
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma cerimônia no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira 11 de maio, sancionou a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, seis anos após o início da pandemia de covid-19, que matou mais de 716 mil pessoas no Brasil.
O dia escolhido foi 12 de março, data que remete ao falecimento da técnica de enfermagem Rosana Aparecida Urbano, a primeira vítima da doença registrada no Brasil, em São Paulo. O texto de autoria do deputado Pedro Uczai (PT/SC) e relatado pelo senador Humberto Costa (PT/PE), médico e ex-ministro da Saúde, o projeto foi aprovado no Senado no mês passado e seguiu para sanção presidencial.
O presidente Lula disse que a iniciativa reforça a importância da memória coletiva. Reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a defesa da vida, da ciência e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ressalta a necessidade da escuta atenta aos especialistas. “Uma escuta que, se fosse adotada naquele período, poderia ter evitado milhares de mortes”.
O presidente disse que “é preciso lembrar o passado para que nunca mais se repita! Lula criticou a condução “desastrosa” da pandemia na gestão Jair Bolsonaro, que era o presidente do Brasil durante a pandemia, e destacou a conivência de diversos segmentos, incluindo entidades médicas.
Lula afirmou que, se o governo Bolsonaro tivesse atuado de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde e de especialistas, o país teria menos mortes provocadas pela Covid-19.
“Temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médicos que receitavam cloroquina e a quantidade de gente que dizia que a vacina fazia as pessoas virarem gays, virarem jacaré, que fazia todo o mal a crianças. Se a gente não der o nome não vão aprender a respeitar o ser humano”, declarou Lula.
O presidente disse que o seu governo, valoriza e incentiva a vacinação. “Ampliamos o acesso à imunização, intensificamos o combate à desinformação, com impacto direto na recuperação da confiança nas vacinas no país”.
A primeira-dama, Janja da Silva, se emocionou ao lembrar a perda a mãe, que morreu após contrair a doença. “Eu sempre me preparei psicologicamente para perder minha mãe para o Alzheimer, mas ver ela sendo arrancada de mim pela covid-19, pela falta de incentivo à mascara. Eu não vou esquecer jamais. A memória é isso”, disse Janja.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, observou que a maioria dos brasileiros teve algum familiar vítima da covid-19 ou conhece pessoas ou familiares de pessoas que morreram vítimas da infecção, especialmente pela demora na chegada da vacina.
Segundo o ministro, a data é importante porque será sempre um momento de debate e reflexão sobre o enfrentamento a esse tipo de problema.
“O presidente Lula sanciona esse projeto, sanção integral do projeto, para que fique marcado, e todo ano a gente possa falar sobre isso, não só no dia específico, mas ao longo de todo ano, a gente possa discutir o que é necessário para enfrentar futuras pandemias, sobretudo continuar cuidando das vítimas e dos seus familiares que estão afetados dessa pandemia”.
Segundo o ministro Padilha, o Brasil vem melhorando os indicadores de vacinação, que sofreram acentuada queda no governo anterior. “Chegamos ao final de 2025 com a melhor cobertura vacinal dos últimos 9 anos, graças à parceria com os estados, com os municípios, com os conselhos, com os profissionais de saúde. As coberturas vacinais infantis, quando a gente assumiu em 2023, estava abaixo de 80%. Hoje, todas elas tão acima de 90%”, disse o ministro da Saúde.
“Chegamos ao final de 2025 com a melhor cobertura vacinal dos últimos 9 anos, graças à parceria com os estados, com os municípios, com os conselhos, com os profissionais de saúde. As coberturas vacinais infantis, quando a gente assumiu em 2023, estava abaixo de 80%. Hoje, todas elas tão acima de 90%”, disse.
A cerimônia no Planalto contou com a presença de representantes de associações de familiares de vítimas da covid-19, que cobram responsabilização também de profissionais que ajudaram a espalhar desinformação sobre vacinas e tratamento da doença, que causou a maior crise sanitária da história do país.
Que a memória da terrível crise sanitária não nos permita esquecer da importância da ciência, das vacinas e do valoroso trabalho do SUS.
No mês passado, o Ministério da Saúde lançou o Memorial da Pandemia, no Rio de Janeiro, para homenagear as mais de 700 mil vítimas da covid-19 no país. O espaço está localizado no edifício do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), reaberto depois de quase quatro anos de obras de recuperação e investimento de cerca de R$ 15 milhões.
Fotos: Wallison Breno/PR
