
A Organização dos Estados Americanos, entidade que reúne 32 países das Américas, está sob novo comando. O ministro das Relações Exteriores do Suriname, Albert Ramdin, foi eleito por aclamação pelos representantes dos países-membros nesta segunda-feira, 10 de março, em assembleia-geral na sede da OEA em Washington.
O novo secretário-geral do principal órgão multilateral das Américas substitui o uruguaio Luís Almagro que, entre 2015 e 2025, ocupou o principal posto da OEA.
A principal entidade multilateral do continente foi fundada em 1948, e é um organismo regional das Nações Unidas (ONU). O Artigo 1º da Carta da OEA afirma que a organização deve perseguir, a favor de seus estados-membros, “uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, intensificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência”.
O primeiro mandato de Ramdin termina em 2030, mas ele pode se reeleger até 2035. O diplomata do Suriname tem mais de 25 anos de experiência em Negociações internacionais, tendo sido secretário-geral assistente da OEA de 2005 a 2015, com atuação também no setor da mineração em nível internacional.
O Chanceler do Suriname contou com forte apoio da Caricom e de governos latino-americanos alinhados com Lula como México, Bolívia, Colômbia, Chile e Uruguai. Além disso, Costa Rica, Equador e República Dominicana, também se somaram ao movimento para eleger Ramdin como novo secretário-geral da OEA
A embaixadora Maria Laura, secretária-geral do Itamaraty, disse que o Brasil agora tem a expectativa de que o secretário-geral da OEA “seja uma figura agregadora, um funcionário internacional que não tome partido em disputas internas ou internacionais, mas facilite diálogos, estenda pontes com todos os lados e reabra canais que foram fechados”.
A embaixadora Maria Laura da Rocha, chefe da delegação brasileira, fez críticas à gestão anterior do uruguaio Luís Almagro na OEA e defendeu um novo paradigma para a atuação da organização. “Em vez de se resguardar a independência e os canais de comunicação, com todos os lados em situações de tensões internas, não raras vezes, tomou-se partido em disputas internas, gerando efeito contrário ao pretendido. A defesa da democracia, tema tão importante, não raro foi objeto de seletividade política. Com isso, a OEA perdeu legitimidade e relevância”, afirmou Maria Laura.
Acusado de interferir no golpe de Estado da Bolívia, em 2019, e de “tomar partido” nas disputas na Nicarágua e Venezuela, Almagro acumulou críticas por uma postura supostamente alinhada aos interesses dos Estados Unidos.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil cobrou do novo chefe da entidade uma atuação “independente” e “conciliadora”. “O Brasil parabeniza Albert Ramdin pela eleição ao cargo de secretário-geral da OEA e deseja-lhe sucesso. O Brasil acompanhou com atenção o processo sucessório para a Secretaria-Geral da OEA. O país considera fundamental que o novo secretário-geral mantenha perfil independente, conciliador e inclusivo, de modo a refletir o interesse de todos os países membros da OEA”, publicou o Itamaraty.
Albert Ramchand Ramdin nasceu em 27 de fevereiro de 1958, e construiu sua carreira na diplomacia, com forte atuação nos organismos internacionais. Formado em geografia social pelas universidades de Amsterdã e Vrije, na Holanda, Ramdin iniciou sua trajetória política e administrativa ainda na década de 1990, ocupando cargos de relevância dentro do governo do Suriname e em entidades internacionais.
Em 1999, foi nomeado assistente-geral de Relações Externas na Comunidade do Caribe (Caricom), organização que reúne 14 países da região. Dois anos depois, passou a atuar como assessor do secretário-geral da OEA.
Já em 2005, conquistou seu cargo mais relevante até então: foi eleito secretário-geral adjunto da OEA, função que exerceu até 2015.
Após deixar o cargo, retornou ao Suriname e ocupou diferentes funções na diplomacia, até ser nomeado, em 2020, ministro das Relações Exteriores, Negócios Internacionais e Cooperação Internacional no governo de Chandrikapersad Santokhi. Como chanceler, Ramdin fortaleceu os laços do Suriname com China, Holanda e países vizinhos da América do Sul, além de reaproximar o país da OEA.
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