
O Auditório Externo do Superior Tribunal de Justiça foi palco de um momento histórico para a magistratura federal. A juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira tomou posse como presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), ao lado das diretoras e dos diretores que compõem a gestão para o Biênio 2026-2028.
A cerimônia solene marcou um capítulo inédito nos 53 anos da entidade, e, pela primeira vez, uma magistrada assume a presidência da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Ana Lya Ferraz assume o cargo até então pelo juiz federal Caio Marinho, que liderou a Associação no biênio 2024-2026.
A mesa de honra da solenidade foi composta pelos juízes Caio Marinho e Ana Lya Ferraz, pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Herman Benjamin; pelo vice-presidente do STJ e do CJF, corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Luis Felipe Salomão; pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques; pelo corregedor nacional de Justiça, representando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Mauro Luiz Campbell Marques; pela presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso; pelo presidente do Colégio de Presidentes de Tribunais Regionais Federais (Colprefe), desembargador federal João Batista Pinto Silveira; pela representante do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Veronica Sterman; e pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho.
O ministro Herman Benjamin destacou a gestão de Caio Marinho à frente da Ajufe. “A gestão do presidente Caio Marinho foi de suavidade, firmeza e muitas conquistas. Eu não vou me alongar, porque para descrever um trabalho como foi o feito pelo Caio Marinho, não há necessidade de vocalizar. São as ações, os resultados alcançados numa perspectiva absolutamente republicana”.
O presidente do STJ desejou êxito à nova presidente e ressaltou o compromisso de Ana Lya com a jurisdição, exercida em uma vara federal na fronteira do país. “A Vara em que trabalha a nova presidente não é exatamente ali na esquina; é na fronteira do Brasil, no Brasil profundo, e lá ela chegava, em inúmeros voos, de madrugada, sempre com muita alegria e com compromisso de prestar jurisdição na sua Vara. E isto, pra mim, de tudo, de todas as suas qualidades, é aquela que eu mais admiro. É um exemplo para a magistratura federal, para a magistratura estadual, para todos nós. Mas muito especialmente para os jovens juízas e juízes que se encontram aqui. É este o modelo que nós queremos no nosso Brasil e agora em poucos minutos ela estará formalmente à frente desta importante instituição”.
O ministro do STF Nunes Marques, atual presidente do TSE parabenizou a nova diretoria e a presidente Juíza Ana Lya. “Eu desejo aos empossandos uma profícua atuação à frente da instituição. Contem comigo no Supremo Tribunal Federal, com um olhar sempre atento às necessidades da magistratura”.
O Juiz Federal Caio Castagine Marinho se despede da gestão à frente da Associação dos Juízes Federais do Brasil agradecendo sua diretoria e enaltecendo a sua sucessora Ana Lya Ferraz.
Depois de empossada a Juíza Ana Lya homenageia seu antecessor e celebra a história da entidade e do papel da magistratura federal.
“Hoje tomo posse como a primeira mulher a presidir a Ajufe em seus 53 anos de existência. E, embora eu acredite que o significado desta noite vá além dessa circunstância, também reconheço o simbolismo que ela carrega”.
A juíza federal também relacionou a posse ao papel das referências femininas na ampliação de horizontes para meninas e mulheres, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Ao dirigir uma mensagem às novas gerações, afirmou:
“Não permitam que ninguém defina os limites dos seus sonhos antes de vocês mesmas. Saibam que o conhecimento adquirido nunca poderá ser tirado de vocês. Estudem, preparem-se, cultivem a independência e a confiança de que o estudo e a dedicação podem abrir caminhos que hoje talvez pareçam distantes”.
A presidente disse que a sua posse reflete o momento vivido pela magistratura federal e pelo país. “Muitas pessoas me perguntaram o significado de ser a primeira mulher a presidir uma entidade tão importante como a Ajufe em seus 53 anos de história. Confesso que esse questionamento me deixou um pouco preocupada e também inquieta, provocando uma reflexão que me fez perceber que a pergunta talvez necessite ser formulada com uma perspectiva diferente. O que significa uma mulher assumir a presidência da Ajufe num momento da história da magistratura federal brasileira e dessa realidade do próprio país? Não é só ser presidente da Ajufe, é ser presidente da Ajufe no momento em que nós nos encontramos. A resposta está na relevância histórica da Associação, que representa milhares de juízes e juízas federais de todo o Brasil”.
