
O Papa Leão XIV celebrou, neste 25 de dezembro, a Missa de Natal, com mensagem a paz mundial e a bênção Urbi et Orbi, de uma galeria com vista para a Praça de São Pedro, sob chuva constante e diante de cerca de 26 mil fiéis. O pontífice repetiu com vigor: “Paz! Paz! Paz!, pedindo reconciliação em todos os cantos da Terra.
O Papa recordou que a paz nasce do amor e da responsabilidade de cada pessoa: reconhecer as próprias faltas. pedir perdão a Deus e colocar-se no lugar de quem sofre. Segundo Leão XVI, somente um coração perdoado é capaz de construir a paz verdadeira, rejeitando o ódio, a violência e a polarização, e promovendo o diálogo e a reconciliação.
O Santo Padre elevou suas orações às vítimas de todas as guerras no mundo, com especial atenção ao Oriente Médio, pedindo justiça e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e a Síria. Rezou também pela Ucrânia, para que as armas se calem e se abra um diálogo sincero, com o apoio da comunidade internacional.
O Pontífice manifestou proximidade com as populações que sofrem em países africanos marcados por conflitos, perseguições e terrorismo, como Sudão, Sudão do Sul, Mali, Burkina Faso e República Democrática do Congo. Na Ásia, pediu reconciliação para Mianmar e apoio às regiões atingidas por desastres naturais.
Um apelo especial foi feito pelo Haiti, para que cesse a violência, e pela América Latina, encorajando seus governantes a priorizarem o diálogo, o bem comum e a superação das divisões ideológicas.
O Papa destacou ainda a dor dos povos de Gaza e do Iêmen, bem como o sofrimento de refugiados, migrantes, desempregados, trabalhadores explorados e prisioneiros, lembrando que Deus não é indiferente ao sofrimento humano.
“Quem não ama não se salva, está perdido”. Jesus Cristo é a nossa paz, porque nos liberta do pecado e nos indica o caminho a seguir para superar os conflitos, interpessoais aos internacionais. “Sem um coração livre do pecado, um coração perdoado, não se pode ser homens e mulheres pacíficos e construtores de paz. Foi por esta razão que Jesus nasceu em Belém e morreu na cruz: para nos libertar do pecado. Ele é o Salvador”.
“Que o menino Jesus inspire aqueles que têm responsabilidades políticas na América Latina para que, ao enfrentar os numerosos desafios, tenham espaço ao diálogo pelo bem comum e não às exclusões ideológicas e partidárias”, declarou.
“Rezamos especialmente pelo atribulado povo ucraniano, para que cesse o estrondo das armas e para que as partes envolvidas, com o apoio da comunidade internacional, encontrem a coragem para dialogar de maneira sincera, direta e respeitosa”
Jesus Cristo é a nossa paz porque, em primeiro lugar, nos liberta do pecado e, em segundo lugar, nos indica o caminho a seguir para superar os conflitos, quaisquer que sejam eles, desde os interpessoais aos internacionais. Sem um coração livre do pecado, um coração perdoado, não se pode ser homens e mulheres pacíficos e construtores de paz. Foi por esta razão que Jesus nasceu em Belém e morreu na cruz: para nos libertar do pecado. Ele é o Salvador. Com a sua graça, cada um pode e deve fazer a sua parte para rejeitar o ódio, a violência, a contraposição e para praticar o diálogo, a paz, a reconciliação.
Neste dia de festa, desejo enviar uma calorosa saudação paterna a todos os cristãos, em especial àqueles que vivem no Médio Oriente e que recentemente, na minha primeira viagem apostólica, desejei encontrar. Ouvi os seus receios e conheço bem o seu sentimento de impotência perante dinâmicas de poder que os ultrapassam. O Menino que hoje nasce em Belém é o mesmo Jesus que diz: «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33).
Ao Príncipe da Paz, entregamos o inteiro Continente Europeu, pedindo-Lhe que continue a inspirar um espírito comunitário e colaborativo, fiel às suas raízes cristãs e à sua história, solidária e acolhedora com quem passa necessidade. Rezemos de modo especial pelo povo ucraniano tão massacrado: que o barulho das armas acabe e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem de dialogar de modo sincero, direto e respeitoso.
Do Menino de Belém, imploramos paz e consolação para as vítimas de todas as guerras em curso no mundo, especialmente as esquecidas; e para quantos sofrem por causa da injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do terrorismo. Recordo de modo particular os irmãos e irmãs do Sudão, do Sudão do Sul, do Mali, do Burquina Faso e da República Democrática do Congo.
Nestes últimos dias do Jubileu da Esperança, rezemos ao Deus feito homem pela querida população do Haiti, para que, cessando toda a forma de violência no país, possa progredir no caminho da paz e da reconciliação.
