Dengue: qual melhor repelente e como evitar a picada do mosquito, segundo OMS e Anvisa

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Aedes aegypti: o mosquito responsável pela transmissão do vírus da dengue

Com o aumento do número de casos de dengue, a dúvida é: qual o melhor repelente usar? Existe algum tipo que seja melhor, para espantar o Aedes aegypti e evitar a picada?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os produtos à base de Icaridina a 20% são os mais indicados, possuindo duração de até 10 horas na pele. Mas os especialistas reforçam que as duas outras substâncias mais comuns no mercado – DEET e IR3535 também são bastante eficientes, desde que usados conforme as recomendações de seus fabricantes.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou nota informativa, no dia 9 deste mês, orientando a população sobre os produtos que funcionam para afastar o Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue e outras doenças.

A agência destaca que crianças menores de 2 anos, não devem usar repelentes que contenham o ingrediente DEET. Já em crianças de 2 a 12 anos de idade, o uso de repelentes com DEET é permitido, mas a concentração não deve ser superior a 10%, e as aplicações diárias não devem passar de três.

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Repelentes recomendados pela OMS e Anvisa para barrar a picada do Aedes aegypti, mosquito da dengue

“Todos os ativos repelentes de insetos que já tiveram aprovação para uso em produtos cosméticos podem ser usados em crianças, mas é importante seguir as orientações descritas na rotulagem do produto, pois cada ativo tem suas particularidades e restrições de uso”, diz o texto da Anvisa.

A agência reguladora alerta que não existem produtos de uso oral, como comprimidos e vitaminas, com indicação aprovada para repelir o mosquito. Também destaca que os repelentes para aplicação na pele, são enquadrados na categoria “Cosméticos” e, antes de comprar, o consumidor deve checar se eles estão registrados na Anvisa.

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Dengue: qual melhor repelente e como evitar a picada do mosquito, segundo OMS e Anvisa

A recomendação da dermatologista Ana Maria Pellegrini, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e apresentadora do podcast Questão de Pelle, o ideal é sempre seguir a recomendação da embalagem, já que as indicações de uso variam conforme o princípio ativo e sua concentração na fórmula.

A especialista diz que reaplicar mais vezes do que o indicado não é bom, como algumas pessoas podem pensar, já que essas substâncias não são 100% benéficas para o organismo. De modo geral, siga as seguintes orientações:

  • Aplique o repelente sempre entre o amanhecer e anoitecer (esses dois momentos são os com maiores chances de picadas);
  • Não reaplique mais do que o indicado pelo fabricante;
  • Passe-o em todas as áreas expostas do corpo, mas apenas nas regiões que não serão cobertas pelas roupas e chapéus;
  • O rosto também deve receber repelente, mas cuidado com os olhos e a boca;
  • Coloque o repelente por último, após hidratante, protetor solar ou maquiagem.

Além disso, é importante tomar outros cuidados em casa, como o uso de telas nas janelas e portas (sempre procurando por buracos nelas).

Verifique se há recipientes que contenham água dentro e fora de casa. Uma vez por semana deve-se esvaziar e esfregar, virar, cobrir ou jogar fora itens que contenham água, como pneus, baldes, plantadores, brinquedos, piscinas, bebedouros de pássaros, vasos de flores ou recipientes de lixo.

Segundo a especialista os repelentes de pele não são indicados durante o sono. O ideal é usar os do tipo elétricos, que devem ser colocados a pelo menos dois metros da cama, não sendo indicado usá-los em locais de pouca ventilação ou por pessoas com asma ou alergias respiratórias.

Além disso, durante a noite as indicações de proteção mecânica continuam: se quiser ventilar seu quarto, vede as janelas e portas da casa com telas mosquiteiras.

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Repelentes seguros para crianças e gestantes

Bebês de até seis meses não podem usar repelentes, sendo indicada a proteção com roupas, de preferência claras para não atrair os mosquitos, e com uso de telas mosquiteiras nos berços e janelas da casa.

A Icaridina, nas concentrações entre 7% e 20%, é considerada segura a partir dos 2 meses por órgãos de saúde norte-americanos, porém a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) indica seguir a orientação dos fabricantes, que, normalmente, recomendam o uso a partir dos 6 meses.

De sete meses até dois anos de idade eles podem usar repelente com IR3535 apenas uma vez ao dia com orientação médica.

A partir dos dois anos de idade, a Anvisa autoriza o uso de DEET por crianças de dois a 12 anos, mas com concentração de até 10% do ativo, o que reduz sua ação para duas horas. Portanto, é preciso seguir com os outros cuidados indicados para os bebês pequenos.

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Dengue: qual melhor repelente e como evitar a picada do mosquito, segundo OMS e Anvisa

O DEET é o único repelente cuja segurança de uso na gravidez foi avaliada clinicamente em estudo controlado. Apesar de ter sido constatado que a substância passa através da placenta para o sangue fetal (presença no sangue do cordão umbilical), não foram evidenciados efeitos adversos sobre o desenvolvimento embriofetal humano

No entanto, a recomendação é que a gestante sempre converse com seu médico para medir riscos e benefícios em um período de surto como o atual.

Repelentes naturais indicados contra a dengue

O óleo de citronela é um dos repelentes naturais mais conhecidos e até possui estudos comprovando sua eficácia. O seu maior problema, no entanto, é a curta duração. De acordo com os especialistas, ele evapora muito rápido, exigindo frequentes reaplicações, o que pode abrir alguma brecha para uma ou mais picadas

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Dengue: qual melhor repelente e como usar para evitar picada do mosquito Aedes aegypti

Super Repelex Spray

  • Formulado com DEET:
  • Requer reaplicação após 4 horas;
  • Possui fragrância suave.

Loção Repelente Corporal Pro – SBP

  • Formulado com Icaridina 25%;
  • Possui manteiga de karité para ajudar na hidratação;
  • Promete 12 horas de proteção.

Repelente Xô Inseto! Spray – Cimed

  • Formulado com DEET;
  • Promete 10 horas de proteção;
  • Com aloe vera, para ter sensação de refrescância na pele ao aplicar.
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Anvisa divulga recomendações sobre uso de repelentes e inseticidas contra mosquito da dengue

Os inseticidas são indicados para matar os mosquitos adultos. Os repelentes, por sua vez, apenas afastam os mosquitos do ambiente. Ambos devem ter a substância ativa e os componentes complementares (solubilizantes e conservantes) aprovados pela Anvisa.

O repelente é definido como uma substância química ou orgânica que deixa a atmosfera nociva para os insetos nos 4 cm ao redor da pele humana, evitando a sua picada. Já o  inseticida é uma substância química ou orgânica, derivada de plantas, capaz de matar insetos, geralmente agindo como neurotoxina.

Os repelentes em aparelhos elétricos ou espirais não devem ser utilizados em locais com pouca ventilação nem na presença de pessoas asmáticas ou com alergias respiratórias. Podem ser colocados em qualquer ambiente da casa, desde que estejam, no mínimo, a dois metros de distância das pessoas.

Fotos: Reprodução