Ana Lya afirmou que a Associação foi consolidada por diferentes gerações da magistratura federal. “A Ajufe foi construída por gerações de magistrados e magistradas que compreenderam que a defesa da magistratura federal exige muito mais do que a defesa de interesses legítimos da carreira”.
A nova presidente disse que a independência judicial garante que a Constituição permaneça acima das circunstâncias políticas de cada momento. Nesse contexto, afirmou que a Ajufe tem o dever de defender não apenas a magistratura federal, mas também os valores constitucionais que justificam sua existência.
“Independência judicial não existe para proteger juízes. Existe para proteger a sociedade, para assegurar que direitos fundamentais sejam preservados mesmo quando impopulares.”
“O papel de uma instituição comprometida não apenas com a defesa da magistratura federal, mas com os valores constitucionais que justificam sua existência”, concluiu a presidente da Ajufe para o biênio 2026-2028, Juíza Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira.
A cerimônia foi prestigiada pelos ministros e ministras do STJ Maria Thereza de Assis Moura; João Otávio de Noronha; Humberto Martins; Isabel Gallotti; Antonio Carlos Ferreira; Marco Aurélio Bellizze; Gurgel de Faria; Ribeiro Dantas; Marluce Caldas; Raul Araújo; e Regina Helena, conselheiros do CNJ, representantes do Judiciário, Executivo, Legislativo, integrantes das diretorias da Ajufe biênio 2024-2026 e biênio 2026-2028, das associações da magistratura e do Ministério Público, dentre outras importantes presenças.
Trajetória Profissional
Lya Ferraz da Gama Ferreira tem 44 anos e nasceu em Cuiabá (MT). Ana Lya é graduada em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pós-graduada em Direito Público, com ênfase em Direito Tributário, e mestre em Direito Penal Tributário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui ampla experiência na área jurídica e acadêmica, tendo atuado como advogada e docente entre 2005 e 2011. Foi coordenadora adjunta do Núcleo Regional da Escola de Magistrados da 3ª Região e, desde 2005, é professora universitária e de cursos preparatórios.
Lya é juíza federal há 15 anos e ingressou na magistratura federal em 2011, após aprovação no XV Concurso da 3ª Região. No início da carreira, atuou em Campo Grande (MS), na 5ª Vara Criminal, passando, em seguida, pela coordenação da Central de Conciliação de Mato Grosso do Sul. Em 2013, foi removida para a 3ª Vara Criminal de São Paulo.
Em 2015, passou a atuar na 1ª Região como juíza federal substituta em Cáceres (MT), na fronteira com a Bolívia. Em fevereiro de 2016, assumiu a titularidade da 2ª Vara Federal, com competência cível e criminal, onde exerceu jurisdição inclusive em sessões do Tribunal do Júri, permanecendo no cargo até o presente.
Nos anos de 2019 e 2020, a magistrada ampliou sua atuação para além da jurisdição, ministrando aulas de interpretação de texto na Escola Municipal Jardim Guanabara. Em 2021, recebeu o título de cidadã cacerense.
A trajetória associativa na Ajufe teve início em junho de 2022, quando tomou posse como suplente da 1ª Região na gestão do juiz federal Nelson Alves. Nesse período, representou a Associação em diversas ocasiões. Em 2023, com a vacância do cargo de Secretário-Geral, assumiu a função, passando a atuar com ainda mais coordenação, dedicação e alinhamento às necessidades institucionais da Ajufe.
Em junho de 2024, após nova eleição, tomou posse como Secretária-Geral na gestão do juiz federal Caio Castagine Marinho. A continuidade e o aprofundamento do trabalho desenvolvido anteriormente permitiram consolidar, de forma orgânica, a liderança que a levou, em abril de 2026, de maneira histórica, a se tornar a primeira presidente da Ajufe.
Fotos: Caio Santana/Ajufe
