
Celebramos neste 2 de fevereiro as divindades das águas: Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá. Elas são padroeiras dos marinheiros, pescadores e jangadeiros e protetoras das tempestades e perigos do mar.
Nossa Senhora dos Navegantes é um título dado a Mãe de Jesus, Maria. Um fato que se faz necessário esclarecer, é que não existem várias Nossas Senhoras. A única é Maria, mãe de Jesus Cristo. Essa variação de nomes ocorreu em função do desejo em homenageá-la.
No Brasil, estima-se a existência de trezentas denominações para Nossa Senhora, cada qual associada ao lugar onde ela foi vista ou às circunstâncias em que se deram suas mensagens. Existem centenas de títulos que aparecem por diferentes motivos. No mundo, calculam-se aproximadamente dois mil títulos atribuídos a Nossa Senhora. É importante frisar que Nossa Senhora dos Navegantes, por exemplo, é a mesma Nossa Senhora Aparecida.
Quem é Nossa Senhora dos Navegantes
A designação Nossa Senhora dos Navegantes, originou-se no século XV, com a navegação dos europeus, especialmente dos portugueses. Aqueles que viajavam, pediam proteção a Nossa Senhora, para retornarem salvos à pátria. O simbolismo da mulher corajosa e orientadora dos viajantes, fez com que Maria fosse vista como uma eterna vencedora dos inimigos das tempestades. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado com uma grande procissão fluvial no Brasil.
Sincretismo entre Nossa Senhora e Iemanjá
Para muitos estudiosos as duas são a mesma pessoa. Os diferentes nomes se deve a um conflito ocorrido no século XVIII, imposto por um choque entre as diferentes religiões dos negros trazidos da África com o catolicismo no Brasil. Dessa forma, os negros incorporaram a nova religião onde os orixás foram associados aos santos católicos.
O culto à Nossa Senhora dos Navegantes vem desde a Idade Média, quando a Virgem Mãe de Jesus possuía o título “Estrela do Mar”. Nesse período histórico das Cruzadas, ocorreu a Guerra Santa, onde os europeus enviaram tropas à Palestina para recuperarem a liberdade de acesso. Posteriormente; o Culto a Nossa Senhora dos Navegantes tomou fôlego no século XV, período das grandes navegações europeias, quando os navegadores espanhóis e portugueses usavam um costume característico da época das Cruzadas: os cristãos invocavam a proteção da Maria Santíssima antes de irem para o mar. Com o tempo, esse costume disseminou-se entre pescadores litorâneos, principalmente nas terras que foram colonizadas pela Espanha e Portugal. Com a disseminação e “popularização” da Nossa Senhora dos Navegantes, muitas capelas, igrejas e santuários começaram a ser criados.
Iemanjá é tida como a mãe de quase todos os Orixás. Sua representatividade está muito ligada à fecundidade – por isso foi destinado à ela o Mistério da Geração. A divindade é uma das mais populares orixás da Umbanda.
Neste 2 de fevereiro, a “Rainha do Mar” é lembrada pela fartura, força espiritual e o axé dos mares. Ela é conhecida pelos devotos por harmonizar relacionamentos, ajudar as mulheres a engravidarem e trazer riquezas e fartura aos seus filhos. Mas; nem sempre Iemanjá pôde ser cultuada livremente, e no período da escravidão no Brasil, ela foi sincretizada a figuras católicas, principalmente com Nossa Senhora dos Navegantes.
Todos os anos centenas de milhares de pessoas tomam as ruas de Salvador, Rio de Janeiro e outras capitais brasileiras, para saudar Iemanjá, a “Rainha do Mar” e “Nossa Senhora dos Navegantes”.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina ainda existe o sincretismo entre Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes (por isso que algumas imagens de Iemanjá são representadas por uma mulher branca, uma referência à santa católica). Já no Rio de Janeiro, Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, dentre outras denominações.
Iemanjá também é venerada como protetora dos lares, das crianças, gestantes, e invocada na hora do parto e por todos que desejam ser felizes no casamento. No Brasil, ela também recebe os nomes: Inaé, Ísis, Janaína, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar e Sereia do Mar.
O amor, o carinho e o cuidado de Iemanjá são as principais características dessa divindade com muita representatividade tanto para as religiões quanto para a cultura brasileira
Oração à Nossa Senhora dos Navegantes
“Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Filha de Deus, o criador de tudo; protegei-me em todas as minhas viagens. Que os ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas não afetem minha embarcação, que nenhum empecilho ou surpresa indesejada mude minha rota ou atrase a minha viagem. Senhora dos Navegantes, minha vida é a travessia de um mar furioso. As tentações, os fracassos e as desilusões são como as ondas furiosas desse mar, que ameaçam afundar a mim e minha embarcação no abismo do desânimo e do desespero. Virgem Maria, nas horas de perigo eu penso em vós e o medo se vai, o ânimo e uma disposição de lutar e vencer voltam para mim. Com a vossa proteção e a de vosso filho, a embarcação da minha vida há de permanecer segura. Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós. Ouça minha oração. Amém!”
Prece de Proteção à Iemanjá
“Divina mãe, protetora dos pescadores e que governa a humanidade, dai-nos proteção. Oh, doce Iemanjá, limpai as nossas auras, livrai-nos de todas as tentações. És a força da natureza, linda deusa do amor e bondade (fazer o pedido). Ajude-nos descarregando as nossas matérias de todas as impurezas e que a vossa falange nos proteja, dando-nos saúde e paz. Que assim seja feita a vossa vontade. Odoyá!”
Banho de Iemanjá para purificar a alma
Iemanjá é considerada a mãe de todos os orixás e, por isso, o instinto materno da entidade proteja e guarda todos que recorrem a ela de todo o mal. Faça o banho e seja amparada pela rainha do mar.
Banhos com fins espirituais e ingredientes simbólicos são muito poderosos para renovar a alma, curar energias negativas e muito mais. O banho de Iemanjá, um entre tantos outros, é capaz de purificar a alma e nos colocar em contato com as virtudes da deusa dos mares.
Ingredientes:
- 1 L de água;
- 3 pétalas de rosas brancas;
- 3 colheres de sopa de essência de lavanda.
Preparo: Depois de ferver a água, misture as pétalas e a essência de lavanda ao líquido, em sentido horário. Então, deixe a preparação descansar por duas horas, tome um banho e derrame a água do pescoço aos pés. Lembre-se de pedir que Iemanjá o proteja, purifique e mande embora o que o está prejudicando.
Se você sente que a sua vida precisa de uma nova guinada ou se os seus planos não estão dando certo como você imaginava, experimente o banho de Iemanjá para abrir caminhos!
Banho de Iemanjá para abrir caminhos
Ingredientes:
- Folhas de pata-de-vaca;
- Folhas de boldo;
- 3 rosas brancas;
- 8 gotas de óleo essencial de lavanda;
- Mel;
- 1 bacia.
Preparo: Depois de lavar cada uma das folhas e das pétalas de rosa, deposite todas elas em uma bacia com água. Macere e esfregue a pata-de-vaca, o boldo e as pétalas de rosa enquanto mentaliza os seus objetivos. Então, adicione o óleo essencial. Tome banho normalmente e, ao final dele, despeje a mistura na sua cabeça, banhando o corpo inteiro. Assim, encerre proferindo o seguinte louvor: odoyá!
Fotos: Reprodução
