Ícone do site Bernadete Alves

Dia Nacional do Perdão: a chave para a paz interior e o cimento que fortalece as relações

Bernadete Alves
Perdão: é um ato de amor e misericórdia que fortalece as relações pessoais e coletivas

O Dia Nacional do Perdão é comemorado anualmente em 30 de agosto, conforme estabelecido pela Lei 13.437/2017. A data busca incentivar a reflexão sobre a redução de conflitos, a superação de mágoas e a importância da paz na sociedade.

Estamos vivendo um tempo em que o coração das pessoas está cada vez mais duro. Muitas vezes, em meio às conversas acaloradas e em situações nas quais nos sentimos injustiçados, queremos gritar com toda a nossa força e convencer os outros de que estamos com a nossa razão. Como filhos de Deus, porém, essa não deve ser nossa maneira de agir. Deus é amor e, como reflexo dEle aqui na Terra, o nosso caráter também precisa ser amoroso.

Perdoar é caminho para construir e restaurar relacionamentos porque o perdão é o cimento que fortalece as relações. É tirar o peso do passado, jogar fora o lixo que o outro deixou, libertar a alma e deixar o amor guiar a jornada de cura.

Dia Nacional do Perdão: a chave para a paz interior e o cimento que fortalece as relações

Neste Dia Nacional do Perdão, somos convidados a refletir sobre os ensinamentos de Cristo, que nos mostrou que perdoar é um ato de amor e misericórdia. Em um mundo marcado por desafios e falhas, o perdão se torna a chave para a paz interior e para a reconciliação com o próximo. Jesus nos ensina que, ao perdoarmos, nos tornamos mais semelhantes a Ele, abrindo nossos corações para a graça divina.

O objetivo da lei nacional é propor uma reflexão sobre a importância da qualidade de vida, bem estar e a redução de conflitos que geram violência. A cor do perdão é simbolizada pela violeta, por isso que neste dia o nosso cristo foi iluminado com a cor violeta simbolizando o Dia Nacional do Perdão.

O perdão é uma atitude consciente de libertar-se da mágoa, do ressentimento ou do desejo de vingança diante de uma ofensa, erro ou sofrimento causado por outra pessoa ou por si mesmo. Ao perdoar, alguém decide romper com o ciclo de dor emocional e seguir em frente sem carregar os sentimentos negativos que a situação deixou.

30 de agosto é Dia Nacional do Perdão

Perdoar não significa esquecer o que aconteceu nem fingir que não houve dano, mas sim mudar a forma como se lida com aquilo, optando por não deixar que a ofensa continue a dominar os pensamentos e emoções.

Não é esquecer: Lembrar do fato sem sentir dor ou raiva é o verdadeiro sinal de que você perdoou.

Não é reconciliação: Você pode perdoar alguém e, ainda assim, decidir se afastar da pessoa para proteger o seu bem-estar.

Não é justificar o erro: Significa apenas reconhecer a falha, mas recusar-se a carregar o peso do rancor

Mensagem do Papa Francisco

Em muitos casos, o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado, pois oferece a possibilidade de aliviar o peso emocional que o ressentimento provoca.

O perdão também pode ter impacto direto nas relações humanas. Ele permite a reconstrução da confiança, a reconciliação entre pessoas e o fortalecimento de vínculos afetivos. Em ambientes como a família, a escola e o trabalho, saber perdoar e pedir perdão ajuda a criar espaços mais saudáveis de convivência. Ainda que nem sempre haja reconciliação, o perdão liberta a pessoa de ficar presa a um passado que não pode ser mudado.

É um ato que exige maturidade, empatia e coragem. Mesmo quando difícil, ele abre caminhos para a cura, a superação e a construção de uma vida mais equilibrada e generosa. Quem aprende a perdoar aprende também a se libertar.

O dia 30 de agosto foi escolhido em referência à data da morte de Ives Ota, que foi sequestrado e assassinado aos oito anos de idade. O projeto de lei foi proposto pela ex-deputada Keiko Ota, mãe de Ives, que, junto com o marido, perdoou os assassinos do filho.

Na justificativa Keiko afirma que o objetivo é propor uma reflexão sobre o tema, além de ressaltar a luta de diversos movimentos sociais e parentes por justiça. Ela e o marido, Masataka Ota, fundaram, em 1997, o Movimento Paz e Justiça Ives Ota.

“Lembro a memória de meu filho, Ives Ota, sequestrado e assassinado brutalmente aos 8 anos. Eu e meu marido, Masataka Ota, perdoamos aqueles que causaram esse mal à minha família”, destacou a deputada.

Entenda o caso

Ives Ota foi sequestrado em casa, na zona leste de São Paulo, em agosto de 1997. Por ter reconhecido um dos homens, que era policial militar e fazia bico como segurança em uma loja da família, o garoto foi morto na madrugada do dia seguinte. Mesmo depois da execução, o grupo continuou negociando o resgate. Os três envolvidos no caso foram condenados.

Na Audiência Geral, dia 21 de setembro de 2016, na Praça São Pedro (Roma), o Papa Francisco disse que “perdoar é o primeiro pilar que sustenta a comunidade cristã”. O segundo, segundo o pontífice, é doar-se. “Estar disposto a doar-se obedece a uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, se doa ao irmão, e na medida em que se doa ao irmão, se recebe de Deus”, disse.

Fotos: Reprodução

Sair da versão mobile