Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 celebra riqueza da produção científica e acadêmica do Brasil

Bernadete Alves
Estatuetas do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025

A segunda edição do Prêmio Jabuti Acadêmico foi uma celebração da ciência e da cultura como pilares para o avanço do país. O evento, realizado na noite de 5 de agosto no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, refletiu a vitalidade da literatura acadêmica nacional com mais de 2 mil obras inscritas.

O Prêmio Jabuti Acadêmico, criado em 2024, pela Câmara Brasileira do Livro, é voltado às áreas científicas, técnicas e profissionais, com o objetivo de reconhecer a excelência da produção acadêmica nacional e dar visibilidade às contribuições desses campos para o desenvolvimento do Brasil. As categorias estão organizadas nos eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

A cerimônia da Câmara Brasileira do Livro foi conduzida pelo neurocientista e professor livre-docente da FMUSP, Dr. Fernando Gomes ao som do Coral Heliópolis, do Instituto Baccarelli, com arranjos de música clássica brasileira.

A presidente da CBL, Sevani Matos, ressaltou a relevância e o crescimento da premiação: “A cada edição, o Jabuti Acadêmico reafirma seu compromisso com a valorização da produção científica no Brasil. Nesta segunda edição, recebemos mais de 2 mil inscrições, o que demonstra a força e a diversidade da literatura acadêmica nacional. Reconhecer essas obras é incentivar a pesquisa, a ciência e a cultura como pilares para o desenvolvimento do nosso país.”

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Marcelo Knlobel, curador do Prêmio Jabuti Acadêmico

Marcelo Knobel, curador do prêmio, saudou o conselho curador, os jurados e os autores das obras vencedoras. “Estamos orgulhosos com a consolidação do Jabuti Acadêmico, que, mesmo em sua segunda edição, já se destaca pela qualidade e pela importância do que propõe. Parabenizamos os finalistas, que se destacaram em suas áreas com obras relevantes. Agradeço ao conselho curador e aos 78 jurados que atuaram com dedicação para selecionar as obras vencedoras”.

Foram anunciados 26 vencedores, divididos entre os eixos de Ciência e Cultura e os Prêmios Especiais. Os autores premiados receberam a estatueta do Jabuti e R$ 5 mil, enquanto as editoras das obras vencedoras foram contempladas com o troféu.

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Antônio Joaquim Severino, vencedor do “Livro Acadêmico Clássico”

O sociólogo José de Souza Martins foi homenageado como Personalidade Acadêmica por sua vasta contribuição para as ciências sociais, com 41 livros publicados e três prêmios Jabuti em sua trajetória.

A obra “Metodologia do Trabalho Científico”, de Antônio Joaquim Severino, recebeu o título de Livro Acadêmico Clássico. Lançado há 50 anos, o livro já vendeu mais de 380 mil exemplares e é uma referência fundamental para a pesquisa no Brasil.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes foi bastante aplaudido quando seu nome foi anunciado no telão. O jurista concorreu na categoria de Direito, que laureou outro livro: Antropologia e estudos sociojurídicos: a construção de um campo de pesquisa interdisciplinar, de Orlando Villas Bôas Filho, editora Mandaçaia.

Orlando Villas Bôas Filho, professor de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP, venceu o Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria “Direito”, com a obra “Antropologia e estudos sociojurídicos: a construção de um campo de pesquisa interdisciplinar”.

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Orlando Villas Bôas Filho: vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Direito

Bôas Filho concorreu com o ministro do STF Alexandre de Moraes (“Democracia e redes sociais: o desafio de combater o populismo digital extremista”, Editora Atlas); com o professor da FDUSP André Ramos Tavares (“A nova matrix: direito (re)programado na civilização plataformizada”, Editora Etheria) e com as publicações “Democracia, eleições e participação feminina: elas pensam o Brasil”, de Aline Osorio e Letícia Giovanini Garcia (Editora Fórum); e “Luiz Gama contra o Império: a luta pelo direito no Brasil da escravidão”, de Bruno Rodrigues de Lima (Editora Contracorrente).

