
Neste 23 de outubro, Dia do Aviador e Dia da Força Aérea Brasileira, uma homenagem aos homens e as mulheres que tornam possível voar, defender e servir ao Brasil. Um reconhecimento ao trabalho, à coragem e ao compromisso de quem constrói essa história todos os dias.
A data celebra o primeiro voo oficial do 14-Bis, aeronave mais pesada que o ar criada por Alberto Santos Dumont. Em 23 de outubro de 1906, Alberto Santos Dumont entrou para a história com o voo do 14-Bis, em Paris. A data virou Dia do Aviador por lei em 1936 e hoje homenageia militares e civis que fazem do voo a sua profissão.
A Cerimônia em Brasília teve como destaque os 120 anos do primeiro voo do 14-Bis e homenagens a personalidades civis e militares com a Ordem do Mérito Aeronáutico. Presidida pelo Ministro de Estado da Defesa, a cerimônia reuniu o Comandante da Aeronáutica, Oficiais-Generais do Alto-Comando da Aeronáutica, representantes da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro, além de autoridades civis e militares e integrantes de instituições governamentais e dos setores aeroespacial e de defesa.
A solenidade foi marcada por uma encenação histórica e projeções que resgataram a trajetória de Alberto Santos-Dumont, Pai da Aviação e Patrono da Aeronáutica Brasileira, além de homenagear personalidades que marcaram a história da Aeronáutica, como Joaquim Pedro Salgado Filho, Eduardo Gomes, Nero Moura e Casimiro Montenegro Filho. A apresentação destacou a evolução do setor aéreo, desde os primeiros voos até o desenvolvimento de tecnologias de ponta no país, como os caças F-39 Gripen e a aeronave multimissão KC-390 Millennium.
Ao relacionar o legado de Santos Dumont à trajetória da FAB, o Comandante da Aeronáutica destacou, em sua Ordem do Dia, a importância da coragem, da perseverança e do conhecimento para transformar ideias em conquistas. A mensagem também ressaltou os avanços científicos e tecnológicos que ampliam a capacidade operacional da Instituição e fortalecem a autonomia nacional.
“As grandes conquistas nascem da coragem de sonhar alto e da perseverança para transformar sonhos em realidade”, declarou o Comandante.
O reconhecimento a quem contribuiu para a missão da Força Aérea Brasileira também marcou a solenidade: 337 personalidades e 7 Organizações Militares foram agraciadas com a Ordem do Mérito Aeronáutico (OMA). “As grandes conquistas nascem da coragem de sonhar alto e da perseverança para transformar sonhos em realidade. Ao celebrarmos os 120 anos do voo do 14-Bis e os 85 anos de nossas asas que protegem o país, temos a honra de impor a Ordem do Mérito Aeronáutico a insignes cidadãos e organizações que muito contribuem para o engrandecimento da nossa Força Aérea e da nossa Nação.”, completou o Comandante da Aeronáutica.
A solenidade reuniu os Comandantes das Forças Singulares; o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire; a Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo; autoridades civis e militares; representantes do corpo diplomático; e convidados.
Mais de um século depois, aquele espírito pioneiro de Alberto Santos Dumont, continua presente em cada decolagem, em cada missão e em cada profissional que desafia os limites para manter a aviação em movimento.
A tecnologia revolucionou a aviação. As aeronaves tornaram-se mais avançadas, os sistemas mais precisos e as missões cada vez mais complexas. Mas, mesmo diante de toda essa evolução, existe algo que nenhuma máquina substitui: a capacidade humana de decidir, agir e assumir responsabilidades quando cada segundo faz a diferença.
Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas e desafios estratégicos cada vez maiores, a aviação permanece como um dos pilares da mobilidade, da segurança e da soberania. Voar vai muito além de cruzar os céus. Significa transportar vidas, conectar nações, projetar poder, defender o espaço aéreo, realizar resgates e alcançar lugares onde poucos conseguem chegar.
Na aviação militar, a prontidão não admite improvisos. Na aviação civil, a segurança exige rigor absoluto. Em ambas, o conhecimento, a disciplina, o treinamento e a capacidade de tomar decisões sob pressão são tão fundamentais quanto a tecnologia embarcada nas aeronaves.
O futuro da aviação não depende apenas de máquinas capazes de voar, mas de profissionais preparados para conduzi-las com excelência, responsabilidade e propósito.
Viva os aviadores que transformam conhecimento em ação, precisão em segurança e coragem em missão. Profissionais que não apenas ocupam o espaço aéreo, mas fazem dele um ambiente de trabalho, compromisso e superação. De Santos Dumont aos modernos sistemas aeronáuticos, a história da aviação é marcada por homens e mulheres que ousaram ir além.
Uma semente que deu frutos
Para celebrar tão importante feito, o Congresso Nacional ganhou iluminação azul e branca e o Senado fez na quarta-feira, 21 de outubro uma sessão espcial em homenagem ao centésimo vigésimo aniversário do voo e à FAB. A Casa comemorou os 120 anos do primeiro voo do 14-Bis, o Dia do Aviador e o Dia da Força Aérea Brasileira (FAB).
