
Celebramos neste domingo, 17 de maio, a Solenidade da Ascensão do Senhor. Após quarenta dias de sua ressurreição, Jesus elevou-se ao céu, onde está sentado à direita do Pai, sendo a sua entrada na glória de Deus. É também a exaltação da natureza humana, a vitória humana sobre o pecado e a morte pela vida de Jesus.
A data lembra que Jesus após cumprir sua missão de amor e salvação, retorna glorioso ao Pai. A Ascensão não é uma despedida , mas a promessa de que Cristo permanece conosco, conduzindo a Igreja e intercedendo por cada um de nós.
Celebrar a Ascensão de Jesus é celebrar seu modo novo de estar conosco, do Emanuel, Deus Conosco, manifestar-se em nosso meio. Esse modo novo do Senhor se manifestar entre as pessoas passa pela Comunidade, por suas atitudes que dão continuidade à missão do Senhor e que asseguram a construção do Reino de Justiça e de Paz.
A solenidade não é um mistério distante, mas de união a Cristo! De presença, pois Jesus permanece conosco, agora de forma invisível, mas real, especialmente na Eucaristia e na ação do Espírito Santo. Cristo nos chama a continuar nossa missão com fé, amor e coragem, sendo luz no mundo.
A Ascensão nos lembra que nossa pátria definitiva está no Céu, e que, como cristãos, somos chamados a viver neste mundo com os olhos voltados para o alto, sem perder o compromisso com o amor e a missão aqui na Terra.
O Papa Leão XIV dedicou sua alocução no Regina Caeli deste 17 de maio de 2026, à Solenidade da Ascenção do Senhor, celebrada neste domingo em inúmeros países, inclusive no Brasil. Leão XIV afirmou que o “percurso de ascensão” passa pelos exemplos de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, além do testemunho cotidiano de familiares e amigos que buscam viver o Evangelho.
“A Ascensão não nos fala de uma promessa distante, mas de um vínculo vivo, que nos atrai também para a glória celestial, alargando e elevando já nesta vida o nosso horizonte e aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus. E deste percurso de ascensão, conhecemos o caminho. Nós o encontramos em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – ‘da porta ao lado’, com quem partilhamos o nosso dia a dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.”
O Livro dos Atos dos Apóstolos, do qual é tirada a primeira leitura da solenidade de hoje, nos mostra Jesus dizendo aos seus discípulos que eles receberão o Espirito Santo e que Este os tornará suas testemunhas no mundo inteiro.
O Espírito que os discípulos receberão é o mesmo que esteve presente em Jesus. Os anjos que aparecem após a “subida” de Jesus ao Céu dizem aos discípulos para não ficarem de braços cruzados, mas agirem, isto é, continuarem a missão do Senhor. Os anjos dizem aos discípulos que Jesus vai voltar. Isso nos recorda a parábola contada pelo Senhor em que o patrão quando volta de viagem quer saber de seus servos o que fizeram, qual o produto do trabalho. Os anjos nos recordam a necessidade de deixar de ficar olhando para o céu e colocar mãos à obra, trabalhar!
O Evangelho de Mateus nos fala que o poder que Jesus recebeu do Pai e foi plenificado após sua ressurreição, é dado à Comunidade para que “ Vá e faça discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que lhes ordenei!”
Batismo é a consagração, a configuração a Jesus Cristo, o Ungido e a Catequese é a implementação da Justiça. Logo, deveremos levar as pessoas a se configurarem ao Homem Novo, de acordo com o desejo do Pai e, depois, após conscientizá-los, levá-los a praticar a justiça e as bem-aventuranças. E Mateus termina citando a certeza da presença eterna de Jesus ao nosso lado: “ Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo!”
A Ascensão de Jesus é a transformação da presença do Emanuel, do Deus Conosco. Sua presença é manifestada não através de uma figura visível, a de Jesus, mas através da ação libertadora praticada pelos membros da Comunidade.
Em cada atitude cristã está o Redentor – Cristo, o Autor de todo ato de bondade – o Pai; e nos inspirando, está o Espírito de Amor.
Fotos: Reprodução e Reuters
