
A pesquisadora Márcia Cristina Bernardes Barbosa, professora titular do Instituto de Física, e reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi reconhecida pela Forbes Brasil por mudar o rumo da ciência. A Doutora em física está no topo das 10 cientistas brasileiras que fazem história em ambientes ainda marcados pela sub-representação feminina. De vacinas e genômica à física, elas lideram descobertas e abrem caminho para novas gerações.
A física é reconhecida internacionalmente pelos estudos pioneiros sobre as propriedades anômalas da água e atuação no desenvolvimento de nanotecnologia para dessalinização. Seu trabalho teórico em física estatística busca soluções práticas para a escassez de recursos hídricos.
Este é um dos trabalhos mais consistentes da física Márcia Barbosa, na área científica. Ela identificou que a água flui muito mais rápido do que o esperado em nanotubos de carbono e usou esse achado para propor processos de purificação e dessalinização mais eficientes, que podem ajudar a resolver a escassez de água. Esse fenômeno permite a criação de nanofiltros que podem separar o sal da água de forma muito mais eficiente do que os métodos atuais.
Sua pesquisa desvendou características singulares da água, como o “efeito Ricardão”, onde a água compactada pode formar mais pontes de hidrogênio. Isso ajuda a entender as mais de 70 anomalias da água e a desenvolver novas aplicações tecnológicas. A pesquisa de Marcia Barbosa tem o potencial de criar soluções inovadoras para a falta de água potável, com a possibilidade de dessalinizar água do mar de maneira mais econômica e eficiente, além de ajudar na captação de água em regiões com baixo abastecimento.
“Tenho uma dívida que considero impagável. Fiz todo o meu ensino fundamental, médio, faculdade, mestrado e doutorado com o dinheiro do povo brasileiro. Tenho que devolver isso.”
Além do mais, a mestre e doutora em Física, contribui significativamente para a ciência, política de inovação e promoção da equidade de gênero, combatendo estereótipos na física e luta contra preconceitos e discriminação em relação às mulheres na ciência. Por seu posicionamento nas questões de gênero Márcia Barbosa ganhou em 2009 a Nicholson Medal, concedida pela American Physical Society.
A doutora Márcia, pioneira das mulheres nas ciências brasileiras, em 2020 foi eleita pela Forbes uma das 20 mulheres mais poderosas e influentes do Brasil por promover a ciência e as mulheres nas ciências. Ela orgulha o Brasil, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o mundo pelo seu trabalho como vice-presidente da organização International Science Council, desde 2025.
Márcia Barbosa é também membro da Academia Mundial de Ciências, do Conselho Internacional de Ciência, e da Sociedade Americana de Física. A professora dedicou sua carreira ao estudo das moléculas da água que possuem dezenas de propriedades físicas e químicas únicas que a distinguem de outras substâncias. Segundo ela essas propriedades, podem levar ao desenvolvimento de novas tecnologias para combater a escassez desse importante recurso natural.
Em 2020 foi incluída pela ONU Mulheres numa lista de sete cientistas que têm moldado o mundo. Na justificativa, a ONU Mulheres declarou: “Barbosa desenvolveu uma série de modelos das propriedades da água que podem aprimorar nossa compreensão sobre uma ampla variedade de tópicos: como ocorrem terremotos, como as proteínas se estruturam, como pode ser gerada energia mais limpa e como são tratadas doenças. […] Além de sua pesquisa notável, Barbosa está comprometida com a igualdade de oportunidades para as mulheres nas ciências. Ela organizou diversas conferências sobre mulheres na Física, escreveu artigos sobre diversidade geográfica e de gênero na ciência e ministrou seminários que examinaram a escassez de mulheres na área”.
A reitora da UFRGS, é membro titular da Academia Brasileira de Ciências e recebeu diversos prêmios e distinções, entre eles o Prêmio L’Oréal-UNESCO para Mulheres em Ciência e a Ordem Nacional do Mérito Científico no grau de Comendadora.
Marcia Barbosa foi Secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) de 2023 a 2024.
Em 2024, sua efígie foi incluída na série especial de selos “Mulheres Pioneiras das Ciências Brasileiras”, emitida pelos Correios do Brasil. Em 2025 foi agraciada com o Título de Cidadã de Porto Alegre, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, reconhecendo sua defesa da universidade pública e sua contribuição para a ciência e o desenvolvimento social da capital gaúcha.
10 cientistas brasileiras que estão moldando o futuro da Ciência
1 – Márcia Cristina Bernardes Barbosa
2 – Sue Ann Clemens
3 – Margareth Dalcolmo
4 e 5 – Ester Sabino e Jaqueline Goes
6 – Sônia Guimarães
7 – Fabiana Corsi Zuelli
8 – Neuza Frazatti
9 – Duda Franklin
10 – Alicia Kowaltowski
Fotos: Reprodução
