
É com pesar que registramos o falecimento de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, que teve a vida interrompida de forma precoce e injusta após sofrer traumatismo craniano de ser brutalmente agredido.
Nossa solidariedade e orações a mãe e ao pai do jovem vítima de violência e barbárie. Nenhuma mãe e nenhum pai deveriam sofrer a dor de perder um filho com a vida pela frente. Uma dor que não tem nome, que muda tudo, que deixa um vazio impossível de mensurar. Uma família transformada não apenas pelo luto, mas pela revolta de perder um amor tão especial. Que Deus conforte o coração da família diante de uma dor impossível de medir.
Quando um jovem morre assim a sociedade falha em impedir que a violência roube futuros e destrua famílias. Essa tragédia nos mostra algo que parece estar se perdendo, respeito, limite e responsabilidade pelas próprias atitudes. A cultura da violência está deixando a vida humana em segundo plano: matando jovens e deixando famílias dilaceradas e marcando o destino para sempre.
O jovem que sonhava ser bombeiro, ficou 16 dias internado em estado gravíssimo, em coma induzido, depois de bater a cabeça na porta de um carro e sofrer traumatismo craniano e parada cardiorrespiratória de 12 minutos. Durante o período de internação, o quadro evoluiu para perda completa e irreversível das funções cerebrais, segundo o hospital.
Rodrigo Castanheira foi socorrido em estado crítico, com traumatismo craniano e não resistiu às graves lesões sofridas após uma briga ocorrida em Vicente Pires. O principal envolvido no caso, o principal envolvido no caso o ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso. O agressor de 19 anos, cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciária da Papuda, desde 2 de fevereiro.
A informação foi confirmada pelo tio da vítima, Flavio Henrique Fleury. “Acabaram com uma pessoa maravilhosa de forma gratuita”, lamentou ele no Instagram. Rodrigo será velado, hoje, na Igreja Batista Capital, a partir das 14h. O sepultamento será às 17 horas no Campo da Esperança, na Asa Sul.
Rodrigo era morador do DF e estudava no Colégio Vitória Régia. Amigos e colegas organizaram homenagens nas redes sociais e vigílias em frente à escola do jovem. Rodrigo, segundo a mensagem, ‘deixa memórias, afeto e marcas que permanecerão vivas entre aqueles que conviveram com ele’. A escola afirmou que seguirá unida em oração, fé e amor pela família de Rodrigo Castanheira.
O Hospital Brasília Águas Claras lamentou a morte de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira. O adolescente de 16 anos estava internado na unidade desde o dia 22 de janeiro. “Apesar de todos os esforços da equipe médica, o quadro evoluiu para a perda completa e irreversível das funções cerebrais, seguindo todos os protocolos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina. Neste momento de profunda dor, o hospital se solidariza com os familiares e amigos de Rodrigo, prestando todo o suporte necessário”.
A trajetória de Rodrigo também foi lembrada por sua atuação em atividades extracurriculares e profissionais. O grupo Escoteiro do DF lamentou a perda do ex-integrante da equipe de exploradores de Águas Claras com uma saudação tradicional do movimento: “Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus. Bem cedo junto ao fogo, tornaremos a nos ver”.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do DF (Senac-DF) destacou o vínculo afetivo construído durante a passagem do adolescente pelo programa Jovem Aprendiz, na unidade de Ceilândia. Segundo a entidade, Rodrigo deixou uma “marca de carinho, respeito e convivência afetuosa”, e sua presença seguirá viva nos aprendizados compartilhados e nos vínculos que estabeleceu.
A Arena 61, onde o jovem treinava, publicou uma despedida carinhosa, descrevendo-o como um “menino alegre, cuidadoso e carinhoso, que conquistava todos ao seu redor com seu sorriso”. O centro de treinamento reforçou que o adolescente sempre será parte daquela família e que as lembranças de sua presença jamais serão apagadas.
