
Faleceu na madrugada deste 21 de março o ator, diretor e dramaturgo Juca de Oliveira, aos 91 anos. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vítima de pneumonia e complicações cardiológicas. A notícia de sua morte foi confirmada pela assessoria do artista, gerou uma onda de comoção e homenagens no meio artístico, com diversas personalidades expressando seu luto e reverência ao legado deixado por Juca.
Juca deixa a esposa, a musicista Maria Luisa de Faro Santos, com quem estava casado desde 1973 e a filha, a produtora teatral Isabella Faro Santos de Oliveira, amigos e milhares de fãs pelo Brasil. O consagrado artista parte levando mais do que uma história brilhante. Foi um mestre, um dos pilares da dramaturgia brasileira. Que a eternidade o receba com aplausos e que ele tenha Luz Eterna.
O velório será realizado no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central da capital, das 15h às 21h deste sábado. A cerimônia será restrita a amigos e familiares.
A trajetória de Juca de Oliveira é marcada por sua dedicação à arte. Sua obra, que abrangeu teatro, televisão e cinema, é considerada gigante e ele é reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas brasileiras.
José Juca de Oliveira Santos nasceu no dia 16 de março de 1935, em São Roque, interior de São Paulo, e iniciou sua carreira na década de 1950, onde fez parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), tendo contracenado com nomes como Aracy Balabanian e encenado peças como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller.
Ao todo, participou de mais de 30 novelas e minisséries, além de ter integrado o elenco de mais de dez longas-metragens e 60 peças de teatro, incluindo aquelas em que trabalhou como autor.
Antes do teatro, Juca chegou a cursar a faculdade de Direito na Universidade de São Paulo (USP) e a trabalhar em um banco. No entanto, a veia teatral falou mais alto e ele decidiu largar o emprego e trancar a faculdade para focar no seu desenvolvimento na Escola de Arte Dramática.
Nos anos 1960, em parceria com Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império, comprou o Teatro de Arena, uma referência da cultura brasileira em meio à ditadura militar. Juca, que também era ligado ao Partido Comunista Brasileiro, acabou sendo perseguido pelo Estado brasileiro e se exilou na Bolívia.
“Não foi por acaso que o Teatro de Arena foi brutalmente atingido pela ditadura militar. O teatro foi fechado, nós fomos perseguidos. Uma tragédia”, disse Juca de Oliveira em depoimento ao projeto Memória Globo.
Ao voltar para o Brasil, fez sua primeira novela, ainda em 1964: “Quando o Amor É Mais Forte“, da TV Tupi. O ator estreou na TV Globo em 1973, interpretando o personagem Alberto Parreiras em “O Semideus”.
Seu papel mais marcante na TV foi na novela “O Clone”, de Glória Perez. Ele interpretou o médico geneticista Doutor Albieri, responsável pela produção de um clone humano. Na trama, após a morte do seu afilhado, Diogo (Murilo Benício), Dr. Albieri, decidiu realizar o sonho de ser o primeiro médico a realizar clonagem humana. Para isso, ele acaba clonando o irmão de Diogo, Lucas.
Seu último papel na TV foi ‘O Outro Lado do Paraíso’, em 2018, interpretando Natanael. Nos últimos anos, o ator focou seu trabalho no teatro — o qual ele nunca deixou de lado — e no cuidado da sua fazenda de gado para corte.
Fotos: Gianne Carvalho/Globo e Reprodução
