
Márcio Cabral, fotógrafo e geógrafo formado na UnB, é o vencedor do Grande Prêmio Global da 17ª edição do Greenstorm Photography Festival com uma imagem do Cerrado brasileiro. A competição rendeu ao brasileiro US$ 10 mil e o reconhecimento reforça o papel da fotografia na valorização da biodiversidade e na conscientização sobre a preservação ambiental.
A foto vencedora, batizada de Pandora, mostra o arco da Via Láctea sobre um campo de chuveirinhos, plantas conhecidas como sempre-vivas e características da paisagem da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Cabral produziu o panorama de 180 graus em 2023, a partir de nove registros sequenciais e técnicas de astrofotografia e iluminação noturna, após quase uma década de testes.
“Escolhi os chuveirinhos pela arquitetura única dessas flores. Quando iluminadas à noite sob as estrelas, elas ganham um brilho que lembra o planeta do filme Avatar, de onde veio o nome da obra”, conta o fotógrafo.
A competição internacional reconhece fotografias que traduzam questões ambientais em narrativas humanas e que promovam engajamento para conservação da natureza. A obra de Márcio Cabral retrata campo de sempre-vivas e dialoga com pesquisas botânicas da Universidade de Brasília.
Além do reconhecimento no festival, a foto vencedora Pandora ganhou uma versão interativa em 360 graus, acompanhada de trilha sonora original, que também foi premiada no Epson International Pano Awards, na Austrália. A nova conquista amplia a trajetória de reconhecimento internacional de Márcio Cabral e ajuda a dar visibilidade às paisagens e à biodiversidade do Cerrado brasileiro.
A conquista de Marcio Cabral coloca mais uma vez as paisagens brasileiras em destaque internacional e chama a atenção para a riqueza natural do Cerrado, um dos biomas mais importantes do país.
Para Cabral, a imagem também busca revelar aspectos do Cerrado que muitas vezes passam despercebidos. “Ninguém protege o que não conhece. Ao revelar uma estética que parece de outro mundo, mas que está viva no coração do Brasil, a fotografia busca romper a invisibilidade do bioma, despertar o encantamento e gerar a consciência urgente de preservá-lo antes que desapareça”, afirma.
Cabral conta que a Geografia foi determinante para a maneira como observa a paisagem. “Em campo, meu olhar não é apenas contemplativo; busco entender por que uma espécie floresce naquele terreno específico e como a topografia conversa com o céu. Essa visão da natureza como um sistema integrado guia minha fotografia até hoje”.
“O Cerrado é uma floresta invertida: esponja viva que abastece 8 das 12 bacias do país. Água da torneira, comida e energia nascem aqui. Mas enquanto essas fotos rodam o mundo, mais de 91% das bacias do bioma sofrem retração hídrica histórica. O Cerrado não é mato seco. É a água que ainda não chegou à sua torneira. Se ele seca, o país seca junto”, disse o fotógrafo ao postar a foto vencedora em seu perfil no Instagram.
Cerrado: floresta invertida que fascina
A premiação foi entregue em 20 de agosto, durante a 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia.
A edição de 2026 recebeu 14.513 fotografias de artistas de 177 países, registradas a partir do tema Beautiful Rangelands and Grasslands, que destaca a valorização e a conservação de campos e paisagens naturais.
Viva os biomas e a arte brasileira. Parabéns Márcio Cabral pelo reconhecimento internacional e por mostrar a riqueza da natureza do Brasil.
Fotos: Marcio Cabral e UNCCD Greenstorm
