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Santo Inácio de Loyola: mestre no discernimento espiritual e exemplo de entrega total à vontade divina

Bernadete Alves
Inácio de Loyola: o santo que tinha por lema “Tudo para a maior glória de Deus”

Celebramos neste 31 de julho Santo Inácio de Loyola: grande mestre no discernimento espiritual, exemplo de entrega total à vontade divina e Fundador da Companhia de Jesus e do Colégio Romano. Loyola tinha como lema: “Tudo para a maior glória de Deus” (Ad Maiorem Dei Gloriam), um convite para todos nós.

Uma das grandes obras deixadas por Santo Inácio é o livro ‘Exercícios Espirituais’. O papa Pio XI indicou em uma oportunidade que o método inaciano de oração “guia o homem pelo caminho da própria abnegação e do domínio dos maus hábitos para os mais altos cumes da contemplação e o amor divino”.

Santo Inácio foi sensível às “inspirações do Espírito Santo” e se tornou padroeiro dos exercícios espirituais, dos retiros e dos soldados.

O mundo nos ensina a seguir o nosso coração. Santo Inácio ensina primeiro purificá-lo, para que o coração seja capaz de reconhecer a vontade de Deus. Que, por sua intercessão, recebamos sabedoria para discernir, coragem para perseverar e fidelidade para viver para a maior glória de Deus.

31 de julho é dia de Santo Inácio de Loyola: mestre no discernimento espiritual e exemplo de entrega total à vontade divina

Inácio de Loyola nasceu numa família cristã nobre e muito rica numa cidade na Espanha, em 1491. Foi educado com todo cuidado para se tornar um perfeito fidalgo. Cresceu apreciando os luxos da corte e era um ótimo cavaleiro e muito vaidoso. Inácio pautava sua vida no intenso desejo de conquistar o mundo para si.

Com 26 anos optou pela carreira militar, mas uma bala de canhão mudou sua vida. Ferido na perna esquerda, durante a defesa da cidade de Pamplona, ele ficou um longo tempo em convalescença. Com seus sonhos destruídos, começou a repensar sua vida. Trocou a leitura dos romances de guerra por livros sobre a vida dos santos e a Paixão de Cristo. E assim foi tocado pela Graça de Deus.

Compreendeu o quão superficial era a sua vida e através de pensamentos bons, percebeu que Deus agia na sua história convocando-o a servir a um outro Rei, aquele Eterno. Foi a capela do santuário de Nossa Senhora de Montserrat, pendurou sua espada no altar e deu as costas ao mundo da corte e das pompas. A partir daí passou a ser chamado de Inácio.

Viveu como eremita e mendigo passando as mais duras necessidades. Ali preparou a base do seu livro mais importante: “Exercícios Espirituais”. Mudou-se para Paris, onde estudou filosofia e teologia. No ano de 1534 fundou a Companhia de Jesus junto com mais seis companheiros. Nascia assim os missionários jesuítas, que espalharam-se pelo mundo levando o Evangelho para os povos mais longínquos do planeta.

Dedicou toda a sua vida a servir a Cristo, inspirando gerações a buscar sempre a vontade de Deus. Inácio morreu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, na Itália. Ele foi beatificou em 1609 pelo Papa Paulo V e canonizado por Gregório XV em 1622. Os restos mortais do santo são venerados na Igreja de Jesus, em Roma.

O mestre do discernimento nos convida a reconhecer as armadilhas que o inimigo da nossa natureza usa para nos atrair, seduzir e enganar. Reconhecer a “cauda da serpente”, muitas vezes disfarçada de “angelo lucis” (anjo de luz), isto é, com falsas santas e boas intenções, é indispensável para discernir os movimentos do Espírito de Deus.

Santo Inácio nos ensina que o Espírito de Deus age com suavidade, “como água que se derrama na esponja”, já o mau espírito é grosseiro e barulhento como “água que se derrama na pedra”.Deus trabalhou na história de Inácio e trabalha também na nossa.

O primeiro passo para discernir a Sua voz e a Sua vontade é crer que Ele está presente, não somente nas periferias da nossa história pessoal, mas em todos os momentos. Crer que Ele suscita em nós pensamentos, sentimentos e movimentos que nos direcionam para o bem, para o Seu serviço, para a Sua Santíssima Vontade.

A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio, tem como características a obediência ao Papa e a mais sólida coesão interna. Pode-se afirmar que os jesuítas renovaram o catolicismo com sua pregação e direção espiritual, porque pregavam com muito zelo a pessoa de Cristo. O método inaciano de oração dirige o homem pelo caminho da própria abnegação e do domínio dos maus hábitos aos mais altos auges de contemplação e amor divino.

Fotos: Reprodução

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