
O Ministério da Saúde apresentou, durante a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em eventos da Semana de Alto Nível, experiências do Sistema Único de Saúde (SUS) na integração do cuidado à menopausa à Atenção Primária à Saúde (APS) e na organização da atenção às pessoas com doenças raras. As ações incluem rede especializada, triagem neonatal e sequenciamento genético para ampliar o diagnóstico.
A Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas é um dos principais espaços anuais de articulação multilateral e reúne, em Nova York, chefes de Estado e de governo, ministros e representantes dos países membros da ONU para discutir desafios internacionais e fortalecer a cooperação entre as nações.
Em 2026 a 81ª sessão busca revitalizar a cooperação global, impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e fortalecer ações coletivas relacionadas à paz, à dignidade e à igualdade em um planeta saudável. A programação inclui o Debate Geral e reuniões de alto nível sobre temas como desenvolvimento sustentável, clima e preparação e resposta a pandemias.
A participação do Ministério da Saúde ocorre no contexto da agenda brasileira na Assembleia Geral. Na abertura do Debate Geral, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a saúde entre os desafios que exigem cooperação internacional. Em seu discurso, alertou para o avanço de campanhas contra a vacinação, destacou os riscos do enfraquecimento da Organização Mundial da Saúde e defendeu investimentos em saúde pública gratuita e de qualidade.
Na quarta-feira (23), primeiro dia de compromissos do Ministério da Saúde em Nova York, o secretário-executivo Adriano Massuda participou de debates sobre acesso a medicamentos e produção regional de tecnologias para HIV e outras pandemias, cuidado à menopausa e atenção às pessoas com doenças raras.
Com relação as iniciativas em desenvolvimento no Brasil, destaque para as ações de formação de profissionais, a elaboração de orientações nacionais para o cuidado durante a transição menopausal e a menopausa e iniciativas de disseminação de boas práticas no SUS foram destaques. O objetivo é o de fortalecer a capacidade da rede de oferecer informação, acolhimento e cuidado adequado às necessidades das mulheres.
Entre as medidas adotadas pelo Brasil estão mecanismos de compartilhamento de risco para o acesso ao Zolgensma, utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), além de iniciativas de desenvolvimento clínico, transferência de tecnologia e fortalecimento da produção nacional.
O Brasil mostrou como o SUS cuida da saúde das mulheres na menopausa diretamente nos postos de saúde. O governo lembrou que o SUS fornece remédios de graça para o combate ao HIV/Aids. E sobre doenças raras, o país destacou também a importância de diagnósticos rápidos, testes no pezinho (triagem neonatal) e exames genéticos.
Representantes de governos, organizações da sociedade civil, pessoas que vivem com doenças raras e outros atores da saúde global, discutiram como transformar compromissos internacionais em ações concretas de diagnóstico, cuidado e acesso a tratamentos, além da necessidade de ampliar pesquisas, qualificar profissionais e fortalecer políticas públicas de saúde.
No cenário internacional, o Brasil está disposto a compartilhar experiências e ampliar a cooperação, inclusive por meio da cooperação Sul-Sul, em áreas como triagem neonatal, organização das redes de cuidado e acesso a tecnologias.
No terceiro e último dia de agendas do Ministério da Saúde na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Brasil defendeu o acesso equitativo a vacinas e medicamentos e combate à desinformação para enfrentar futuras pandemias. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, disse que a preparação para futuras pandemias deve combinar sistemas de saúde fortalecidos com acesso equitativo a vacinas, medicamentos, diagnósticos e outras tecnologias.
O representante do Brasil na Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre Prevenção, Preparação e Resposta a Pandemias, também destacou a importância da comunicação pública e do enfrentamento à desinformação para fortalecer a confiança da população nas instituições de saúde.
O encontro, realizado no âmbito da Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral, reuniu representantes dos países para discutir o fortalecimento da cooperação internacional diante de futuras emergências sanitárias e a adoção de uma Declaração Política sobre o tema. Além do pronunciamento na reunião, Massuda participou de dois painéis temáticos sobre ação multilateral, acesso equitativo e financiamento para a preparação e resposta a pandemias.
Durante o debate, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, ressaltou que a pandemia de Covid-19 evidenciou profundas desigualdades no acesso a tecnologias essenciais de saúde e demonstrou a importância da ciência e das decisões baseadas em evidências. “A Covid-19 nos deixou uma lição inequívoca: não pode haver segurança sanitária global sem equidade. Nenhum país pode alcançar uma segurança sanitária duradoura agindo sozinho”, afirmou Massuda.
O representante brasileiro também chamou atenção para a importância da confiança da população na preparação para emergências sanitárias. Segundo ele, garantir a disponibilidade de tecnologias não é suficiente quando a desinformação compromete sua utilização e a adesão às medidas de saúde pública.
“A Covid-19 também nos deixou outra lição importante: não basta que as tecnologias estejam disponíveis se as pessoas não confiam nelas. A desinformação prejudicou as campanhas de vacinação, enfraqueceu a adesão às medidas de saúde pública e minou a confiança nas instituições. Portanto, a preparação para futuras pandemias também deve incluir comunicação pública eficaz, transparência e capacidade de construir e manter a confiança da população”.
O secretário-executivo defendeu ainda a atuação integrada entre governos, sociedade e diferentes setores, incluindo a abordagem de Saúde Única, que considera as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Outro ponto central da manifestação brasileira foi a defesa da produção local e regional, da transferência de tecnologia e da diversificação das cadeias de abastecimento como estratégias para reduzir dependências e ampliar a capacidade de resposta dos países.
Nesse contexto, o Brasil defendeu a conclusão das negociações do anexo sobre Acesso a Patógenos e Repartição de Benefícios (PABS), vinculado ao Acordo sobre Pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS). O mecanismo busca associar o compartilhamento de materiais de patógenos e informações sobre suas sequências genéticas à repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes de sua utilização.
Massuda também reafirmou o compromisso brasileiro com o Acordo sobre Pandemias da OMS e com a implementação das alterações do Regulamento Sanitário Internacional.
Emergências climáticas e financiamento
A relação entre a crise climática e os riscos sanitários também esteve entre os temas abordados. Segundo Massuda, as alterações do clima contribuem para ampliar as condições de surgimento de patógenos e agravam vulnerabilidades, com impactos desproporcionais sobre comunidades de baixa renda e populações indígenas. Por isso, defendeu que as estratégias de preparação para pandemias incorporem a Atenção Primária à Saúde e sistemas de vigilância resilientes às mudanças climáticas.
O secretário-executivo destacou que a preparação para pandemias exige investimentos contínuos em sistemas de saúde, redes de vigilância e laboratórios, qualificação de profissionais, pesquisa, desenvolvimento e capacidade de produção local e regional. “A previsibilidade é essencial: países e produtores precisam ter condições de investir antes que uma crise surja, e não apenas mobilizar recursos depois que ela começa”, afirmou.
Massuda defendeu mecanismos de financiamento nacionais e internacionais que apoiem as prioridades definidas pelos próprios países, fortaleçam suas capacidades e evitem a fragmentação de iniciativas, especialmente nos países em desenvolvimento.
Ao tratar da Declaração Política negociada para a reunião, o secretário-executivo reconheceu o consenso alcançado, mas destacou que o documento deve representar um ponto de partida para o fortalecimento das ações internacionais. Também reafirmou a importância da cooperação multilateral, da participação social e da garantia do direito à saúde.
Fotos: Paola Acioly/MS e Reprodução/ONU