O professor disse que receber o Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 é muito gratificante. “A reflexão contida no livro premiado é fruto de um trabalho acadêmico em que colegas e alunos são fundamentais. Contudo, ela não teria sido possível sem o constante apoio e incentivo de familiares e amigos e sem a acolhida dada pela Editora Mandaçaia”.

Bôas Filho falou que o Prêmio Jaboti constitui um reconhecimento que ultrapassa o mérito individual. Para ele, no que concerne à Universidade de São Paulo, o livro consagra o esforço empreendido pelo Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da FDUSP com vistas a fomentar a pesquisa interdisciplinar.

“Sustento que a antropologia pode servir como um ‘instrumento de vigilância epistemológica’ contra as representações etnocêntricas e formalistas que desconsideram dinâmicas jurídicas subalternizadas. Assim, procuro ressaltar que o diálogo com a antropologia é fundamental para a formação jurídica em um país com composição multiétnica e pluricultural como o Brasil”, declarou o agraciado.

Bernadete Alves
Hadna Abreu, Camila Ribas, Gracilene Bittencourt, Dzoodzo, Noemia Ishikawa, Tito Fernandes, Fernando d’Horta, do Inpa

Duas publicações do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) receberam reconhecimento nacional no Prêmio Jabuti Acadêmico 2025, uma das mais importantes premiações dedicadas à valorização da produção científica no Brasil.

O livro “Espécies de Aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro” foi vencedor da categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia, enquanto “Ariá: um alimento de memória afetiva” chegou à final na categoria de Ilutração. 

Ambas as obras têm em comum a construção coletiva com povos tradicionais da Amazônia e a valorização do conhecimento tradicional e científico em conjunto. O livro “Espécies de Aves do Rio Cubate” é resultado de um trabalho em parceria entre pesquisadores do Inpa e a comunidade Baniwa da região do Alto Rio Negro. A publicação registra 310 espécies de aves observadas em campo e inclui os nomes populares em nheengatu, língua indígena falada na região.

Segundo a pesquisadora do Inpa e coautora do livro vencedor, Camila Ribas, o projeto surgiu a partir da iniciativa da própria comunidade de Nazaré do Rio Cubate, que procurou o Inpa para desenvolver um trabalho colaborativo. “A colaboração com as populações indígenas e tradicionais, com respeito e valorização dos saberes, é a única maneira de conhecer e proteger efetivamente a Amazônia”.

