com doença gengival e cáries têm um risco 86% maior de sofrer um derrame em comparação com aquelas que mantêm uma boa saúde oral.

Pelo estudo foi observado que a doença periodontal foi associada a um aumento nos volumes de hiperintensidade da substância branca em participantes do estudo de Coorte de Aterosclerose em Comunidades (ARIC). Uma análise paralela do mesmo grupo de estudo mostrou também que incidência de derrame isquêmico era significativamente maior em pessoas com doença periodontal.

O estudo americano concluiu que indivíduos com problemas gengivais apresentaram 44% mais chance de AVC do que os que cuidavam bem da boca. Para os cientistas, estes números tornam urgente a inclusão da saúde oral nas estratégias globais de prevenção do AVC. “Prevenir e tratar as doenças das gengivas pode ser tão importante quanto controlar a pressão arterial ou o colesterol”, conclui o Dr. Sen.

Periodontista Gabriel Pinheiro alerta que doença gengival pode virar problema sério de saúde se negligenciada

Acredita-se que a inflamação sistêmica, provocada por doenças dentárias, possa desempenhar um papel relevante na saúde do cérebro e no desenvolvimento de doenças cerebrovasculares. Se novos estudos confirmarem essa ligação, estratégias voltadas para o controle da inflamação gengival podem ser determinantes na prevenção de lesões na substância branca. “Se a condição não for tratada, as bactérias da gengiva podem invadir a corrente sanguínea, afetando inclusive o coração”, alerta o especialista.

O Dr. Gabriel Henrique Pinheiro, especialista em implantodontia e reabilitação oral, diz que o risco pode ser significativamente reduzido com cuidados básicos de higiene oral, alimentação saudável e prevenção.

Fotos: Arquivo Pessoal

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