A sessão especial aconteceu a pedido do senador Dr. Hiran. Seu requerimento também foi assinado por outros parlamentares. Durante o evento, os participantes relembraram não só o pioneirismo de Santos Dumont ao pilotar a primeira aeronave mais pesada que o ar, mas também a importância da Aeronáutica para a defesa nacional e para as atividades de apoio à sociedade.
O senador Astronauta Marcos Pontes, que presidiu a cerimônia, disse que as três comemorações “contam a mesma história: a vocação de um país que nasceu para voar”.
O Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno declarou que Santos Dumont “não nos levou apenas a uma obra-prima da engenharia, mas personificou o DNA do brasileiro pela sua inquietude criadora, pela coragem de desafiar limites e pela determinação de transformar grandes ideias em realizações voltadas ao bem coletivo”.
O comandante da Aeronáutica disse que Santos-Dumont plantou uma semente que cresceu, com a participação de aviadores brasileiros na Segunda Guerra Mundial, com a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com a Embraer.
A linha que vai de Bagatelle aos dias de hoje passa:
- pelos pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça nos céus da Itália;
- pelos aviadores que levam vacinas, tropas e equipes de resgate a pontos remotos da Amazônia;
- pelos tripulantes do KC-390 Millennium em missões humanitárias;
- pelos pilotos dos caças F-39 Gripen na defesa do espaço aéreo.
Ela também inclui os aviadores navais e do Exército, os pilotos da aviação civil e os alunos dos aeroclubes que fazem o primeiro voo solo. O 23 de outubro é a data de todos eles. Cento e vinte anos depois daquela tarde em Paris, quem voa no Brasil continua a ter em Santos-Dumont uma referência de engenho e de coragem.
O Presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Chamon também homenageou Santos Dumont, que detém os títulos de herói da pátria (Lei 11.298, de 2006) e patrono da Aeronáutica brasileira (Lei 7.243, de 1984). “Quero comemorar o seu legado, não apenas para os seus contemporâneos, mas para todos os que vieram depois dele. Quero comemorar aquilo que ele deixou para o futuro e para as pessoas do futuro, suas invenções, por certo, mas também o seu exemplo de desprendimento”.
Em 2026, a Força Aérea Brasileira comemora 85 anos. Oficial da reserva da FAB, o senador Astronauta Marcos Pontes lembrou que neste ano se celebram os 20 anos da Missão Centenário, da qual ele participou a bordo da nave Soyuz TMA-8. Pontes foi o primeiro brasileiro a ir ao espaço.
“Tudo que eu levei para o espaço, eu aprendi primeiro aqui embaixo, na Força Aérea Brasileira: a disciplina, o trabalho em equipe, o respeito pelo procedimento, a segurança de voo e a confiança no grupo. Nada disso se improvisa”.
Paraquedista militar e general da reserva do Exército, o senador Hamilton Mourão enfatizou a importância do orçamento destinado às Forças Armadas, para “aquilo que é necessário para que a gente se prepare e fique em condições de ser empregado na defesa do nosso país e dos nossos interesses”.
Nesse contexto, Mourão destacou a atuação da FAB: “É a Força Aérea Brasileira que nos garante a mobilidade, não só estratégica, mas tática também, para tudo aquilo que nós temos de fazer num país com a imensidão como o nosso”.
O comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, declarou que, “ao longo desse extraordinário percurso [desde o primeiro voo do 14-Bis], gerações de brasileiros ousaram desafiar limites, transformar conhecimento em realizações e conduzir o país a horizontes antes inimagináveis”.
“São homens e mulheres, militares e civis, que ajudaram a escrever a gloriosa história da Força Aérea Brasileira e a consolidar, ao longo de seus 85 anos de existência, nossa instituição como as “asas que protegem o país”.
Representante da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Roberto José Silveira Honorato, que integra a diretoria dessa entidade, salientou o papel da FAB na defesa da soberania, na integração do território e na atuação em situações de emergência.
Ele também assinalou as contribuições da Força Aérea Brasileira para a pesquisa, a formação de profissionais e o desenvolvimento da capacidade aeronáutica nacional. Além disso, Honorato afirmou que as origens da Anac estão profundamente ligadas à FAB – e citou como exemplo o compromisso comum das duas entidades com a segurança.
Também participaram da sessão especial no Senado o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o comandante do Batalhão de Aviação Operacional do Distrito Federal, tenente-coronel Fabrício de Andrade Raymundo; oficiais da FAB; e o corpo de cadetes da Aeronáutica brasileira.
Durante a cerimônia, o comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, e o senador Astronauta Marcos Pontes foram homenageados: Damasceno pelos 50 anos de dedicação à Aeronáutica e o senador pelos 20 anos de sua missão ao espaço.
Pontes solicitou um minuto de silêncio em memória dos três integrantes da Polícia Militar de Minas Gerais que perderam suas vidas em um acidente aéreo no último dia 9 de outubro: o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, a tenente Gabriela Emília Soares Resende e a tenente Alice dos Santos Almeida.
Fotos: Sargentos Viegas e Marcos / CECOMSAER e Edilson Rodrigues/Agência Senado
