
O Brasil perdeu, nesta terça-feira 7 de julho, um dos maiores nomes da dramaturgia nacional. Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo. O autor estava internado no Hospital HCor devido a complicações provocadas por uma insuficiência renal crônica, doença com a qual convivia havia cerca de três anos.
Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural, com interesse especial na imigração italiana, e apresentam amores intensos. Ele ajudou a moldar a identidade da telenovela brasileira quando a televisão era marcada por tramas urbanas. Benedito fez do campo, das plantações, dos rios, das disputas por terra e das famílias de imigrantes o centro de histórias que atravessaram gerações.
Em mais de cinco décadas de carreira, se consolidou com a criação de personagens de forte senso moral e um olhar atento para a formação cultural do país. As sagas familiares tornaram-se sua assinatura. Ele mostrava o Brasil real com protagonistas que representavam peões, fazendeiros, imigrantes, trabalhadores rurais, donas de casa e pessoas comuns. Seus heróis destacavam-se pela perseverança, caráter, valorização da família e da terra. Valorizava a natureza e mostrava as belezas do imenso Brasil.
Conhecido por escrever novelas em formato de saga, o autor marcou gerações ao retratar o universo rural, a imigração italiana e histórias de amor intensas que atravessam o tempo. Seu legado inclui tramas icônicas como “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Pantanal” (1990), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999), marcadas por protagonistas de “bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos”, como o autor mesmo declarava.
Benedito Ruy Barbosa
Nascido em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior paulista, Benedito, filho mais velho de cinco irmãos, cresceu entre cafezais e comunidades formadas por descendentes de italianos e japoneses na cidade vizinha de Vera Cruz. A infância foi interrompida cedo pela morte precoce do pai, o jornalista Otávio Barbosa, fundador o jornal A Voz de Vera Cruz, aos 29 anos, e quando o futuro dramaturgo tinha apenas 11.
A necessidade de trabalhar ainda menino, já que a mãe, Aurora Medeiros Barbosa, não poderia sustentar a família sozinha, primeiro no interior e depois na capital paulista, moldou uma uma visão de mundo que mais tarde seria transportada para a ficção. Seu primeiro trabalho acabou sendo como auxiliar de guarda-livros em uma firma. Antes de viver da escrita, foi auxiliar de escritório, vendedor, faxineiro, bancário, revisor e repórter esportivo.
Fotos: Acervo Globo
