
É com pesar que registramos o falecimento do jornalista e empreendedor Márcio Chaer, aos 71 anos, ocorrido hoje a tarde, em São Paulo. Ele sofreu infarto fulminante depois de perseguir bandidos que haviam furtado o celular de um amigo, na Avenida Pedro Vicente, perto da estação Armênia do Metrô.
Chaer era um jornalista dedicado e importante difusor da cultura jurídica nacional, deixa uma contribuição inestimável e uma marca especial em todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e acompanhar seu trabalho. Ao longo de sua trajetória, Chaer contribuiu para o jornalismo brasileiro e para a ampliação do acesso à informação sobre o Direito e o Poder Judiciário.
Chaer fundou o ConJur em 1997, dois anos depois de a internet passar a ser aberta para o público geral. Além de dirigir o ConJur, uma das publicações mais influentes do País, Chaer também era diretor da Original 123, assessoria de imprensa jurídica fundada por ele em 1992.
Ao longo de décadas, formou jornalistas, reuniu alguns dos mais importantes juristas brasileiros em torno do ConJur e criou um espaço permanente para o debate sobre Justiça, democracia, garantias individuais e Estado de Direito.
Chaer entendia o jornalismo como serviço público. Sob sua direção, o ConJur estabeleceu como princípio editorial oferecer informação jurídica clara, sintética e útil – não apenas aos operadores do Direito, mas também ao cidadão interessado em compreender o funcionamento das instituições. Essa concepção ajudou a transformar uma publicação especializada em uma instituição do jornalismo brasileiro.
A dimensão da obra construída por Márcio Chaer pode ser medida pela influência alcançada pelo ConJur dentro do próprio Judiciário. O veículo tornou-se o mais citado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, com centenas de referências em acórdãos e decisões monocráticas.
Antes de empreender, atuou como editor, chefe de reportagem e repórter especial em veículos como Veja, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil e Jornal da Tarde. Também colaborou com as revistas IstoÉ, Exame e Playboy.
Márcio Chaer deixa uma obra jornalística de relevância, uma instituição consolidada e centenas de amigos espalhados pelas redações, escritórios de advocacia, universidades e tribunais do País. Ele fez do jornalismo não apenas uma profissão, mas uma forma permanente de defender o direito à informação, o contraditório, as garantias individuais e o Estado de Direito. Nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão, especialmente à equipe da ConJur.
A morte do jornalista foi lamentada por integrantes do meio jurídico e da imprensa. Várias autoridades prestaram homenagem a quem tornou-se referência na cobertura do Judiciário. O Supremo Tribunal Federal prestou condolências e solidariedade aos familiares, amigos, colegas de redação e a toda a equipe do ConJur. O ministro Edson Fachin, declarou que o STF recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento do jornalista Márcio Chaer, ocorrido neste sábado.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes prestou homenagem e condolências à família, colegas e amigos do jornalista em publicação na rede social X: Márcio era um defensor das instituições e um entusiasta da difusão do conhecimento. Fugia do superficial. Nos momentos mais agudos da vida nacional, teve coragem e destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça. “Mais do que um profissional que eu admirava e acompanhava, perdi um querido amigo. Seu caráter íntegro e sua generosidade permanecerão na lembrança de todos que com ele conviveram.”
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Luis Felipe Salomão afirmou que a atuação de Chaer “revolucionou a cobertura do Poder Judiciário. Um pouco de todos que defendem e respeitam a Justiça brasileira vai com ele. Que a família e os amigos se sintam confortados, pois Chaer foi um grande guerreiro. O exemplo de seriedade e comprometimento de Márcio Chaer com o jornalismo e com o Judiciário permanecerão para sempre na história do país”.
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados Brasil, Beto Simonetti, disse que o Brasil perdeu uma “voz relevante” com a morte do jornalista e homenageou sua trajetória. “Márcio Chaer deixa uma contribuição inestimável à advocacia brasileira. Foi um profissional que compreendeu como poucos a importância da Justiça, da advocacia e das instituições para a democracia e ajudou a qualificar esse debate ao longo de décadas. Sua trajetória à frente do ConJur marcou o mundo jurídico. Perco um amigo querido, e o Brasil perde uma voz relevante e respeitada”, afirmou.
“Eu perco um amigo querido, de caráter firme, franqueza rara e lealdade inabalável. Guardarei com muito carinho nossas conversas e tantos momentos de amizade. À sua família, aos amigos e a toda a equipe do ConJur, meu abraço e minhas mais sentidas condolências”, afirmou Bruno Dantas, ex-presidente do Tribunal de Contas da União.
“A morte de Chaer deixa uma lacuna no jornalismo jurídico brasileiro. Mas deixa também uma obra que seguirá sendo consultada todos os dias e uma geração de jornalistas que aprendeu com o caminho que ele ajudou a abrir”, afirmou o advogado Miguel Matos, fundador do Migalhas, um dos principais portais jurídicos do País.
Autoridades de vários seguimentos exaltaram a contribuição do jornalista e empreendedor para o debate jurídico no país.
Fotos: Reprodução e Arquivo Pessoal
