
A cientista Claudia Sheinbaum, Doutora em Engenharia Ambiental, de 61anos, é a vencedora das eleições presidenciais no México. Com a vitória ela se torna a primeira mulher e a primeira pessoa de herança judaica a ser eleita presidente do México pelo partido de esquerda, o Morena.
A pesquisadora nas áreas de energia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável tem mais de 20 anos de trabalho na aplicação de seus conhecimentos para a implantação das políticas públicas. Conhecida como “la Doctora” por suas brilhantes credenciais acadêmicas, fez parte do painel de cientistas climáticos das Nações Unidas que recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
É uma conquista simbólica para toda América Latina. Claudia Sheinbaum rompe com uma cultura machista, e se elege com as bandeiras de reduzir a desigualdade, a pobreza e a violência doméstica. O México é um país com índices altíssimos de feminicídio.
Após a divulgação dos resultados a nova Presidenta do México falou: “Como já disse em outras ocasiões, não chego sozinha, todos nós chegamos. Com nossas heroínas que nos deram nossa pátria, com nossos ancestrais, nossas mães, nossas filhas e nossas netas”.
A presidenta eleita afirmou que seu governo quer “um México plural, diverso e democrático”. “Sabemos que a divergência faz parte da democracia e, embora a maioria das pessoas apoie nosso projeto, nosso dever é e sempre será cuidar de todos os mexicanos, sem distinção. Portanto, mesmo que muitos mexicanos não concordem totalmente com nosso projeto, caminharemos em paz e harmonia”.
Sheinbaum tem dois filhos e um neto. Seu parceiro, Jesús María Tarriba, que conheceu na universidade enquanto ambos estudavam física, é especialista em risco financeiro no Banco do México.
A vitória da ex-prefeita da Cidade do México, uma das mais populosas do mundo, significa uma contribuição significativa para as mulheres, a democracia, justiça social e desenvolvimento. A esperança é grande pois em todo o México se comemora a eleição da primeira mulher a chegar a Presidência da história democrática do México, a vitória da democracia e do governo popular de Lopes Obrador.
Filha da elite intelectual da Cidade do México, Cláudia Sheinbaum foi militante do movimento estudantil na universidade antes de se lançar na carreira política, sempre muito próxima a López Obrador, e promete continuar o seu governo – incluindo a controvertida proposta de reforma da Constituição, criticada por opositores e analistas por enfraquecer o judiciário e a autoridade eleitoral mexicana.
Sheinbaum terá como principal desafio a violência dos cartéis de drogas, que marcou as eleições, com pelo menos 34 candidatos ou aspirantes assassinados, segundo levantamento do think tank Laboratório Eleitoral. Para segurança, ela propõe o fortalecimento da Guarda Nacional e uma estratégia de largo prazo para evitar que os jovens sejam recrutados pelo crime organizado.
Claudia Sheinbaum será empossada no dia 1º de outubro para um mandato de seis anos.
O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, comemorou que a vitória da candidata oficial Claudia Sheinbaum. “Hoje é um dia de glória porque o povo do México decidiu livre e democraticamente que Claudia Sheinbaum se torna a primeira mulher presidente em 200 anos de vida independente da nossa República. Parabéns a todos nós que temos a alegria de viver nestes tempos estelares de orgulho e transformação”, disse Obrador no X.
López Obrador encerra a presidência com aprovação na casa dos 60%. Ele tem como legado a valorização do salário mínimo e o aumento dos benefícios sociais no México, mas é apontado pelos críticos como líder de tendências autoritárias no país que ainda tenta consolidar sua democracia.
Fotos: Reprodução Redes Sociais
