Ministra Marina Silva sofre ataques misóginos e machistas na Comissão de Infraestrutura do Senado

Bernadete Alves
Ataques e desrespeito a Marina Silva na Comissão de Infraestrutura envergonha o Senado

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente no governo Lula, disse que “não aceita” que ninguém diga que ela deve “se pôr em seu lugar”, após sofrer ataques machistas e misóginos de senadores de oposição durante uma sessão da Comissão de Infraestrutura do Senado.

Virou rotina covardes se arvorarem contra mulheres e hoje não foi diferente. Atacaram de forma absurda a líder ambiental mundial Marina Silva. Discordância política não pode dar espaço a agressões misóginas como alguns senadores fizeram com a ministra. Intolerável a brutalidade praticada em uma Comissão do Senado Federal.

Não respeitaram a história e a memória de luta de Marina em prol do meio ambiente. A ministra se agigantou e enfrentou com dignidade e cabeça erguida seus agressores que envergonharam o Parlamento e receberam o repúdio das mulheres que são a maioria da população brasileira.

Bernadete Alves
Marina Silva reage aos ataques sofridos na Comissão de Infraestrutura do Senado

O que aconteceu no Senado é imperdoável, o ataque que Marina sofreu como ministra, como mulher, como cidadã, é grave e lamentável. Basta de violência política de gênero. Marina é respeitada em todo o mundo pela sua luta pela preservação do meio ambiente, enquanto isso políticos retrógrados e machistas a atacam com misoginia, violência política e desrespeito. Marina nunca recuou porque é resiliente e seguirá lutando porque o Brasil precisa da sua coragem.

A ministra respondeu ao senador Marcos Rogério (PL-RO), que disse durante a sessão que Marina deveria “se pôr no seu lugar” e silenciou o microfone dela diversas vezes.

“Estou aberta ao debate, ao diálogo. Agora, o que não pode é alguém achar que, porque você é mulher, porque você é preta, porque você vem de uma trajetória de vida humilde, que você vai dizer quem eu sou e que eu devo ficar no meu lugar. O meu lugar é onde todas as mulheres devem estar”.

Bernadete Alves
Ministra Marina Silva recebe apoio e solidariedade após ataques machistas e misóginos no Senado

Marina foi ofendida pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM). “Olhando para a senhora, estou falando com a ministra, e não com uma mulher”, começou. “Eu sou as duas coisas”, rebateu a ministra. “A mulher merece respeito, a ministra, não”, declarou o Senador.

“Eu não posso aceitar que digressões sejam feitas de forma desrespeitosa com o trabalho do ministério, o trabalho que minha equipe faz de forma técnica. E muito menos que alguém venha me dizer que eu tenho que me colocar no meu lugar. Meu lugar é o da defesa da democracia, do meio ambiente, do combate à desigualdade, do desenvolvimento sustentável”, disse Marina.

Bernadete Alves
Marina Silva sofre ataques misóginos e machistas na Comissão de Infraestrutura do Senado

“Ou ele me pede desculpa, ou eu vou me retirar”, condicionou Marina. Como Valério ignorou, a ministra deixou a Comissão de Infraestrutura do Senado, da qual era convidada. A sessão foi encerrada logo em seguida. O senador já é alvo de representação no Conselho de Ética por dizer que gostaria de enforcar a ministra.

Marina deixa a audiência mais forte do que nunca e declarou: ‘Me senti agredida fazendo o meu trabalho’. A ministra afirmou que foi vítima de violência política de gênero pelos ataques que sofreu dos senadores.

A ministra Marina merece a solidariedade e o apoio de todas nós mulheres. Quem ataca uma, ataca todas. E quem mexe com uma encontrará uma rede de mulheres fortes, firmes, unidas e determinadas a proteger a Mãe Natureza. E a ministra Marina recebeu de imediato o carinho e a solidariedade das mulheres pelas redes sociais.

A ministra das Mulheres Márcia Lopes, em nota repudiou o caso. “Ela foi desrespeitada e agredida como mulher e como ministra por diversos parlamentares – em março, um deles já havia inclusive incitado a violência contra ela”, disse a ministra que classificou o ocorrido como grave e lamentável.

“É um episódio muito grave, além de misógino. Toda a minha solidariedade e apoio à Marina Silva, liderança política respeitada e uma referência em todo o mundo na pauta do meio ambiente. É preciso que haja retratação do que foi dito naquela espaço e que haja responsabilização para que isso não se repita”, cobrou a ministra Márcia Lopes.

Fotos: Reprodução