Bernadete Alves
Vencedores do Jabuti Acadêmico Ciência e Cultura 2025
  • Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo: “Inovação e desenvolvimento sustentável: da inovação convencional à ecoinovação sustentável”, de José Carlos Barbieri (Editora Blucher)
  • Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais: “Uma enciclopédia nos trópicos: memórias de um socioambientalista”, de Ricardo Arnt e Beto Ricado (Editora Zahar)
  • Arquitetura, Urbanismo, Design e Planejamento Urbano e Regional: “O desenho de São Paulo por seus caminhos”, de Andreina Nigriello (Editoras Cultura Acadêmica, KPMO Cultura e Arte)
  • Artes: “Teatros e artistas com deficiência visual”, de Lucas de Almeida Pinheiro (Editora Unicamp)
  • Ciência da Computação: “A Máquina da Natureza: uma perspectiva cronológica da ciência da computação teórica”, de André L. Vignatti (Obra Independente)
  • Ciência de Alimentos e Nutrição: “Nutrição inclusiva: diversidade e inclusão em alimentação e nutrição”, de Thaís Lima Dias Borges, Aline Alves Ferreira e Ursula Viana Bagni (Editora Manole)
  • Ciências Agrárias e Ciências Ambientais: “Agricultura de Precisão: Um Novo Olhar na Era digital”, de Ricardo Yassushi Inamasu, Lucio André de Castro Jorge, Luciano Gebler, João Leonardo Fernandes Pires, Carlos Manoel Pedro Vaz, Alberto Carlos de Campos Bernardi e Luis Henrique Bassoi (Editora Cubo)
  • Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia: “Espécies de aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro”, de Ramiro Dário Melinski, Fernando Mendonça d’Horta, Camila Cherem Ribas, Gracilene Florentino Bittencourt, Damiel Legario Pedro, Estevão Fontes Olímpio, Dzoodzo Baniwa e Dario Baniwa (Editora INPA)
  • Ciências da Religião e Teologia: “A salvação da pátria amada: religião e extrema-direita no Brasil”, de Wagner Lopes Sanchez e João Décio Passos (Editora Paulus)
  • Comunicação e Informação: “Repórter Eros: a história do jornalismo erótico brasileiro”, de Valmir Costa (Editora Cepe)
  • Direito: “Antropologia e estudos sociojurídicos: a construção de um campo de pesquisa interdisciplinar”, de Orlando Villas Bôas Filho (Editora Mandaçaia)
  • Economia: “Iguais e diferentes: uma jornada pela economia feminista”, de Regina Madalozzo (Editora Zahar)
  • Educação e Ensino: “Avaliação educacional: de aprendizagem, institucional, em larga escala”, de Valéria Virgínia Lopes, Sandra Zákia Sousa (Editora Contexto)
  • Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional: “Propósito de vida da pessoa idosa: conceitos, abordagens e propostas de intervenções gerontológicas”, de Cristina Cristóvão Ribeiro (Editora Summus Editorial)
  • Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social: “Epidemiologia no Pós-Pandemia: de ciência tímida a ciência emergente”, de Naomar de Almeida Filho (Editora Fiocruz)
  • Engenharias: “Energia do lixo: tecnologias de recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos”, de Siliva Azucena Nebra, Reynaldo Palacios Bereche, Giovano Candiani, Gilberto Martins, Antonio Garrido Gallego (Editora UFABC)
  • Filosofia: “Gatos, peixes e elefantes: a gramática dos acordos profundos”, de João Carlos Salles (Editora Aretê)
  • Geografia e Geociências: “Água subterrânea, história da Terra e consciência ambiental: metas do Programa Aquífero Guarani”, de Joseli Maria Piranha, Luiz Eduardo Anelli, Virginio Mantesso-Netto, Renatta Christina da Costa Lemos Vilela, Andrea Bartorelli “em memória”, Didier Gastmans, Luciana Cordeiro de Souza Fernandes, Sueli Yoshinaga Pereira “em memória”, Berenice Balsalobre, Celso Dal Ré Carneiro e Valter Galdiano Gonçales (Obra Independente)
  • História e Arqueologia: “Imagens da branquitude: a presença da ausência”, de Lilia Moritz Schwarcz (Editora Companhia das Letras)
  • Letras, Linguística e Estudos Literários: “Modernismo Negro”, de Jorge Augusto (Editora Segundo Selo)
  • Matemática, Probabilidade e Estatística: “A teoria dos conjuntos e os fundamentos da Matemática”, de Rogério Augusto dos Santos Fajardo (Editora Edusp)
  • Medicina: “Medicina excessiva: suas causas e seus impactos”, de Guilherme Santiago (Editora Labrador)
  • Psicologia e Psicanálise: “Hélio Pellegrino: por uma Psicanálise política”, de Larissa Leão de Castro (Editora Appris)
Bernadete Alves
Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 celebra riqueza da produção científica e acadêmica do Brasil

Prêmios Especiais do Jabuti Acadêmico:

  • Divulgação Científica: “Existo, logo penso: histórias de um cérebro inquieto”, de Roberto Lent (Editora Instituto Ciência Hoje)
  • Ilustração: “História da ciência ilustrada Vol. 1”, de Willian Souza dos Santos (Editora LF Editorial)
  • Tradução: “Da alma do mundo: uma hipótese da Física Superior para esclarecimento do organismo universal”, de Márcia Cristina Ferreira Gonçalves (Editora Edusp)

A editora mais premiada da noite foi a Companhia das Letras, com três estuetas, seguida da Edusp, com duas. A editora mais presente entre as finalistas foi a Dialética, em oito categorias. As categorias de Ciência da Computação e Geografia e Geociências tiveram obras independentes como vencedoras.

Fotos: Câmara Brasileira do Livro/ Beatriz Sardinha e Reprodução