A Ele confiamos também as populações do Sul asiático e da Oceania, duramente provadas pelas recentes e devastadoras calamidades naturais, que com gravidade atingiram inteiras populações. Perante tais provações, convido todos a renovar com convicção o nosso empenho comum em socorrer quem sofre.
Em poucos dias, o Ano Jubilar terminará. As Portas Santas fechar-se-ão, mas Cristo, nossa esperança, permanecerá sempre conosco. Ele é a Porta sempre aberta, que nos introduz na vida divina. É a alegre notícia deste dia: o Menino que nasceu é Deus feito homem; Ele não vem para condenar, mas para salvar; a sua não é uma aparição fugaz; Ele vem para ficar e dar-se a si mesmo. N’Ele, todas as feridas são curadas e todos os corações encontram repouso e paz.
Ao concluir, afirmou o Pontífice que, mesmo com o fim do Ano Jubilar, a esperança não se encerra: Cristo permanece como a Porta sempre aberta. “O Natal do Senhor é o Natal da paz.”
Na homilia da Missa de Natal, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Leão XIV destacou a fragilidade das populações civis afetadas por guerras. Leão XIV recordou que “a paz de Deus nasce de um choro de criança acolhido, de um pranto ouvido: nasce entre ruínas que invocam solidariedades renovadas”. O Pontífice disse que “fragilizada se encontra a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas, deixando escombros.
“Frágil é a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras, em curso ou concluídas, que deixam para trás escombros e feridas abertas”, afirmou. O Papa citou as “tendas de Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio”, e lembrou que centenas de milhares de pessoas enfrentam o inverno em condições extremas.
“Como então podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio; e em tantos outros refugiados e deslocados internos em todos os continentes, ou nos abrigos improvisados de milhares de pessoas sem-teto em nossas próprias cidades?”, disse.
Leão XIV comparou a encarnação de Jesus a “uma tenda frágil entre nós” e questionou como não pensar nos refugiados, deslocados internos e pessoas sem-teto em diversas partes do mundo. “Se ele realmente se colocasse no sofrimento alheio e se solidarizasse com os fracos e oprimidos, então o mundo mudaria”, disse o Papa. “Ao se fazer homem, Jesus assumiu nossa fragilidade, identificando-se com cada um de nós: com aqueles que nada têm e perderam tudo, como os habitantes de Gaza; com aqueles que são vítimas da fome e da pobreza, como o povo iemenita; com aqueles que fogem de sua terra natal em busca de um futuro em outro lugar, como os muitos refugiados e migrantes que atravessam o Mediterrâneo ou percorrem o continente americano”.
O pontífice também mencionou jovens forçados a pegar em armas e afirmou que a paz só pode surgir por meio do diálogo. Num dos trechos mais marcantes da homilia, Leão XVI relacionou a imagem evangélica do Verbo “erguendo” Sua tenda entre a humanidade com a realidade enfrentada por famílias que vivem em abrigos improvisados em meio a conflitos.
“Que o menino Jesus inspire aqueles que têm responsabilidades políticas na América Latina para que, ao enfrentar os numerosos desafios, tenham espaço ao diálogo pelo bem comum e não às exclusões ideológicas e partidárias”, declarou o pontífice.
Leão XIV disse que o Natal é uma proclamação de que a paz não é meramente uma esperança para o futuro, mas um dom já presente em Cristo, mesmo quando poucos o reconhecem. Citando as palavras de Jesus aos discípulos, ele disse: “Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou” (cf. Jo 14, 27).
Essa paz, disse o papa, começa não na retórica, mas na compaixão concreta que escuta, permanece próxima e responde ao sofrimento. “Quando a fraqueza dos outros penetra o nosso coração, quando a dor alheia despedaça as nossas certezas graníticas, então já começa a paz”, disse ele. “A paz de Deus nasce de um choro de criança acolhido, de um pranto ouvido: nasce entre ruínas que invocam solidariedades renovadas, nasce de sonhos e visões que, como profecias, invertem o curso da história”.
O Menino que hoje nasce em Belém é o mesmo Jesus que diz: ‘Tenham paz em mim. No mundo vocês terão tribulações, mas tenham coragem: eu venci o mundo!'”, disse o Papa. “A Ele invocamos justiça, paz e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel, a Síria, confiando nestas palavras divinas: praticar a justiça trará paz. Honrar a justiça trará tranquilidade e segurança para sempre”.
Concluiu com os votos em italiano, francês, inglês, alemão, espanhol, português, polaco, árabe, chinês e latim: “Feliz Natal, que a Paz de Cristo reine nos vossos corações e nas vossas famílias”.
Fotos: Vatican Media e Andreas Solaro / AFP