Entre os educadores, o sentimento de perda foi igualmente profundo. Um de seus professores compartilhou uma homenagem tocante nas redes sociais. “Prefiro lembrar desse sorriso. Prefiro lembrar das nossas risadas. Prefiro lembrar da sua essência a lembrar da brutalidade que te tirou de nós. Vai Rodrigo! Vai para os braços do Pai!”.
Na tarde de ontem, o silêncio e a espiritualidade marcaram uma vigília na Capela Santa Paulina, no Guará 2. O encontro foi organizado por Ana Helene Lima Rodrigues, amiga da irmã de Rodrigo, que inicialmente planejava o ato como um pedido por um milagre. Com a confirmação do falecimento, a reunião tornou-se um ponto de amparo à família Castanheira. “A dor hoje é por saber quem ele era para a Isabela. Ele era irmão, era filho, era nosso amigo. E passou por uma situação que ninguém imagina passar”. Os amigos seguem unidos em oração para que Deus dê força aos familiares.
Cronologia dos fatos
- 23 de janeiro (madrugada): Rodrigo é brutalmente agredido por Pedro Turra na saída de uma festa em Vicente Pires. Testemunhas filmam o espancamento, e o adolescente é socorrido em estado gravíssimo com traumatismo craniano severo.
- 23 de janeiro de 2026 (manhã): Pedro Turra é preso em flagrante pela Polícia Civil. No entanto, após o pagamento da fiança de R$ 24,3 mil, o agressor é colocado em liberdade.
- 29 de janeiro de 2026: diante da gravidade do estado de saúde da vítima e do risco à ordem pública, a Justiça acolhe o pedido do Ministério Público e decreta a prisão preventiva de Pedro Turra. Ele é preso na casa da mãe e encaminhado à carceragem do DPE.
- Início de fevereiro de 2026: a defesa de Pedro Turra entra com pedidos de habeas corpus no TJDFT e no STJ, alegando primariedade e residência fixa. Ambos os pedidos são negados. No sistema prisional, Turra é transferido para uma cela individual após alegações de risco à sua integridade física.
- 7 de fevereiro de 2026 (manhã): é confirmada a morte cerebral de Rodrigo Castanheira. A notícia mobiliza a sociedade do DF e as autoridades iniciam o processo de revisão da tipificação do crime, que deve passar de lesão corporal gravíssima para homicídio.
Vídeos gravados no local mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo Castanheira bater violentamente a cabeça contra um carro. O impacto o deixou desacordado. Ele chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.
A nova ordem de prisão foi solicitada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, apresentou detalhes adicionais da investigação.
Ele afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, incluindo a suposta tortura de uma adolescente com um taser, e classificou o comportamento de Turra como “sociopata”. Emocionado, o delegado comentou a gravidade do caso.
A defesa contestou as declarações. “O delegado não tem competência para definir o comportamento psicológico de ninguém. Isso pode configurar abuso de autoridade”, declarou o advogado Enio Barros.
Com a repercussão do caso, surgiram registros de outras passagens policiais envolvendo o ex-piloto:
- Agressão em praça pública contra um jovem após desentendimento.
- Briga de trânsito, com agressões físicas a um motorista de 49 anos.
- Denúncia de coação contra uma adolescente para ingerir bebida alcoólica em festa, possível violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Todos os episódios seguem sob investigação.
O que pode acontecer agora
Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com a morte do adolescente, o caso pode passar a ser tratado como homicídio.
Com a confirmação da morte do adolescente, a tipificação do crime pode ser alterada para lesão corporal com resultado morte, o que aumenta a gravidade da acusação e a possível pena.
A lesão corporal seguida de morte, tipificada no art. 129, §3º do Código Penal brasileiro, ocorre quando o agente tem a intenção de agredir (dolo), mas por culpa (negligência, imprudência ou imperícia), causa a morte da vítima. É um crime preterdoloso, com pena de reclusão de 4 a 12 anos. O resultado morte deve ser previsível, mas não desejado.
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