Papa Francisco diz que plano de deportação de Trump seria uma “desgraça”

O papa Francisco afirmou, no domingo, 19 de janeiro, que o plano do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de deportar migrantes irregulares seria uma “desgraça”.
“Se for verdade, será uma desgraça, porque faz com que os pobres desgraçados, que não têm nada, paguem a conta do desequilíbrio. Assim, as coisas não se resolvem”, declarou o pontífice durante entrevista à emissora italiana Nove.
Trump prometeu agir “com uma rapidez e força históricas” contra os mais de 11 milhões de migrantes em situação irregular nos Estados Unidos.
“Depois de anos construindo nações estrangeiras, defendendo fronteiras estrangeiras e protegendo terras estrangeiras, finalmente vamos construir nosso país, defender nossas fronteiras e proteger nossos cidadãos, e vamos acabar com a imigração ilegal de uma vez por todas. Não nos invadirão. Não nos ocuparão. Não nos infestarão. Não nos conquistarão”, disse Trump em comício no Capital One Arena, em Washington.
O projeto do 47º presidente dos EUA, segundo especialistas. tem implicações jurídicas, financeiras e logísticas. Os defensores dos migrantes também alertam para os custos humanos.
Os defensores dos migrantes também alertam para o custo humano significativo das deportações, com famílias separadas e prejuízo a comunidades e diversos locais de trabalho nos EUA.
De acordo com os últimos números do Departamento de Segurança Interna e do instituto de pesquisa Pew Research, cerca de 11 milhões de migrantes sem visto vivem hoje nos EUA, número que se manteve relativamente estável desde 2005. A maioria deles são residentes de longa duração: quase quatro em cada cinco migrantes sem documentos estão no país há pelo menos uma década.
Uma decisão do Supremo Tribunal de 2022 estabeleceu que os tribunais não podem emitir liminares sobre as políticas de aplicação da imigração, o que significa que permaneceriam em vigor mesmo que os desafios atravessassem o sistema jurídico.
Agora, se o governo dos EUA avançasse com as medidas legais que tornam possível o plano de deportação em massa de Trump, as autoridades ainda teriam de lidar com enormes desafios logísticos.
Donald Trump tomou posse nesta segunda-feira (20 de janeiro) como presidente dos Estados Unidos. O republicano falou por mais de meia hora durante seu discurso. De volta à Casa Branca após 4 anos, ele destacou as políticas anti-imigração, a defesa da liberdade de expressão e a recuperação econômica dos Estados Unidos.

“Eu assinarei hoje diversas ordens executivas históricas e com essas ações vamos começar a total restauração da América e a revolução. Primeiramente, eu vou assinar uma declaração de emergência nacional na nossa fronteira sul. Todas as entradas ilegais serão, imediatamente, impedidas e vamos começar um processo de mandar milhões e milhões de imigrantes voltarem para o lugar de onde vieram”, garantiu Trump.
“América será novamente respeitada e admirada. Seremos prósperos, seremos orgulhosos, seremos fortes e vamos vencer como jamais visto. Não seremos conquistados, nem intimidados. E não vamos falhar. A partir de hoje, os Estados Unidos da América serão uma nação livre, soberana e independente. Teremos coragem, vamos viver com orgulho e vamos ter grandes sonhos. Nada ficará no nosso caminho, porque somos americanos. O futuro é o nosso, como americanos, e a nossa idade de ouro acabou de começar. Muito obrigado. Deus abençoe a América”, declarou no encerramento do discurso.

Fotos: Reprodução e REUTERS













