
Celebramos neste 21 de maio um dos patrimônios culturais mais importantes de qualquer povo: a sua língua. E no Brasil a data presta homenagem à língua portuguesa, idioma oficial do país e elemento essencial na construção da identidade cultural brasileira.
E neste dia celebramos os talentos da literatura como José Sarney que teve uma noite memorável no Senado. O ex-presidente da República e do Senado, e escritor, José Sarney relançou, no Salão Negro do Congresso Nacional, três de seus principais romances em um evento marcado por homenagens à sua trajetória política e literária. A coletânea, publicada pela editora Ciranda Cultural, reúne os títulos “O Dono do Mar”, “Saraminda” e “A Duquesa Vale uma Missa”, obras que percorrem diferentes cenários e personagens da formação cultural brasileira — dos garimpos amazônicos à cultura ribeirinha do Maranhão.
As obras reunidas na coletânea percorrem universos distintos da cultura e da história brasileira. Em ‘Saraminda’, ambientado nos garimpos do Amapá e da Guiana Francesa, Sarney retrata amores trágicos, disputas de poder e a cobiça pelo ouro em uma narrativa marcada pela força épica e pela crítica social. A personagem Saraminda tornou-se uma das heroínas mais marcantes da literatura brasileira contemporânea. Já ‘O Dono do Mar’ apresenta uma epopeia amazônica que funde mito, tradição oral e poesia em prosa lírica, recriando histórias de pescadores maranhenses e projetando a cultura ribeirinha brasileira em dimensão universal. Em ‘A Duquesa Vale uma Missa’, romance histórico e introspectivo, Sarney mistura memória, obsessão amorosa e contexto político em uma narrativa marcada pelo simbolismo e pela influência da literatura francesa.
Sarney, que foi presidente do Senado em quatro ocasiões, é membro da Academia Brasileira de Letras e autor de mais de uma centena de obras como contos, crônicas, ensaios e romances. A obra “O Dono do Mar”, traduzida para diversos idiomas, ganhou versão cinematográfica e se tornou um dos títulos mais conhecidos de sua produção literária.
O ex-senador afirmou que sua trajetória foi marcada por “duas vertentes”: a literatura e a política. Segundo ele, a literatura sempre foi uma vocação cultivada desde a infância, impulsionada pela convivência com os livros. Sarney afirmou ter passado “20% da vida em companhia dos livros, lendo e escrevendo” e destacou já ter publicado 123 títulos.
“Ao nascer Deus me deu um grande amigo, que foi o livro, que me acompanha até hoje”, disse o presidente Sarney. Sobre a carreira pública, José Sarney afirmou que a política não surgiu como uma escolha pessoal, mas como um caminho traçado pela própria vida. “A política não é uma vocação, é um destino. Eu tive a oportunidade de trabalhar pelo povo brasileiro”.
Sarney disse ainda que a atuação política lhe trouxe “profundas responsabilidades”, que procurou exercer ao longo da trajetória em cargos como a presidência da República, o governo do Maranhão e a presidência do Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destaca legado literário de José Sarney e afirma que o ex-presidente do Senado construiu “uma das biografias mais marcantes da vida nacional”, tanto como homem público quanto como intelectual. Segundo ele, a trajetória de Sarney sempre foi marcada pelo “talento, dignidade e honradez”. Ao comentar o relançamento dos romances do ex-presidente, Davi destacou que as obras estão entre as mais importantes da literatura produzida sobre o Norte do país.
“São livros que revelam não apenas o talento do escritor José Sarney, mas também a profunda conexão de Vossa Excelência com o Brasil e com a formação cultural do nosso país”, declarou Alcolumbre.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, não é possível dissociar o escritor do política. Ele apontou que literatura e política compartilham a capacidade de “imaginar caminhos” para o país e que a obra de Sarney revela sensibilidade para compreender as diferentes realidades brasileiras, qualidade que também considera essencial para a atividade política. “A política exige a capacidade de imaginar todos os dias como o nosso país pode ser melhor”, disse Motta.
O evento contou também com as presenças do ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski; do ex-procurador-geral da República Augusto Aras; além de senadores, deputados, representantes do Judiciário, prefeitos e outras autoridades.
Fotos: Carlos Moura/Agência Senado
